Livros terapêuticos

Tenho uma grande atracção pela psiquiatria e pela psicanálise e muita fé em terapias que curem estados de alma cheios de escuridão sem recurso a químicos. Sei que não servem para toda a gente e que é preciso – como com um livro – que a combinação entre sujeito e objecto (melhor: entre paciente e médico) funcione. No entanto, não consegui deixar de apreciar a sátira a estas práticas numa grande comédia de David Lodge, que teria dado um fantástico filme realizado por Woody Allen se os argumentos dos seus filmes não fossem sempre ou quase sempre do próprio. Numa altura em que andamos todos cabisbaixos com as notícias de um país à beira da bancarrota, faz bem à alma ler um romance inteligente, informado e divertido como Terapia. Inesquecível desde logo a cena em que o protagonista recebe da mulher um pedido de divórcio e chega à conclusão de que nem sequer tinha a noção de que se davam mal; mas mais hilariante é a tentativa de o mesmo capar com uma tesoura de podar o professor de ténis por quem crê que a sua mais-que-tudo está loucamente apaixonada. Para quem gosta de livros bem-dispostos, muitos dos romances de Lodge são aconselháveis, mas alguns talvez excessivamente britânicos. Este, porém, sobre as fraquezas humanas, não podia ser mais universal.

Comentários

  1. Eu, uma curiosa na arte da terapia, já fiquei curiosa. Aproveito, dado que nem é hábito comentar, para elogiar o blog. Muito bom.

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  2. Livros terapêuticos. Duas palavras, tantas percepções, um mundo. No caso, o adjectivo é dirigido, mas podia ser global e não erraria. Não o conheço mas lamento-o. Como se fosse mais um sem abrigo que pudesse levar para casa, que pudesse ajudar, que pudesse concretizar.

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  3. Esse protagonista andava mesmo distraído para não se dar conta da situação.
    Comungo dessa convicção sobre o uso da psicanálise como arma para debelar estados de alma em baixo. É concerteza uma solução mais duradoura e vantajosa que o recurso a químicos.
    Há também livros que podem funcionar como uma verdadeira terapia, no sentido de que nos abrem horizontes para vermos as coisas com um novo olhar. E não estou a falar de livros de auto-ajuda, mas de livros de ficção.

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  4. É, muito provavelmente, o livro mais hilariante que me passou pelas mãos.
    Adoro a história da amante platónica e a atribulada viagem que resolvem fazer às Canárias.
    E, na cena do pedido de divórcio, está ele sentado à secretária do escritório a pensar em Kierkegaard (ou coisa que o valha) quando a mulher lhe entra pela porta a dizer qualquer coisa do tipo: "Ouviste o que eu disse? Quero o divórcio. Já te disse três vezes e ainda não me respondeste".

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  5. Vou apontar: sou leitora e apreciadora de David Lodge!

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  6. Isto, nem de propósito. Também eu "tenho uma grande atracção pela psiquiatria e pela psicanálise e muita fé em terapias que curem estados de alma cheios de escuridão sem recurso a químicos." E também eu publiquei agora mesmo um post relacionado com o tema!!! (Juro que ainda não tinha lido este). E, contra o meu costume, vou fazer publicidade (há sempre a excepção que confirma a regra): http://andancasmedievais.blogspot.com/2010/11/sindicato-da-bondade.html.

    Quanto ao David Lodge, não conhecia, mas cá fica a sugestão. É que eu adoro também humor britânico :)

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  7. Tenho visto este livro em algumas feiras do livro e a preço acessíveis e sempre compro não compro, não compro também não posso ler tudo, mas se calhar na próxima será mais um.

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  8. Já li, li quase todos. Julgo que comecei pela Troca
    Acho que o último que li foi Autor, autor. Depois desse não li mais nenhum, saiu mais algum?
    Comecei a achar que era algo repetitivo. A Troca e MéP é semelhante. Não gostei de um do exercito. Este Terapia é hilariante.

    Falar aqui de David Lodge. O mundo é pequeno. :).

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  9. Ao contrário da generalidade dos comentadores, tenho uma enorme desconfiança em relação a todo o tipo de terapias psíquicas...
    Quando penso em verdadeira terapia mental, é na experiência da arte que estou a pensar; e em particular nos livros [de literatura verdadeira, e não de auto-ajuda ou coisa que o valha].
    O "senão" é que na literatura há tanto a Luz como o Escuro.
    E também se fica doente de ler.

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  10. Joao Tomas Castro e Melo18 de novembro de 2010 às 15:15

    A diferença ente o Lodge e o Woody Allen, é que o último não consegue descolar da depressão eterna que o cobre. Terapia não me surge como um livro que pudesse ter sido escrito por W.Allen.

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