Terra Santa

Quando hoje se fala na nova literatura portuguesa, os nomes que vêm à baila são quase sempre os mesmos: José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, valter hugo mãe, João Tordo. Tive a felicidade de poder dar à estampa os romances de estreia de três deles, mas, naturalmente, não deixo de considerar um escritor enorme o único que nunca publiquei: Gonçalo M. Tavares. O seu Jerusalém, que venceu vários prémios cá dentro e lá fora, é um romance absolutamente notável e único no panorama das letras portuguesas, tão próximo da tradição da Europa Central como Tordo está da anglo-saxónica. Enquanto o lia, tinha sempre um aperto no coração, como se soubesse que o mal estava à espreita e havia de se mostrar cedo ou tarde – um mal que era inevitável porque inscrito numa espécie de linhagem histórica que o determinava. As personagens – médicos, loucos, deficientes, traumatizados da guerra, prostitutas – ficam connosco muito para além de o livro fechado, mesmo que algumas delas tenham morrido nas suas páginas. E as ideias por detrás da história pareceram-me, por vezes, tão geniais e novas que, enfim, tive ainda mais pena de não ter sido eu a publicar este livro, mas muito feliz por ele existir.

Comentários

  1. Estou ansiosíssima pelo novo livro dele que vai sair na Porto editora! Dizem que é qualquer coisa

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  2. Eu que li José Luís Peixoto e valter hugo mãe antes dos prémios literários, só posso agradecer-lhes por escreverem e à Maria do Rosário Pedreira por confiar no talento dos jovens. e já agora quando publica a Maria do Rosário novo livro de poesia? obrigado!

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  3. Joao Tomas Castro e Melo18 de outubro de 2010 às 14:13

    E já agora, o que dizer do Jacinto Lucas Pires? Outro autor, que me parece francamente bom, é Frederico Lourenço, mas dá-me ideia que este nunca entrou no mainstream ... :)

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