Uma relíquia
Quando aqui fiz um post sobre dicionários e como eles me apaixonam, tive um número de comentários inesperadamente grande. Dando conta da minha paixão pelas palavras, encontrei muitos que, desse lado, queriam confessar-se afins e trazer o seu contributo. Quiçá para os compensar dessa generosidade, contarei hoje uma história cómica que tem que ver também com dicionários. Sou a mais nova de quatro irmãos e sempre me dei melhor com os meus irmãos do que com a minha irmã. Esta, mais velha quase cinco anos do que eu, dava-me beliscões, empurrões e outras carícias do tipo quando não estava ninguém a ver – mazelas das quais eu não me queixava imediatamente, mas apenas quando a minha mãe aparecia (e podia ser horas depois). Então, a minha irmã chamava-me normalmente queixinhas, mas um dia, sei lá porquê, chamou-me «bufa». E, embora isto se passasse no tempo dos bufos da PIDE, eu nunca ouvira a palavra e fui ao dicionário ver o que queria dizer. Deveria ter procurado, bem sei, o masculino «bufo», mas a verdade é que na altura ainda era uma amadora nestas coisas da língua. A definição que encontrei (acho que no Dicionário de Cândido de Figueiredo) ainda hoje nos faz rir a todos lá em casa quando nos lembramos dessa cena (pois tive de consultar os mais velhos para a perceber na sua plenitude): «Ventosidade que se escapa do ânus sem estrépito.» E ainda há gente que ache os dicionários um tédio…
Uma história semelhante também se passou comigo, no meu caso, porém, foi a dúvida sobre o que seria uma ópera bufa. Bendito dicionário...
ResponderEliminarMas, afinal, a diferença de sentido nem é assim tão grande, se quisermos olhar de um ponto de vista, digamos, simbólico...
ResponderEliminarQuanto mais longe olhamos a origem das palavras, mais irmandades encontramos entre elas e, para isso, os dicionários são uma boa janela.
E que impagável relíquia! Obrigada pelas extraordinárias gargalhadas (com muito estrépito)!
ResponderEliminarOlá Maria do Rosário
ResponderEliminarFantástica esta gargalhada pela manhã... refrescante neste dia quente. Curioso é que hoje, logo pela manhã fui à procura do post "Palavras, palavras, palavras", giras estas coincidências. A verdade é que queria fazer-lhe uma proposta... bem sei que não tenho intimidade consigo para a fazer mas... vou arriscar. Estou a organizar em minha casa uma festa, simples, mas muito importante e um dos grandes objectivos é reunir amigos e pessoas que fazem ou fizeram parte das nossas vidas num almoço. Será servido no jardim onde já moram algumas das nossas maiores paixões, as árvores! Vamos tentar reunir fundos que a Unicef Portugal encaminhará para o trabalho deles contra a malária que continua a matar imensas crianças no meu país de origem, S. Tomé. Bom, e às voltas com as minhas ideias pensei colocar em cada uma das dez mesas uma palavra, com o seu significado... lembrei-me logo de si e de lhe propor que pensasse em dez palavras, com os seus significados. O que acha? Tenho um blog cujo endereço é este:
http://gato-pintado.blogspot.com se tiver tempo passe por lá e se tiver disponibilidade para aceitar este desafio... agradeço, no entanto, desde já a sua atenção... e acima de tudo as suas partilhas. Muito obrigada, Isabel Mota
e a (des)propósito recebi hoje este mail que (também) me divertiu imenso:
ResponderEliminarNo popular se diz: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho
carpinteiro'
Correcto: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro'
Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.'
Enquanto o corretco é: ' Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.'
'Cor de burro quando foge.'
O corretco é:
'Corro de burro quando foge!'
Outro que no popular todo mundo erra:
'Quem tem boca vai a Roma.'
O correcto é:
'Quem tem boca vaia Roma.' (isso mesmo, do verbo vaiar).
Outro que todo mundo diz errado,
'Cuspido e escarrado' - quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa.
O correcto é:
'Esculpido em Carrara .' ( Carrara é um tipo de mármore)
Mais um famoso... 'Quem não tem cão, caça com gato.'
O correcto é:
'Quem não tem cão, caça como gato... (ou seja, sozinho!)'
A expressão "ter bicho-carpinteiro" é correctíssima (conforme dicionários da Academia das Ciências e Cândido de Figueiredo) e significa "não parar quieto". Aliás, o bicho-carpinteiro é o caruncho e também um tipo de escaravelho (que provavelmente não pára quieto!)
EliminarO verbo "esparramar" também lá está.
"corro de burro quando foge" não faz sentido: talvez se fosse "corro de burro quando fujo..."
as outras, confesso não fazer ideia... mas um erro comum é o "ovelha ranhosa" (portanto ovelha com ranho no focinho) em vez de "ovelha ronhosa" (ovelha que faz ronha)!!!