Ups!

Ricardo Menéndez Salmón, autor espanhol do aclamado A Ofensa, esteve em Lisboa na altura da Feira do Livro para autografar o mais recente A Derrocada. Porque sou casada com o seu editor português, jantámos juntos uma noite, por sinal bastante fria. Conheço a sua editora em Espanha – uma mulher muito bonita que todos dizem estar a fazer um óptimo lugar na Seix Barral, que é a mais interessante chancela do grupo Planeta. Mas Ricardo comentou que lhe havia encontrado algumas lacunas surpreendentes – por exemplo, ela não tinha lido Hermann Broch. Ups! Hermann Broch? Pois é, lá tive de engolir o sapo. A verdade é que também nunca li Hermann Broch (e o pior é que nem sequer estava na fila à espera de um momento livre). O Manel disse-me que tínhamos cá em casa, numa tradução francesa, A Morte de Virgílio (que ele lera numa certa época, mas também não tinha a certeza de ter concluído, são três volumes). Consolou-me (sem me desculpar) o facto de quase ninguém que conheço ter lido Hermann Broch (apostaria que o leram o José Afonso Furtado, a Ana Pereirinha e o Luís Filipe Castro Mendes, mas ninguém mais). Vou, pois, tentar encontrá-lo na estante do Manel e pô-lo à vista, a ver se ganho coragem. Mas o mais triste é que deve haver uma data de sapos iguais a este…

Comentários

  1. Ah, mas sapos assim todos nós temos... e aos montes! E não devem ser motivo de angústia. De qualquer forma, há uma ótima tradução brasileira, feita por Herbert Caro, e publicada pela Nova Fronteira, creio que na década de 1980 (e num prático volume único). É um belíssimo livro. Grande abraço e parabéns por estes deliciosos textos!

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  2. As voltas que o mundo dá! O texto de Rodrigo Gurgel a propósito da tradução de A Morte de Virgílio por Herbert Caro traz-me à memória a tradução, feita pelo mesmo Herbert Caro, de A Montanha Mágica, de Thomas Mann. Saiu em Portugal, pela mão da "velha" editora Livros do Brasil, há vários anos e é uma bela tradução. Recentemente, vá-se lá saber porquê, outra editora lembrou-se de promover uma nova tradução. Fez mal. A tradução de Caro pede meças.

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  3. Ao falar-te (-vos) de fora do copo (sequer o posso encarar como meio cheio ou meio vazio, estou fora e pronto), dou testemunho de que a minha aproximação à literatura sempre tentou ser simultaneamente humilde e pretensiosa. Embora haja muitos escritores dispensáveis, não há um único imprescindível para os outros. Só para nós. E a única coisa que podemos fazer perante os outros é pedir-lhes o favor de lerem o que nos emociona. E nunca dizer nada lá do alto, porque não há génios na literatura:).

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  4. é curioso - também nunca li, não sei bem porquê. suponho que nunca ninguém me falou com paixão de nenhum livro e por isso não me devo ter sentido tentada. não me lembro de os meus pais o lerem e foi ficando para uma daquelas leituras de verão.

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  5. A Morte de Virgílio está traduzida na Relógio d'Água e é um livro estupendo. E julgo que também há por aí Os Sonâmbulos.

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  6. que cambada de ignorantes...

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