Gaffes

Quase toda a gente conhece a gaffe de Santana Lopes (ou do seu assessor) ao pedir que agradecessem a Machado de Assis a oferta de um exemplar do Dom Casmurro (um romance delicioso) que lhe tinham enviado. Mas não é a única. Sei de várias histórias em que jornalistas pediram entrevistas a escritores mortos – e alguns destes jornalistas não eram estagiários, mas pessoas conhecidas e reputadas, que assinavam crónicas em jornais diários e apresentavam programas na televisão. Das que ouvi não posso jurar se são ou não verdadeiras; mas nunca me esquecerei de, no ano em que Portugal foi país convidado da Feira de Frankfurt, uma senhora alemã ter pedido uma entrevista com António Vieira. Pensámos que se tratava do etólogo e psiquiatra António Bracinha Vieira, que também é ficcionista. Mas não: a senhora queria mesmo encontrar-se com o defunto autor dos Sermões e outra obra vasta e maravilhosa. Como não organizávamos sessões espíritas, não foi possível…

Comentários

  1. "Sei de várias histórias em que jornalistas pediram entrevistas a escritores mortos – e alguns destes jornalistas não eram estagiários, mas pessoas conhecidas e reputadas, que assinavam crónicas em jornais diários e apresentavam programas na televisão."
    Desculpe, Maria do Rosário, mas não se esqueceu de acrescentar "(...)e escrevem livros que são publicados por uma prestigiada editora e se vendem às centenas de milhares"?

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  2. É de morte.
    Perdoe-me a evidência, mas é o que me ocorre dizer.

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  3. ocorre-me que talvez a senhora alemã pudesse ser uma corvina ou uma dourada, ou até mesmo uma vulgar faneca, e tivesse ouvido dizer que o senhor vieira gostava de falar aos peixes...

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  4. Caso surja um novo pedido, posso informar que a minha vizinha do 3.º esquerdo tem lá na terra um Padre António Vieira. Julgo que ele não se importa de dar uma perninha (salvo seja).
    Ah e se for preciso um Luís de Camões também se arranja.
    Afinal de contas, quem faz esses pedidos não conhece os autores, logo...

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