Marcas de sucesso
Num mundo cada vez mais concorrencial, as empresas esgadanham-se por achar um produto que se afirme no mercado e lhes dê lucro certo e sem espinhas. Quando falamos de livros, isso é tanto mais difícil quanto cada livro é um livro e nada garante que um autor ou género aparentemente bem-sucedido num determinado período consiga manter o êxito cinco anos depois. No tempo em que comecei na edição, quando um escritor era lançado e se vendia bem, quase sempre os leitores procuravam o seu livro seguinte; hoje, porém, as coisas já não são bem assim – até porque muita gente desconhece o autor do livro que anda a ler e, se este não se der ao trabalho de mostrar a sua carinha (que, sendo bonita, tem vantagem) pelos sete cantos do País, não poderá almejar a uma reputação que mereceria apenas pelo que escreveu. Mesmo assim, há temas que conseguem instituir-se como marcas de sucesso e raramente dão mau resultado. De há alguns anos a esta parte, os editores descobriram que Salazar é um deles – e, desde então, todos os livros que tragam no título o nome e na capa o retrato do homem que se manteve mais tempo à frente dos destinos da Nação são um negócio praticamente seguro. O problema é que, a par de uma fantástica biografia como a de Filipe Ribeiro de Menezes – que apresenta, efectivamente, muitos elementos novos para reflexão e conhecimento –, outras obras há que exploram o filão de modo mais à scandale, prontificando-se, por exemplo, a ilustrar-nos sobre a vida sexual e amorosa do nativo de Santa Comba Dão. Atentando no número de livros recentemente dados à estampa, parece que Sá Carneiro, trinta anos decorridos sobre a sua morte, corre o risco de se tornar outra marca de sucesso.
O livro é um negócio. O conteúdo não interessa a ninguém, só a embalagem. Ou um nome sonante a fazer de autor. Uma carinha bonita também ajuda, assim como um tema explosivo (esse da vida sexual e amorosa de Salazar é obra!).
ResponderEliminarTudo o que possa vender de imediato é publicado. Faz-se uma sessão de lançamento catita, põe-se na montra, vende-se durante uns dias...
Deixa de dar? Venha outro! O que não falta é livros!
Alguém leu?
Irrelevante!
Gostei. Estão ditas coisas muito importantes.
ResponderEliminarLi há dias que se publicam em Portugal em média 40 livros por dia. Ao preço a que estão os livros, fico admirado como ainda conseguem sobreviver tantas editoras.
ResponderEliminarNo mesmo patamar das marcas de sucesso, além das biografias históricas, talvez se possam colocar os autores/figuras da TV, cujos livros se vendem maioritariamente graças a serem figuras conhecidas, não pelos temas que abordam ou pelo que escrevem.
Olá…
ResponderEliminarNão vou colar imagens ou fazer ligações literárias à política editorial, pois não me considero escritor, muito menos um selo que se cole às intenções que dilatam o negócio livreiro. A abundância de livros disponíveis assemelha-se a cordilheiras geladas por descobrir. São para derreter ao longo da vida para que ela não se acabe. Não me lembro por onde já passei. As pegadas apagaram-se nos nevões, mas nunca me senti perdido. Parece-me difícil pestanejar com frio ou calor e manter a qualidade e a profundidade que cada um nos traz de novo. São muito poucos os que me apaixonam e deixam um fresco na garganta. Montras de propaganda derretem-se todos os dias por consumir, mas a mente diz-nos que não.
RECEITA
ResponderEliminarIngredientes:
1 Empresa de Marketing
1 Cara laroca (o autor) conhecida do público (pode ser um apresentador de telejornal)
6 cidadãos que saibam escrever em português e saibam consultar a Wikipedia
1 Editor-financiador
1 empresa filipina de produção tipográfica.
MODO DE PROCEDER
1º Estudo de marcado que seleccione um tema de interesse mediático e um título.
2º Os 6 cidadãos escrevem 12 ou mais capítulos encadeados sobre esse tema, garantindo coerência do conjunto com recurso às informações da Wikipédia.
3º Aplica-se um bom corrector ortográfico.
4º O Editor faz o upload da fotografia do “cara laroca” e do texto do livro para a empresa filipina e encomenda 10.000 exemplares
5º O Marketing enche de cartazes os hipermercados e livrarias. Nesses cartazes constam a fotografia do autor e o título do livro, a cores.
6º Quando o contentor chegar das filipinas, distribuir. De preferência na proximidade do Natal.
é que não tenho quaisquer dúvidas de que é mesmo assim que "as coisas" se processam. por outro lado, ao menos cria-se emprego (ou vá lá, trabalho) para os 6 cidadãos que saibam escrever e consultar a wikipedia...
Eliminare está tudo dito pelos anterioree comentadores.
ResponderEliminarvale tudo para vender um livro.
o resto é paisagem, infelizmente.
Não me pronuncio porque desconheço a realidade, embora aceite que seja como se diz por aqui... e até desconfio que será mesmo!
ResponderEliminarDe resto como em tudo no facilitismo e falta de ética actual - o que aliás é de bom tom dizer também!
Por outro lado, não sou nem ressabiado nem frustrado... aprendi a levar porrada a pegar a vida como se pegam toiros, a levantar-me e a
sacudir a poeira... e a ir lá outra vez.
Sinto que muitas vezes se comenta apenas para exorcizar ou lamentar... é ir lá outra vez, digo eu!
Bom e a propósito... para onde poderia enviar o meu romance Largueza para obter uma opinião?
Está longe de ser um romance depressivo e sobre Salazar ou as minhas emoções, fantasmas
e frustrações... é coisa mais aberta e ampla, sobre portugalidade e bons sentimentos,com cheiro a refogado e à aventura portuguesa.
Convido críticos e a Drª Mª do Rosário a dar uma
olhadela a este romance que também se levantará e vai lá quantas vezes forem precisas...
A Editora é a Chiado, foi o que se arranjou...
António Luiz Pacheco