O actor-autor
Amanhã é lançado publicamente Rio Homem, o romance do actor André Gago que publico na Asa, fruto de muitos anos de investigação e finalista do Prémio Leya no ano passado. Ao contrário do que costuma acontecer com livros de gente que aparece na televisão – quase sempre escritos por mãos alheias ou simplesmente mal escritos –, este é um livro bonito e profundo que cruza duas histórias magistrais: a de um jovem galego foragido da Guerra Civil de Espanha que perdeu as suas referências e a da aldeia comunitária que o acolheu – Vilarinho da Furna – e que hoje jaz submersa na albufeira de uma barragem. O link para o booktrailer (onde o autor fala do romance com a belíssima voz do actor) aí vai. O convite para que apareçam no lançamento também.
Fico curioso. Reparo que a Rosário escreveu e o André também diz "da furna" no singular, mas aqui no Norte sempre ouvi dizer, e sempre disse, "das furnas". Não estou em condições de dizer o que está bem e o que está mal, mas fico curioso. Gostava de saber se se pode dizer das duas formas e porquê. Essa aldeia submersa faz parte do imaginário de qualquer nortenho (e do Gerês), o segredo sobre as marés que deixavam ver a aldeia, as visitas a Vilarinho, a ideia de ver uma casa na água negra, o mistério de estar em Vilar da Veiga e de imaginar Vilarinho das Furnas do outro lado da montanha, que havia minas que nos levavam lá, as caminhadas monte acima para descobrir. Que saudades.
ResponderEliminarCom a mesma dúvida, e até porque tenho andado por ali, coloquei a questão a um nascido e criado lá perto, que ainda por cima se dedica à etnografia local. A resposta que recebi foi esta que transcrevo do email do autor:
Eliminar(...)
«Quanto à designação de Vilarinho, é comum o povo dizer Vilarinho das Furnas. Eu ambém tenho inclinação para o plural. No entanto, consultando literatura etnográfica (ver Jorge Dias) e os trabalhos de investigação - enfim, os intelectuais de serviço - surge sempre ou quase sempre a designação no singular. Para mim a referência é um
antigo habitante (ex-jesuita, 1.º licenciado-doutorado de Vilarinho e professor na Lusófona ) chamado Manuel de Azevedo Antunes. Esse é o big-boss destas coisas e usa o singular. Consulta o trabalho dele "Vilarinho da Furna, uma aldeia afundada"; vê também "VILARINHO DA FURNA - PARA UM PROJECTO DE TURISMO SUSTENTÁVEL".»
(...)
Aproveito para saudar a Maria do Rosário Pedreira.
António Ferra
Olá, Deixei um selo para este blog aqui: http://oenigmadegabriel.blogs.sapo.pt
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