Cruzes credo

Quando estava na Temas e Debates, logo no início, publiquei na colecção de romances estrangeiros uma fábula que podia ser lida por jovens e adultos com a mesma facilidade e o mesmo interesse. Passava-se num reino imaginário e altamente democrático (utópico, bem vistas as coisas) em que era decidido organizar um torneio de religiões para escolher a que melhor podia servir aquele território. Os participantes eram todos altos representantes do judaísmo, do cristianismo, do islão, do budismo, do hinduísmo e, se a memória me não falha, também um ateu. Tinham de apresentar as grandes vantagens da sua religião em relação a todas as outras e ser confrontados com acusações dos seus concorrentes ou rivais. Intitulava-se O Rei, o Sábio e o Bobo, assinava-o Shafique Keshavjee – um especialista em questões interconfessionais – e dava, em duzentas páginas, informações de base (crenças, livros sagrados, rituais, etc.) sobre as principais religiões do mundo embrulhadas numa história que incluía atentados, raptos e outras peripécias. Narrado como o relato de um concurso, era de leitura fácil e aliciante, ideal para quem quer aprender o que não sabe e só gosta de falar de determinados assuntos com conhecimento de causa. Não digo, como é óbvio, quem ganhava o torneio – estragaria por certo o prazer a quem o quiser ler.

Comentários

  1. E ao fim e ao resto se "ganhasse" o ecumenismo andaríamos, quiçá, tão mais felizes...

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  2. Livros que elucidam sobre as religiões, ainda por cima agradáveis de ler, são bem precisos!

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  3. Na mesma senda de conteúdo sugiro Religião e Diálogo Inter-Religioso, de Anselmo Borges, editado pela Imprensa da Universidade de Coimbra (IUC) há dois meses e que responde a questões como, o que é uma religião e de onde vem? Porque há muitas religiões? Podemos ser religiosos e ateus em simultâneo? Além disso aborda questões actuais como o lugar da religião nas escolas, passando pelas ligações à violência.
    A IUC divulgou o livro dizendo “As sociedades são cada vez mais multiculturais e multi-religiosas. Tornou-se claro, como há anos vem proclamando Hans Küng, que não haverá paz no mundo sem paz religiosa. Mas não pode haver paz entre as religiões sem diálogo inter-religioso e uma ética mundial.”

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  4. Quando comecei a ler o post pensei que o livro se chamasse "O Ópio do Povo"...

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