Livro, que livro?

Andava atarefada, sempre à procura de bocadinhos livres para me agarrar às capas de um determinado livro, quando o Manel me perguntou que andava eu a ler com tamanha sofreguidão. Respondi-lhe que andava a ler o Livro, mas ele não percebeu imediatamente. E, quando deixei o exemplar num sítio qualquer da casa e não o encontrava, perguntei-lhe se ele por acaso tinha visto o meu livro e ele perguntou outra vez de que livro se tratava. Respondi: o Livro. Ficou confuso, mas, finalmente,  lá se fez luz. Este título de José Luís Peixoto presta-se a confusões e tem, realmente, muito que se lhe diga. O Livro também – e com ele passei muitas horas extraordinárias nos últimos tempos. Quando estava a chegar ao fim, até veio aquela tristeza que temos quando nos separamos de alguém que amamos. A primeira parte é absolutamente magnífica, com muitas passagens e personagens que me recordaram Nenhum Olhar, mas com uma leveza nova e até alguns apontamentos de humor (um surdo que «se descuida» diante de toda a gente porque não ouve os próprios puns, por exemplo). A segunda parte – de que a crítica gostou menos – é uma forma de o autor ser moderno, para não ser apenas clássico. Não tenho nada contra nem acho de forma alguma que esteja a mais, até porque tem dados importantes sobre o desfecho da história do Ilídio, da Adelaide e de outras pessoas. Como eu supunha, é mesmo um senhor livro.

Comentários

  1. Já andava com vontade de o comprar e agora fiquei mesmo decidida! Nos tempos em que ando a ler os livros do José Luís Peixoto as personagens acompanham-me e também me custa deixá-las no final. Gosto de todo aquele ambiente tão real (de raízes rurais, será?) misturado com momentos «surreais» ou mesmo mágicos. Foi assim com o Nenhum Olhar, mas também com o Cemitério de Pianos. E será assim com o Livro? Assim espero.

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  2. Comecei ontem à noite a ler o Livro, mesmo antes de me deitar, já cheia de sono. Quando dei por mim, já ia na página 50...

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  3. JLP, já li 2 livros e a crónica da visão.
    Vou tatuar o braço para não ser incomodada por arrumadores :).

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  4. Para saborear devagar e para voltar atrás e reler algumas frases lindíssimas...a minha opinião em:
    http://otempoentreosmeuslivros.blogspot.com/2010/10/livro.html
    Boas leituras!

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  5. Já li o Livro. Apesar das minhas expectativas, não achei o Livro tão cativante, como o nenhum olhar, ou o soberbo cemitério de pianos.

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