O eterno candidato

A Dom Quixote está a reeditar (com capas de que gosto muito) todos os livros de Philip Roth. Para mim, Roth é um dos eternos candidatos ao Nobel da Literatura que, se calhar, morrerá sem o ter. Merece-o, sem dúvida, embora haja também quem pense (Paul Auster, por exemplo) que Don DeLillo está antes dele na fila de escritores norte-americanos com capacidade de o arrecadar. Não li todos os livros de Roth (infelizmente, não chego para tudo), mas entre os que li aquele que até hoje mais me marcou foi A Mancha Humana (não por acaso «mancha» e «marca» são, de certa forma, sinónimos). Detesto histórias previsíveis, preferindo ser habilmente enganada pelos narradores (e/ou autores), e foi assim que me fui sentindo ao longo de toda a leitura por descobrir que o protagonista do romance era sempre contra uma coisa que ele próprio também era. Não posso ser mais clara, lamento; se contar, perde completamente a graça. Há que ler, este título ou qualquer dos outros – e esperar que dêem a Roth o maior prémio literário de todo o mundo antes que seja demasiado tarde.

Comentários

  1. Quando temos responsáveis da comissão Nobel a dizer que a literatura norte-americana é insular, (prova que a estupidez está equitativamente distribuída por todos) é bem possível que a justiça nunca seja feita.

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  2. Philip Roth ficará na lista dos que nunca receberam um Nobel?
    Talvez, mas essa lista é mais rica do que a lista dos que ganharam tal prémio.
    Horácio

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  3. E o Thomas Pynchon? O Against the Day é magnífico.

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    Respostas
    1. Seve disse...

      Que pena então não estar publicado em Portugal.....

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  4. Foi um enorme prazer ver que "A Mancha Humana" também é um dos seus livros mais marcantes (os do Roth). No meu caso também. O momento da "revelação" foi como entrar noutro livro, isto é, só me perguntava "mas então...?", "como é que?".

    (Esperemos que não apareça por aí alguém a revelar aquilo que não deve. Shsss)

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  5. Olá, Maria do Rosário:

    Escrevo do Brasil.
    É possível mandar os originais de meu livro para sua análise?
    Obrigado pela atenção

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  6. Li o "Todo o mundo", desfolhei outros que não me recordo dos títulos.

    As personagens principais, são sempre homens com crises de meia idade que paparicam mulheres com idade para serem filhas. Sinceramente não cativa, nem me surpreende.

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  7. ao terminar de ler o último de roth, "indignação", tive a impressão de o indignado era o próprio roth por não ter recebido ainda o nobel, prêmio citado aqui e ali no romance.

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  8. Já é para aí o 3º ano que espero que seja Roth e não é Roth (no último ano já não acreditava).
    Acho que a academia não lhe dá o prémio por uma razão que é, essa sim, tipicamente americana, o puritanismo.
    Julgo que é em Todo o Mundo (ou qualquer coisa a que associo a teatro?) que diz, ou dá a entender, que as heroínas de Roth só são generosas se engolirem o semen. E o sexo anal, que segundo um estudo já para aí com 30 anos era praticado pelas americanas em 40% torna-se uma pratica a 100%. Penso que a academia entre sexo oral e sexo anal terá ?medo? de sexualizar o prémio Nobel. Puritanismo e não falta de capacidade literária de desenhar caracteres e criar emoções.

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  9. Seve disse...

    MANCHA HUMANA ainda não li, mas será o próximo; INDIGNAÇÃO foi o que meia gostei.

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  10. Ando há tempos para escrever sobre ele no meu blogue... mas no fundo apenas para dizer como me sinto feliz por ter descoberto este escritor há pouco tempo e ainda ter tanto dele para ler...

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  11. Aqui há bom par de anos atrás em conversa com um amigo, cuja opinião sobre esta e outras matérias considero muito, sobre o panorama editorial, referi que tinha dado uma volta pela nossa livraria habitual e só tinha encontrado lixo, entre os quais, imagine-se, um que tinha o extraordinário título Casei com Comunista de um "tal" Philp Roth .
    De volta veio um olhar de desprezo que só podia significar um insulto grave.
    Retorqui timidamente "que é conheces".
    Lê o Teatro de Sabat " e depois a gente conversa.
    Li e depois li os outros todos.
    Roth ao Nobel JÁ!

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