Poetas não publicados
Nos anos 80, a editora Assírio e Alvim desafiou poetas não publicados a enviarem textos (três a sete) a um júri por ela escolhido (o poeta Al Berto era um dos jurados). Os textos que o júri considerou mais aptos foram posteriormente publicados num volume intitulado Anuário de Poesia Inédita e, dele, saíram alguns nomes que hoje publicam regularmente. Era uma montra – e uma boa montra: mesmo entre os muitos que nunca mais voltaram a publicar (pelo menos, com o nome com que ali assinavam), havia textos de grande qualidade, entre os quais recordo um poema em prosa muito à Borges – a história de dois irmãos e de um caderno de viagens –, cujo autor se autodenominava justamente «Jorge Luís». Tenho pena de que a Assírio não tenha prosseguido com essa aventura e que hoje não haja ninguém que tome a iniciativa de repetir a dose. O mais parecido que encontrei foi a revista Criatura, que também nos dá a ver jovens poetas, portugueses e não só, mas que, por um lado, repete bastante os autores, por outro não tem o crivo de uma editora por detrás a atestar a qualidade. Em todo o caso, se a encontrarem, espreitem. Tem sempre coisas que valem a pena.
este seu blog tem realmente o condão de...
ResponderEliminar"participei" num desses anuários - nunca mais publiquei nada - e concordo em absoluto, faz sempre falta um espaço assim, embora o aparecimento dos blogs tenha possibilitado a "escrita pública" a muitos autores.
Estou de acordo com o anterior comentário, existe muito de bom na poesia que se publica pelos muitos blogs espalhados pela vasta teia, ligando intermitentes versos que cortam as fronteiras e ligam até continentes. no entanto o renascimento de publicações desviadas de um formalismo de obra e abrindo oceanos para a diversidade de escrita sob o olhar atento de editoras de certeza que ajudava.
ResponderEliminarSe é autor de Língua Portuguesa e está interessado em publicar um conto original e inédito na Letrário Editora, beneficiando gratuitamente da revisão do Letrário, deverá enviar o conto, em formato editável, para letrario@letrario.pt, juntamente com uma breve biobibliografia. Caso o conto cumpra os requisitos de qualidade literária e linguística da Editora, ele será publicado e depois divulgado, junto das pessoas com quem o Letrário comunica regularmente. No envio do texto, estará implícita a cedência não-exclusiva dos direitos de autor do conto enviado, indispensável à respectiva publicação.
ResponderEliminarConheça a nossa editora em http://www.letrario.pt/1_pt/900/9001.htm
Na verdade, aquele poema a la Borges, de que te lembras, é meu e vinha assinado Carlos d'Ó. O Jorge Luís aparecia como dedicatória, para estabelecer a relação imediata com Borges, que, na altura (e hoje), tanto nos impressionava. Carlos Oliveira Santos
ResponderEliminarJá agora, só mais uma coisinha: o estar Carlos d'Ó surgiu para emparceirar com Maria d'Ó, que também está naquela Antologia, um intenso amigo que há muitos anos não vejo. A sua obra poética era enorme, poderosa, mas ele sempre preferiu ficar alheio a qualquer visibilidade pública.
EliminarCarlos, que maravilha teres escrito aquele texto! Obrigada por falares disso tantos anos depois. Fez-me saudades.
EliminarPerdão, tive de ir ver. Já não me lembrava. Aquele meu amigo assinou, não Maria D'Ó, mas Laura S. Ó. Carlos Oliveira Santos
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