Para cima ou para baixo?
Há uns anos, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros enviou uma circular que traduzia uma qualquer directiva, se não me engano, da União Europeia, segundo a qual os editores portugueses deveriam, a partir de então, escrever os títulos e autores nas lombadas dos livros de forma que se lessem de cima para baixo. Deste modo – que os ingleses já praticavam há anos –, um livro pousado numa mesa com a capa para cima teria o texto da lombada na posição correcta, e não, como antes acontecia, de pernas para o ar. Ainda hoje deixo passar este «erro», e é a Madalena, que trabalha comigo, quem dá por ele e me avisa (os designers das capas também o deixam passar frequentemente). No entanto, um destes dias, à procura de um livro de determinado autor na estante, verifiquei que, para as lombadas se poderem ler todas na mesma direcção, muitos dos volumes estavam, literalmente, de costas para mim… Além disso, como pessoa baixa que sou, habituei-me a ler de baixo para cima. Porque é que não deixaram as coisas como estavam?
Já que é uma questão de opinião ou preferência — mas sempre pensei que existisse uma norma portuguesa que, à semelhança da francesa, mandasse fazer ao contrário dos ingleses (não para ser ao contrário, mas para ser melhor) —, quer-me parecer que os livros passam a maior parte do tempo nas estantes, e que, naturalmente, aí se lerão da esquerda para a direita...
ResponderEliminarDe resto, se o livro já tem a capa virada para cima, ninguém precisa de fazer o pino para lhe ler o título.
(De facto, para quê mudar o que está bem?)
Já não deve faltar muito para que a União Europeia imponha uma medida padrão para os livros (dois formatos: bolso e capa dura) e um número padrão para o número de páginas: auto-ajuda - 120 a 160 páginas; ensaio - 180 a 200 páginas (para se adequar à bolonhização do ensino superior); romance "light" - 200 a 220 páginas; romance "hard" (a Literatura dos Consagrados) - 220 a 340 páginas (secção "Um burro carregado de livros é um doutor"); romance com um mínimo de qualidade para as pessoas se entreterem - 220 a 250 páginas; contos - 100 a 140 páginas; novela - 60 a 80 páginas; confissões - 120 a 180 páginas (porno) e 150 a 200 (judiciárias).
ResponderEliminarComo (não) se diz em facebookês: like.
EliminarEssa União Europeia é mesmo megera. Vejam lá para o que lhe havia de dar: criar uma directiva que obriga as editoras a imprimir os livros da direita para a esquerda e de cima para baixo! Porque é disso que se trata. Um título impresso na lombada de baixo para cima lê-se da direita para a esquerda e do fim para o princípio e, quando está pousado numa mesa ou numa prateleira com a capa para cima (sacrilégio!), de pernas para o ar. Por favor, UE, não atente mais contra as nossas liberdades fundamentais! Não queira impor-nos normas de bom senso!
ResponderEliminarEngraçado, para mim o sentido natural da leitura de uma lombada também seria de baixo para cima, inclinando a cabeça para a esquerda. E só depois de começar a fazer livros, e de me ensinarem o «truque» do livro pousado numa mesa ou numa prateleira, é que percebi a lógica...
ResponderEliminarNão és assim tão baixa, caramba. E mais: o pessoal exagerado em relação à média de alturas portuguesa (eu tenho a sê-lo um bocadinho, mas o problema é meu), tem graves dificuldades em ler lombadas em armários que vão até ao chão. De resto, todos vós, ó apaixonados dos livros, devem estar habituados a "dizer que não" nas livrarias, que é como quem diz, a ler lombadas ora com a cabeça inclinada para esquerda, ora para a direita. Eu digo que é coisa que me importa pouco, porque até se vai fazendo exercício. Bem vai a Tinta da China, que tem editado alguns (quase) sem lombada.
ResponderEliminar"Todos vós, ó apaixonados dos livros, devem estar habituados? Mas que concordância peregrina!
EliminarRespondi no lugar errado. Acrescento ao que deixei escrito abaixo a hipótese "todos devem", sem "vós".
EliminarComo eu a compreendo!
ResponderEliminarTenho passado os anos a pensar que sou maníaca da ordem, sempre a pôr livros de cabeça para baixo no meio dos colegas de prateleira...
Afinal não sou a única!
Parabéns pelo blog, que sigo diariamente.
Olho aqui em redor para as prateleiras da biblioteca cá de casa e vejo todo o tipo de lombadas em todas as direcções e com os letterings virados para a esquerda ou para a direita, lombadas a ler de cima para baixo e de baixo para cima, uns livros de pernas para o ar, outros mais compostinhos. Os alemães lêem-se a contramão dos ingleses, os portugueses depende e, no meio da confusão, palpita-me que esta coisa das directrizes ou directivas comunitárias (ou o que quer que sejam nesta língua) são umas coisas "fixes" para se ignorarem.
ResponderEliminarAh, aqui do cimo de 1,82m (e benza-m'os saltos) também prefiro ler de baixo para cima. Raio de ideia!!
Tem razão, Francisco. Ou bem que tinha escolhido "vocês", cuja conjugação na terceira pessoa do plural está em uso há largos anos (embora não seja consentida pelas gramáticas que conheço), ou então teria ido pelo "deveis". Agradeço-lhe o apontamento. Oportunidade para estar atento e errar menos, porque errar, para mim, não é novidade. Erro muito. E estou sempre disponível para aprender com quem sabe.
ResponderEliminarNão tem que agradecer. Só retribuir, quando for caso disso.
EliminarE não é sempre preferível "tem de"?
EliminarNa verdade, não. Aqui «tem que» quer dizer «tem o que», pelo que está correcto. Mas «tem de» é preferível a «tem que» quando significa «deve». Desculpem meter-me nesta questão.
EliminarNem sempre. Sim quando "ter de" é sinónimo de "dever", "precisar de", "ter necessidade de". Não quando, como no caso, se pretende dizer "não ter (nada) que (ou para, ou por que)" agradecer. Não foi minha intenção dispensar um agradecimento que achava ser-me devido, mas sim salientar que o meu comentário não justificava qualquer agradecimento da parte do cordato e amável autor do texto comentado. Espero ter sido claro.
EliminarMas para isso escreveria "não tem o que agradecer".
EliminarTrabalho em uma editora e pode-se dizer que, todos os dias, existe uma nova norma. Na verdade, creio que o mundo editorial nunca está satisfeito com o trabalho, o que acho uma boa. É bom pensar que, mesmo com tudo já encaminhado, temos que mudar quase tudo de lugar, embora às vezes nem sempre existe uma sincronia com as normas.
ResponderEliminarMarcos
Desculpe a minha curiosidade, mas gostava de saber o que faz na editora em que trabalha.
EliminarBom, eu trabalho com tudo, da preparação de originais à revisão de provas, passando por alguns parcos trabalhos de tradução e formatação. Mas, agora, gostaria de saber um pouco mais sobre sua curiosidade, se me permite.
Eliminar1. Oh, parece que a norma do IPQ existe (NP 3193:1987) — mas sempre pensei que fosse ao contrário. Não era?
ResponderEliminar2. Em todo o caso, é uma norma voluntária, não há multas nem nada que se pareça para seja quem for que entender — e bem — não seguir a directiva.
3. De resto, não passou pela cabeça do designer (inglês?) que produziu o novo logo do Público escrever lá dentro do pêzinho a palavra completa de cima para baixo, pois não?
4. Bem fizeram se calhar os Booktailors quando, no livro de José Afonso Furtado que editaram, quiseram agradar a gregos e troianos, pondo o nome do autor para um lado, em baixo (à francesa, no sentido ascendente), e o título do livro para o outro, em cima (à inglesa, no sentido descendente).
Olá!
ResponderEliminarEu prefiro o modelo de lombada europeu, e nem preciso inclinar a cabeça para o lado esquerdo. Estou elaborando um projeto de pesquisa que prioriza esse modelo e espero ser adota nas bibliotecas públicas no Brasil. Pois do jeito que está - usam os dois modelos (se orientam pela frente da capa), dificulta a busca para o leitor.
Estou pesquisando literatura que trate especificamente da posição dos livros nas prateleiras. Se puderem indicar, agradeço.
Atenciosamente,
Ronilce de Sá.
Creio que é bastante simples-
ResponderEliminarNós portugueses, europeus, lemos da esquerda para a direita, contráriamente aos judeus que leêm da direita para a esquerda (não sei quem é que lê correctamente...)
Lógicamente, se lemos da direita para a esquerda, também vamos seguir essa orientação na prateleira.
Mas estas coisas não importando , importam a quem tem alguns livros que fica com as capas dos livros virada ao contrário.
mas já se sabe os judeus caprichosos gostam de ter e ocultar estas pequenas coisas para ter a sua ordem vigente mesmo que não seja visivel á primeira vista.
E não, não sou anti-semita, talvez anti sionista... mas que sei eu?... bom uma coisa eu sei aqui em portugal lemos da esquerda para a direita.