Não, obrigada
O Manel tem um e-book e, mesmo sabendo que ele não resiste a uma novidade tecnológica, na altura em que o comprou aplaudi bastante a decisão. Tendo em conta a quantidade de PDF que os editores recebem hoje do estrangeiro, substituindo livros tantas vezes grossíssimos cujo envio por correio seria manifestamente dispendioso (e o que se estraga em papel, que as mais das vezes acaba no lixo), achei que era mesmo melhor haver um e-book cá em casa, que nos permitisse ter lá dentro todos os livros que precisássemos de levar para qualquer lado sem danos para as nossas colunas vertebrais. Mas a verdade é que, para mim, o instrumento não serve. Se se tratar de um livro que tenho de apreciar para publicação, gosto de lhe escrever em cima, de corrigir os erros, de fazer comentários à margem, de colocar setas, de circular e ligar duas palavras repetidas no mesmo parágrafo, de remeter para outra página que me parece contradizer o que acabo de ler; além disso, volto sistematicamente atrás para comprovar que tenho razão ou concluir que, afinal, estou enganada; e, quando me lembro de uma passagem anterior, se tiver um exemplar em papel, sei sempre se ela está em página ímpar ou par, na primeira ou na segunda metade da página (todos os que lêem o sabem, creio eu). Mas, pior do isto, é não poder ter todas as páginas visíveis debaixo dos olhos. Num e-book, é como se a página fosse apenas uma, uma única página que leva uma eternidade a passar. Sem a minha caneta vermelha, a minha memória visual e os meus hábitos, levaria mais do dobro do tempo com cada livro. E-book? Para as crianças levarem para a escola com todos os livros escolares lá dentro, sim. Para mim: não, obrigada.
Olá, bom dia:). Sim, Rosário, tens toda a razão. E não tens. Porque o ebook é só mais um meio, não O meio. Embora o meu tenha avariado, percebi rapidamente para que me servia o bicho. Para pdfs curtos e para revisões digitais mais confortáveis. Ou seja, complementa o livro, não o substitui. E faz-me falta para isso. Para mim, pelo menos, a revisão dos livros tem de ser feita a três tempos: 1) em escrita, dezenas de vezes, e essa é no computador (o pior suporte possível); 2) A intermédia era feita em ebook , onde a abordagem já era diferente; 3) a final, sempre, mas sempre, em papel, apenas e só porque as palavras "soam" de outra forma, e porque se vê coisas invisíveis com a mediação de um vidro.
ResponderEliminarReflecti em tempo sobre tudo isto, de forma mais detalhada e prática, aqui:
http://ignorancia.blogspot.com/2009/11/tretas ebook -reader-um-mes-depois-tao.html
Ou seja, o ebook é só mais um e dá jeito, se dá.
Mas nunca substituirá totalmente o livro.
Concordo que é muito mais prático trabalhar em papel (fazer marcações, revisões, notas, etc.), mas até por questões económicas (e também ambientais) trabalhamos já muito sobre ficheiros digitais, sobretudo numa fase inicial.
ResponderEliminarComo leitora, não me imagino a prescindir de sentir o livro no seu suporte tradicional. Os e-books não têm cheiro, nem capas duras, nem badanas...
Os hábitos são o que são e não vou por isso contestar as suas preferências. Porém, parece-me incorrecto colocar os ebook readers na categoria das coisas "para as crianças levarem para a escola com todos os livros escolares lá dentro".
ResponderEliminarEm primeiro lugar, porque as áreas da edição onde os dito ebook readers têm tido maior sucesso são exactamente a ficção e os livros técnicos; em segundo, porque o tipo de paginação dos livors escolares não permite o repaginar que um livro de "texto corrido" possibilita. Acresce que uma parte dos ditos eleitores electrónicos não permite a reprodução de outras cores que não o preto (cinza) e isto é uma grande desvantagem.
Seja como for, gostemos ou não destes novos suportes, valorizemos ou não o "cheiro" e a "textura" dos livros impressos, o crescimento da impotância deste novo (?!) suporte é mais do que evidente. Isto implica pensar mais no que estes leitores pretendem e como experienciam a leitura do que naquilo que gostaríamos que se eternizasse. Um bom livro é um bom livro, independentemente do papel em que for impresso... e o mesmo é verdade numa versão/reprodução digital.
a primeira coisa que faço quando abro um livro é cheirá-lo. por vezes até consigo adivinhar a editora só pela mistura de odores papel-tinta-cola. como é que isso se faz com um e-book?
ResponderEliminarAcredito que, para quem tem que trabalhar com centenas ou mesmo milhares de manuscritos por ano, o formato tradicional de papel seja o mais adequado. Pelas mesmíssimas razões que Mª do Rosário Pedreira apresenta! Mas temos que dar a mão à palmatória. Com os ebook readers a leitura chega muito mais facilmente às nossas mãos e podemos levar os livros que quisermos em viagem, dentro de um dispositivo de formato pocket, por exemplo...
ResponderEliminarLeio muito e mais actualmente pelos dois caminhos: tenho livros de papel na mesa de cabeceira mas também lá tenho o meu velhinho Palm que, para já, vai dando para os gastos... Uma coisa é certa, quase a totalidade dos ebooks que tenho no Palm são "sacados", ou seja, não tive de pagar nada para lhes ter acesso! Mas isso já é outra estória, uma daquelas que ainda vai dar muito que falar...
Bom, concluo dizendo que, pessoalmente, prefiro o livro na sua forma pura, em papel. Como muitos outros leitores, adoro apreciar o seu cheiro e o toque das folhas nas minhas mãos. Também gosto do barulho do "virar de página"...E pelo que sei já existe um ebook reader que imita isso quase na "perfeição"!!! Impossível!
Livro é livro e vamos continuar a amá-lo, mas vamos cada vez mais usar as novas tecnologias para obter conhecimento/entretenimento, através de ebooks e afins.
Eu também, livros só em papel. E documentos para corrigir e rever, nomeadamente em versões quase-finais, também têm de ser desfolhados em papel.
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