Macho latino

Li no ano passado, durante as férias (que é normalmente quando consigo ler livros de outras editoras), A Arte de Amar, de Ovídio. Bem sei que, segundo os parâmetros dos nossos meios de comunicação, este não é exactamente um livro para as férias; mas, se me custa ver o tempo avançar sem ter lido isto ou aquilo, pois a verdade é que, quanto mais antigo é o livro, mais me sinto compungida a colmatar a lacuna. Assim sendo, li Ovídio debaixo do chapéu-de-sol, humedecendo de vez em quando as páginas com pingos de água que me escorriam dos cabelos, zangando-me com o vento que embaraçava as folhas, entre banhos de mar e de piscina – e concluí que é um título para todas as estações. Independentemente da vénia devida ao poeta (nem está em causa não a fazer – e quase beijo o chão), diverti-me imenso com os seus conselhos aos leitores masculinos sobre as armadilhas em que podem cair quando seduzidos por esses seres falsos, malignos e interesseiros que são as mulheres. (Hoje, Ovídio estaria em todos os telejornais a explicar-se sobre certas afirmações sexistas que faz, não duvido.) Talvez seja daqui que veio a expressão «macho latino»…

Comentários

  1. Um excelente livro! Também o li nas férias de Verão, na praia... é sempre a altura que tenho mais tempo para ler, nomeadamente os clássicos, para os quais não tenho tempo para me dedicar durante o resto do ano. Para este Verão vou ler "Os idiotas" de Dostoievski :)

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    1. Correcção ao comentário anterior: o livro chama-se "O idiota", claro...

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  3. Li recentemente, porque desconhecia Stendhal na versão ensaio, Do Amor, e li metade na praia. Apesar de ter algumas afirmações que podiam tb levar a explicação televisiva, achei-o até muito didactico e aplicavel.
    Apesar que no amor é como na obesidade: temos a informação, não o comportamento.

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  4. Seve disse...

    Mas haverá livros para férias?

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  5. Também li, no ano passado, as lições que Ovídio dá aos amantes. De facto, entre os generosos conselhos a homens e mulheres, há muitos que hoje não poderíamos aceitar... Fui à procura, no meio dos "post it" com que enchi as páginas do livro, de um que pudesse ilustrar o machismo do autor, mas achei mais divertida estas linhas sobre a beleza masculina (que deixo como provocação): "Mas não tenhas gosto em frisar com o ferro o teu cabelo, nem rapes com a aspereza da pedra pomes, as pernas; deixa que façam isso aqueles por quem a mãe cibeleia é celebrada ao som de cantos ululantes. Uma beleza desarranjada é o que fica bem aos homens".

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