Simpatias

Nem sempre fiz exactamente o que gostava de fazer e nunca trabalhei nas editoras que eram os meus modelos antes de me iniciar no mundo editorial. Vinha de Letras e comecei a actividade numa editora conhecida e reconhecida justamente pela publicação de obras de divulgação científica e, embora tivesse adorado tudo o que lá aprendi (e foram nove anos), achava, na época, que seria muito mais feliz numa Assírio & Alvim, que publicava quase todos os livros de poesia que eu comprava e logo devorava. Criamos naturalmente simpatias por algumas editoras e antipatia por outras; e, neste momento, quero dizer que sinto uma grande simpatia-empatia pela Tinta-da-China, que não só faz livros bons, mas fá-los bonitos. Já tive ocasião, há mais de um ano, de ir a um programa de televisão elogiar a colecção de viagens dirigida pelo grande jornalista Carlos Vaz Marques. E, apesar de nessa altura ela só contar dois ou três títulos, a verdade é que não perdeu o pé e soube enriquecer-se com variedade e qualidade sempre que pôs nos escaparates um novo livro. Infelizmente, não consegui lê-los a todos e, dos lidos, continuo a preferir Na Pérsia, de Anne-Marie Schwarzenbach – viagem pela Pérsia que é também viagem interior belíssima e triste. Recentemente, porém, o Manel comprou (e está a ler) o Na Síria, de Agatha Christie, sobre o qual não escondo a minha grande curiosidade. Mas há que saber esperar, como noutras coisas da vida.

Comentários

  1. É bonito (mas raro, se não me engano), uma editora dizer bem da concorrência. E é perfeitamente merecido.

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  2. Ó diacho... Eu pensava que tinha todos os livros da tia Agatha...

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  3. Acompanho o trabalho da Tinta-da-China desde o seu início, uma vez que uma das suas fundadoras (e, á época, sócia) tinha sido minha colega na Texto. Admiro a capacidade de selecção de autores e de obras, mantendo uma coerência fora do vulgar e que veio preencher uma lacuna no nosso mercado editorial.

    Os primeiros livros que li foram "O pequeno livro do grande terramoto" e "O arquitecto" (uma entrevista fictícia a Minoru Yamasaki, o arquitecto de obras como as Torres Gémeas e o complexo Pruitt-Igoe, ambas ironicamente destruídas por motivos diferentes), ambos de Rui Tavares. E a maioria dos lançamentos continuam a surpreender-me.

    Desta colecção de viagens ainda só li "O caderno afegão" e já tenho "Na Índia" para daqui a uns dias. São um prazer, pelo conteúdo e pela forma: belas capas duras, guardas coloridas, um papel suave ao toque e a inultrapassável fitinha de seda para marcar as páginas... Boa escolha.

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  4. Olá,

    Antes de mais parabéns pelas "postas" que são sempre agradáveis de ler!

    Da colecção que refere, li este ano o livro "Disse-me um adivinho" de Tiziano Terzani da editora Tinta da China. Um livro escrito por um jornalista a documentar a sua aventura de um ano pelo continente asiático. Principalmente para quem gosta da Ásia, que é o meu caso, a visão de Tiziano é muito interessante de ler e deixa-nos até saudosistas da Ásia dos anos 70 e 80 mesmo não a tendo conhecido! Gostei de conhecer Terzani por este livro!

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  5. Até das capas eu gosto! Atirei agora a mão ao da Fernanda Câncio, "Até não perceber", só para escrever o comment e lembrar-me do toque do papel da capa. Estranhas as percepções que os livros nos dão...

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  6. Apetece-me virar o foco para a Ahab, a pequena editora mais corajosa que está no mercado e nos está a trazer inéditos de décadas, como o já aqui falados Askildsen. Viva a Ahab:). E tenho uma fé, uma secreta fé, que o maior grupo português, a Leya, agora casa da Rosário, saiba estimar a excelência dos pequenos. Se pensarem bem, terem ido buscar a Rosário foi um excelente sinal:).

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