Já falta pouco

Miguel Real é o autor que há mais tempo me acompanha, pois, nas minhas mudanças de uma editora para outra, fui perdendo alguns autores pelo caminho – com grande pena minha, evidentemente; não só porque gosto deles como pessoas, mas porque, tendo feito a parte mais difícil em termos profissionais, que foi lançá-los como escritores quando ninguém sabia quem eram, me custou que fossem outros a aproveitar-se do seu sucesso. Miguel Real, porém, encontra-se entre aqueles que ficaram comigo e conta com a minha gratidão eterna. O seu próximo livro – As Memórias Secretas da Rainha D. Amélia – está quase a sair (julgo que as livrarias o terão no dia 27) e, embora não traia o título e inclua mesmo as memórias da mulher de D. Carlos (fictícias, evidentemente), tem uma descrição do 25 de Abril que é dos capítulos mais fortes e surpreendentes da literatura portuguesa. Intitula-se «Um Rasgão no Tempo» e quem passou pela revolução não pode ficar indiferente (nem deixar de entender com a própria carne) esta descrição-consequência dos factos ocorridos naquele dia, numa espécie de enumeração interminável de altos e baixos entrançados de forma belíssima. Este episódio é, de resto, o ponto partida para a descoberta de um manuscrito com as memórias da rainha – «a francesa», como os Portugueses lhe chamavam – mas pode ser lido de forma independente pela sua intensidade.


 


Comentários

  1. Há muito tempo tento ficar bem ligado na produção literária Portuguesa, mas, de fato, é muito difícil termos acesso, no Brasil, às obras. Assim, quando postei em meu perfil do orkut "Quando eu morrer, não digas a ninguém que foi por ti." e que ainda hoje continua, uns dos maiores escritores de lá disse: "Marcos, de quem é aquele texto, é o mais lindo que já li!". João Gilberto Noll , havia dito isso para mim e pensei: "como uma língua só pode estar tão distante entre os seus falantes e escritores?" É uma pena ficar com água na boca por mais uma produção que não vamos poder ler até que alguém a importe ou que tenha culhões para fazer uma edição no Brasil.
    Leio sempre o seu blog, porque amo o seu trabalho e porque amo a literatura portuguesa, e, embora nunca tenha me pronunciado, acho que precisava desse desabafo.

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    1. Caríssimo, muito obrigada pelas suas palavras. Terei o maior gosto em enviar-lhe o livro, desde que me dê um endereço. Mas tem razão, as nossas literaturas andam de costas voltadas quas sempre...

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    2. Fico muito agradecido pela sua resposta e também por se prontificar em me enviar uma cópia do livro. Fico mesmo muito feliz. Se não for pedir muito, peço o e-mail que, assim, posso lhe enviar meu endereço. Fico mesmo sem palavras por sua ação e digo apenas obrigado, pois mão sei o que dizer.
      Abraços fortes
      Marcos

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  2. ... só para dizer que partilho da opinião de marcos faria, e que "quando eu morrer..." é um dos poemas da minha vida.
    tanto que também o inclui aqui:
    http://serportuguesserportugues.blogspot.com/2010/08/62.html
    (e em quantos mais blogs estará?)

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    1. Marcos,

      Verá como é bela a literatura do Miguel Real. Bela. Surpreendente.

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