José e Pilar

Faço um intervalo nas sugestões de livros para falar do filme José e Pilar. Fico, em primeiro lugar, muito feliz por, finalmente, terem chegado os filmes portugueses em que não há desencontro entre o som e a imagem e em que se percebe tudo o que as pessoas/personagens dizem. (Foram tantos anos disso que quase me tiraram a vontade de voltar a ver cinema português.) Em segundo lugar, fico contente com este filme em especial, que é um filme sobre a vida de José Saramago e Pilar del Río num momento particularmente difícil da vida dos dois: o período em que, estando a escrever A Viagem do Elefante, o Nobel da Literatura adoeceu gravemente e teve de ser internado (vê-lo-emos também recuperar e assistir ao lançamento desse livro). Com algumas cenas pungentes (como aquela em que o escritor faz uma declaração em que ouvimos sobretudo a sua dificuldade em respirar), outras muito belas (como a porta do quarto de hospital enfeitada com luzinhas de Natal emoldurando uma Pilar triste e preocupada), outras divertidas (Saramago e García Márquez dormindo numa mesa de um encontro de escritores), esta longa-metragem fala de um amor feito de dedicação e cumplicidade, mas também do dia-a-dia perfeitamente inimaginável de um escritor célebre, que tem de escolher entre trezentos convites porque ninguém o deixa em paz. A ver, absolutamente.

Comentários

  1. Ainda mais sublime que sublime MEMORIAL DO CONVENTO e digo mais porque real.

    Seve

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  2. O filme/documentário é isso mesmo, uma história de amor. Pilar revela-se/mostra-se/expõe-se como uma mulher forte e frágil, desesperada e com esperança, inundada de medo e de amor. E depois a exposição do quotidiano dos dois enternece-nos, é íntimo (quase) demais. As cenas cómicas ainda hoje me fazem sorrir... um grande documento imagético.

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  3. Ainda não vi. Espero que o filme tenha mais afinidades com a grandeza do Memorial do Convento do que com a autocomplacência narcisista e acrítica pós Nobel. A bem da verdade espero também que no filme a cegueira ideológica não seja elidida. Mas o consenso que para aí vai não augura nada de bom a esse respeito.

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  4. Pedro Fernandes Duarte27 de dezembro de 2010 às 14:10

    Percebeu o som todo porque o filme tinha legendas. Ou estou enganado?

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  5. O Canto do Vento nos Ciprestes.
    Associação Livre.

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  6. O filme que mais me tocou nos últimos tempos... Tanto me fez rir como, em algumas circunstâncias, me deixou um "aperto"... Grande em emoção e concretização...
    Fico muito feliz por ter "arriscado" num documentário de um português...
    Fico muito feliz por "encontrá-lo" aqui...

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  7. Então convido-a a conhecer a petição que pretende sensibilizar o ICA para que nomeie o filme como o representante português aos Óscares. Leia o blogue em http://joseepilaraososcares.blogs.sapo.pt/ e assine em http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N11961

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