Pela boca morre o peixe
Tive o prazer, enquanto editora, de inaugurar o Fórum da FNAC Chiado com um lançamento. E nunca vi tantas cabeças voltarem-se quando, pouco antes do evento, a autora do romance quis ir à casa de banho e atravessou os antigos Armazéns do Chiado perseguida por um sem-número de olhares gulosos. Tinha quase um metro e oitenta, era bonita, chique e – pasme-se – de grande timidez e simplicidade. Chamava-se Carmen Posadas, ficara viúva havia menos de duas semanas e disse-me algum tempo depois que a viagem a Portugal fizera milagres pela sua disposição. Pela nossa boa-disposição fez também milagres o seu romance – Pequenas Infâmias – que era o segundo que escrevia e arrebatara naquele mesmo ano o Prémio Planeta. Tudo começa com um cozinheiro guloso, que não resiste a meter-se ao fim da noite na sua arca frigorífica para provar as magníficas trufas de chocolate que confeccionou umas horas antes e, zás, é lá encontrado enregelado e hirto na manhã seguinte. Quem matou o simpático chef e porquê? Pois bem, para isso será preciso ler este romance divertido, cheio de personagens deliciosas, onde – como em qualquer cozinha que se preze – também não faltam baratas, o que, em literatura, nem incomoda assim tanto.
E por causa das Pequenas Infâmias da Carmen Posadas um delicioso livro de contos que traduzi, da autoria do Panos Karnezis - Little Infamies - acabou em Pequenas Grandes Infâmias, por decisão do editor (como é normal).
ResponderEliminarQuanto a escritores (ou advogados), e as idas ao WC, isso é mesmo assim para quem faz como deve ser e bebe muita água. Um dia conto as aventuras de um causídico aflito em Tribunal.
ResponderEliminarTerá pertinência deixar aqui ligações para a entrevista da Carmen ao Carlos Vaz Marques (a mais recente):
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=889169
Gostei muito da entrevista que ela deu há tempos ao Carlos Vaz Marques. Também podia dizer que nesse momento faltou imagem à rádio, mas a entrevista valeu por si só.
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