Liberdade
Vi nascer a primeira Feira do Livro de Lisboa no Parque Eduardo VII, pelo que sou muito antiga. Tão antiga que ainda fui à feira na Avenida da Liberdade – e, garanto, mais do que uma vez. Foi, de resto, ainda nessa larga avenida de Lisboa que me estreei a comprar livros sozinha (quer dizer, sem a minha mãe, porque fui com uma amiga). Devia ter catorze ou quinze anos e lembro-me de ter comprado Os Novos Contos da Montanha, de Miguel Torga, e os Contos Exemplares, de Sophia de Mello Breyner Andresen. Já não estávamos em tempo de aulas, mas admito que tivesse sido a escola a aconselhar estes títulos, talvez para os lermos no ano seguinte (embora eu já tivesse lido Os Contos da Montanha). Engraçado é que ainda hoje consigo eleger um conto de ambas as colectâneas: «A Viagem» (no livro de Sophia), que era um texto sufocante em que alguém empreendia uma viagem e, sempre que decidia voltar para trás, encontrava tudo diferente; e «Mariana» (no livro de Torga), que era a história de uma rapariga da aldeia que tinha filhos de vários homens e, quando a menina «selo branco da virgindade» regressava da cidade e lhe perguntava quem eram os pais das crianças, ela respondia apenas: «Saiba a menina que não têm pai… São só meus.» Histórias de liberdade com L.
E de cada vez que se fala de Torga eu fico a imaginá-lo Dr.Adolfo em Coimbra, no trólei 3, metido em si, e ainda me custa a acreditar que desci dos e subi para os Olivais na companhia desse homem centenas de vezes. Foi perto do fim que estive mesmo decidido em contar-lhe que o "Míúra" me marcara para sempre. Fim nenhum começou pouco depois, e eu nunca mais o vi. Escrevi um poema, apenas um poema, e fiquei com a compulsão de contar esta história:).
ResponderEliminar(...) "decidido a contar-lhe" (...). Perdão.
ResponderEliminarAh! Boa.
ResponderEliminarAgora não gosto do Torga acho-o demasiado rígido e dono da verdade.
Mas adorei essa resposta quando li os contos da montanha. Obrigada por me a fazer recordar.
"Ter um filho ...só meu."
me fazer recordar
EliminarE muitos homens ainda acham que é um privilégio despachar os filhos para as mães... O privilégio está todo em quem tem os filhos só para si.
ResponderEliminarLuberdade e amor, nessa mulher da aledia. Beijos Maria do Rosário. Visita o odisseus.
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