O (des)gosto do belga

Há já alguns anos, a ASA publicou dois ou três livros de Hugo Claus – um dos maiores romancistas belgas (morreu em 2008, recorrendo à eutanásia) – que veio a Lisboa para o lançamento da tradução portuguesa de O Desgosto da Bélgica. Como os nossos jornalistas da área cultural não se interessavam especialmente pela literatura flamenga nem sabiam que o autor até já tinha sido indicado para o Nobel, foi difícil – para desgosto do belga – conseguir entrevistas junto da maioria das nossas publicações nessa sua passagem por Portugal. Contou-me o seu editor que, às tantas, já em desespero de causa, tentou convencer um jornalista com factos alheios à obra, confidenciando-lhe que Claus era um homem com uma vida invulgar e surpreendente, tendo inclusivamente vivido com – imagine-se! – Sylvia Kristel, a actriz do famoso filme erótico Emmanuelle. Pois bem, parece que o argumento dos gostos do belga em matéria de mulheres foi o que bastou para mudar o desinteresse em súbita curiosidade. A literatura ficou, pois claro, em segundo plano.

Comentários

  1. Sylvia Kristel?!?! quando ela fez o filme? qual o livro favorito dela?
    Quer dizer, o que eu queria perguntar era: "são apenas Rumores que dizem que O Desgosto da Bélgica leva-o a preferir A Caça aos Patos?"

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  2. À atenção dos editores, para promoção dos livros (e dos autores) - juntem aos "press releases" informações sobre gostos sexuais do/as autores/as, parceiros/as memoráveis, fantasias eróticas do/as autores/as, "maus hábitos" do/as autores/as, pratos e "pratos" preferidos, situações de embriaguês absolutamente embaraçosa memoráveis... pelo menos. Acredito que se começaria a falar mais de livros na comunicação social!
    Se não os consegues vencer, junta-te a eles - não é o que se costuma dizer?

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  3. sonia ferreira da silva27 de julho de 2010 às 09:08

    A literatura vem depois do sexo, isso já ficou claro há tempos...então todo escritor deveria se garantir, antes de publicar um livro e ir friamente de encontro a alguma celebridade, para garantir o plano B. É lamentável, mas é assifm que é.

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  4. Seve disse...

    Pusessem-lhe uns óculos escuros, uns phnes nos ouvidos e dissessem-lhes que era jogador de futebol....

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  5. Ainda que triste, mostra trabalho e esperteza do editor, e adaptação aos tempos, o que é bem melhor do que a atitude "prima-dona", que é a que têm muitos. Lutar sempre. Lutar até ao fim com as armas que se tem.
    PS: "on the side":)) - O caríssimo Severino levaria muito a mal se voltássemos a falar de estrangeirismos e/ou palavras estrangeiras?

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  6. Eu gosto de estrangeirismos quando preciso deles. Parece-me que há mais comentadores neste blog que esse senhor da linguagem...

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  7. Infelizmente, com algumas editoras, quando um jornalista, de um jornal mais pequeno, tenta fazer uma entrevista, a sério, tem de acender umas tantas velinhas. Continua a existir a firme convicção de que há uma proporcionalidade entre a dimensão do meio de comunicação e a capacidade dos seus jornalistas.

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