Letras e Números

Vim a Lisboa no meio de Agosto para acabar coisas urgentes e parto de novo dentro de dias para terminar as minhas férias de Verão. Férias, para quem trabalha fundamentalmente a ler, talvez devesse querer dizer descansar da leitura. Porém, nada mais falso. Além dos jornais diários – mais folheados do que lidos, é certo (até porque na silly season, descontando os incêndios e as intrigas à volta de uma mulher morta no Brasil, os jornais não trazem nada que se leia) – reparei, no regresso, que tinha lido mais de mil páginas. E nem se pense que deixei de apanhar sol, tomar banhos de piscina, passear ou faltar a encontros com amigos por causa disso. Se considerarmos as estatísticas, a média é seguramente muito boa, mas a verdade é que não estou satisfeita. E porquê? Ora, porque foram apenas três romances (um ainda não publicado) e há tantos outros na fila, aguardando, que não sei quando poderei ler... Em todo o caso, isto fez-me pensar no número de livros que leio anualmente e que, entre originais e obras editadas, devem somar milhares de páginas. Será que desequilibro as estatísticas da leitura ou, pelo contrário, ajudo a compô-las? No fim do mês, talvez já tenha resposta para isto (e, quem sabe, mais um romance lido).

Comentários

  1. Uma média invejável. Títulos que adivinham leituras deliciosas (e talvez dolorosas)...

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  2. ... invejável, sem dúvida, em particular para quem têm três filhos, passou por um processo em que o cérebro apagou imensas memórias e as personagens às vezes aparecem à procura do livro onde as conheci e, claro está, indignadas por não me lembrar... e a oportunidade de ler, novamente, livros que ocupam as prateleiras das estantes cá de casa... por outro lado há a oportunidade de uma segunda surpresa e este vício da leitura! Continuação de boas férias que sem leituras, sem livros, nunca foram férias.
    Isabel Mota

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  3. Desejo-lhe um resto de boas férias, Rosário.

    Nas minhas duas semanas de praia confesso que li pouco e dormi de mais. Fiquei enfastiada com as recentes cerca de mil páginas do 2666 do Bolaño (sobretudo as quinhentas do meio)...

    Fiz um «curso intensivo de jardinagem», andei »Em busca da felicidade», d'«A vida verdadeira» e li uns contos orientais da Yourcenar que, sem me apaixonar, me deram descanso nas horas de sono (porque há livros que nos tiram o sono e tenho saudades de ler um, sim, mas não pode ser nas férias com praia e piscina pelo meio, com duas ciranças pequenas por perto).

    E só não procurei as Horas Extraordinárias porque a 30 km de Portugal já não tinha Internet.
    Parece que já é vício!

    Beijinhos
    Anabela F

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  4. Para já vou nas 1000 páginas d'Os pilares da terra... :) Mas ainda falta uma semanita de férias, com Barcelona pelo meio... Indecisa se levo David Sedaris ou Paul Auster na mochila.

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  5. Ontem peguei em "Luz de Agosto" hoje antes do meio-dia já o tinha terminado. É assim que eu leio os livros quando posso (e mesmo qdo não posso) como se nada no mundo importasse excepto o livro. Em toda a minha vida só umas 4 x é que deixei momentaneamente de ter esta escapatoria absoluta na leitura. São momentos que espero não ver repetidos. São momentos de sofrimento desesperado.
    Não gostei deste seu post, e foi o primeiro que não gostei muito. Se amamos os livros lemos por ano milhares de páginas sem esforço, e sem orgulho, por necessidade.

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    1. Caríssima Henedina, percebo lindamente o que diz, mas não se trata de orgulho. É que há anos que as minhas férias eram sacudidas por provas de livros e outras obrigações e este ano, finalmente, consegui ler o que queria, mais nada. Foi tão surpreendente que tive vontade de partilhar. De qualquer modo, obrigada pela sua frontalidade e até breve.

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