Em branco

O Prémio Literário José Saramago – não há como negar – tem uma grande influência no sucesso e na divulgação dos escritores que o recebem. Como publiquei José Luís Peixoto, valter hugo mãe e João Tordo, consigo avaliar a diferença – pelas vendas e pela atenção do público e dos meios de comunicação – entre o antes e o depois da atribuição do prémio. Contudo, da única vez que o galardão foi dado a um escritor estrangeiro (no caso, a escritora brasileira Adriana Lisboa), não teve exactamente as mesmas repercussões. O romance premiado, Sinfonia em Branco, era maduro e belíssimo – a história de duas irmãs e da relação de ambas entre si e com um pai abusador –, mas não vendeu mais do que qualquer romance não premiado. Publiquei, ainda na Temas e Debates, a obra seguinte de Adriana Lisboa, cujo título remetia para um verso de Manuel Bandeira – Um Beijo de Colombina – e esse, então, quase passou em branco, o que foi apenas mais uma injustiça. E a Quetzal editou não há muito o seu terceiro título – Rakushisha –, que não li, mas espero que dê à autora o reconhecimento que merece. Se nunca pôs os olhos num livro de Adriana Lisboa, não continue em branco.

Comentários

  1. Querida Rosário, urge ocupar o espaço da parvoeira nacional (que não, não é só no Verão) com livros e escritores, nem que seja preciso criar razões para tal. É uma espécie de guerra santa. Os jornalistas já não saem em reportagem, e jornalistas culturais é contá-los pelos dedos. Um destes dias falavas de um livro de "factos diversos" (fica tão bem assim, não fica?:) de grandes escritores, e a verdade é que qualquer escritor os tem, bem mais interessantes que os amuos dos governantes uns com os outros. O povo também está farto de que o tratem como estúpido, e lhe digam que não pode ver mais nada às nove da noite que não novelas (que, aliás, poderiam ser um excelente veículo dos livros, caso se adaptassem mais argumentos neste país). Os americanos não são mais cultos do que nós, e conseguem consumir qualidade em horário nobre. Ou seja, urge repristinar a popularidade da cultura. Veja-se o recente caso do Tordo, que aparece em todo o lado. Eu pergunto: porquê? Adianto parte da resposta: alguém anda a trabalhar bem:).

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    1. Acho interessante essa sua ideia de que as novelas poderiam ser um excelente veículo dos livros. Também não tenho problemas quanto a isso. Se realmente houvesse mais adaptações de argumentos de obras-primas e outras de qualidade literária, mesmo que essas adaptações fossem feitas ao nível de novela, eram bem-vindas, se levassem as pessoas a ler os livros.

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    2. Olá, Kássia. Cfr Equador, e o que vendeu, mesmo depois de já ter vendido bem. E vai certamente ver-se, por exemplo, com os "Mistérios de Lisboa", do Camilo, que eu tenho lá por casa numa edição de bolso da Europa América. Aliás, embora eu seja um bocado avesso a barrigadas de adaptações (gosto de estimular a produção nova e histórias novas, e não sou dos que acredito que está tudo contado, simplesmente porque a forma de o contar pode ser mais decisiva que o que é contado), de uma coisa tenho a certeza: mais vale adaptações - até de obras modernas - do que argumentos pobrezinhos e sem novidade.

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    3. "alguém anda a trabalhar bem"

      "Alguém" (a Laya) anda a por muito dinheiro nesse cavalo, e como normalmente acontece com cavalos alvos de altas apostas por cá, "alguém" vai ter um bom retorno.

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    4. À "laya" de réplica, e porque nunca deixo os meus interlocutores a falar sozinhos, mesmo os anónimos, digo-lhe que estou convicto de que o retorno não é assim tanto, em Portugal, se exceptuarmos um ou dois escritores. E a maior parte da "sorte dos que começam a ter boas vendas" contém (muito) trabalho e (muito) suor e (muito) investimento de editores, publicadores e livreiros. O caso específico do João Tordo, com este livro, dá-me uma alegria enorme. Fosse assim com muitos mais. Abraço.

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    5. Sim, penso, pelo que tenho ouvido (estou fora do país) que os "argumentos pobrezinhos e sem novidade" são um grande problema nas novelas e séries portuguesas. Também acho que é bom "estimular a produção nova e histórias novas" (a própria escrita exclusivamente para televisão e/ou cinema) mas uma coisa acabaria por levar à outra. Fazendo mais adaptações, desenvolver-se-ia a indústria cinematográfica, o que estimularia a produção nova.

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  2. E quanto ao vencedor da primeira edição, Paulo José Miranda? Também neste caso o prémio parece não ter tido a mesma repercussão que no caso dos outros quatro premiados... Porquê?

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    1. Ao que parece, Paulo José Miranda desapareceu de Portugal durante muito tempo (penso que foi viver para a Turquia e alguém me disse que hoje está no Brasil). Além dessa distância, também não publicou, que eu saiba, outro romance.

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  3. Há outros prémios, para além deste, extremamente discriminatório porque tem 35 anos como limite de idade. E há muitos autores, que não integrando o sistema nem sendo os meninos bonitos das editoras, labutam duro para que a sua escrita venha a merecer um lugar ao Sol, apesar de todas as contrariedades que tem de enfrentar.Como Ajax, querem vencer sem a ajuda da deusa Atena (porque com a ajuda da deusa qualquer um é grande) e, se necessário dor, contra a própria deusa. Parabéns a mim, que acabei de ganhar o Prémio Irene Lisboa, modalidade conto. Nem sabia onde fica Arruda dos Vinhos e não conhecia lá ninguém.

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  4. Não quererá a autora do blog falar um pouco sobre os prémios literários de cá? A situação parece-me um pouco pantanosa. Ou estarei enganado?

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  5. eu gostava apenas de comentar uma questão paralela ao post em si: o prémio José Saramago, que me parece injusto (suponho que tenha sido instituído por alguma fundação ligada a Saramago), pois o próprio Saramago, segundo sei, só começou a editar numa idade tardia, pelo que hipoteticamente nem poderia concorrer a um prémio destes e deveria entender as pessoas que, como ele, também só numa idade tardia decidem editar ou têm mais disponibilidade para a escrita. há outros prémios para jovens escritores, nomeadamente os anuais do Jovem Criador das Casas da Juventude e outros.

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  6. Olá!
    Cheira-me que se o autor fosse um dos seus filhos "queridos" a coisa teria passado impunemente. Quando os "grandes" escritores transgridem as regras da sua língua são criativos, mas se não forem grandes são irracionais, pois não seguem o que a razão lhes diz... Já agora, como diz o outro, valia a pena pensar nisto :-)

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    1. Joao Tomas Castro e Melo28 de setembro de 2010 às 15:43

      Enganei-me no post! O comentário que fiz era relativo ao seu último post, aquele que falava sobre a utilização da expressão " de que "....

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  7. parabéns a si, josé-catarino.

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