Não-ficção
Uma das minhas colegas na Leya, Sara Gomes, editora da Texto, fez-me um reparo completamente justificado, dizendo-me que neste blogue nunca apareciam livros de não-ficção. É verdade: os autores que mais me marcaram são romancistas ou poetas e, como me comprometi a falar apenas das minhas «horas extraordinárias» de leitura, tenho deixado o ensaio de fora. Ainda assim, há dois títulos a que, ao longo da vida, tenho recorrido frequentemente (e que li como romances). O primeiro é Introdução à História do Nosso Tempo, de René Rémond – uma panorâmica da história mundial de 1750 aos nossos dias para pessoas mais ou menos ignorantes (como eu) em termos históricos. O outro é Os Criadores, de Daniel Boorstin (que foi muitos anos director da Biblioteca do Congresso americana), no qual se destacam os grandes heróis da imaginação nas mais diversas áreas (literatura, pintura, fotografia, arquitectura) e abrange um período que vai dos pintores rupestres às vanguardas artísticas e literárias do século xx. Este último tenho-o, orgulhosamente, autografado e, embora não seja uma obra densa e profunda, dá-nos uma ideia excelente do que foi, realmente, a originalidade em todos os tempos.
Os melhores ensaios lêem-se decididamente, como romances:). Já escrevi no meu blogue sobre a peça estranha e impressionante que é "Sou o último judeu", de Chil Rajchman (Teorema), mas tenho de destacar o brutal (e sublime) "No Mundo das Trevas", de Gitta Sereny (Âncora). Muito elogiado, e talvez por isso uma desilusão (ai os unanimismos!), "Os Desaparecidos", de Daniel Mendelsohn (Dom Quixote);
ResponderEliminarMuito interessantes são também as biografias, sobretudo quando não se limitam ao relato cronológico dos episódios pessoais e profissionais dos biografados.
ResponderEliminarCom o "updating" recente da Alice (via filme de Tim Burton) confesso que tive uma certa curiosidade em saber algo mais sobre a vida do autor de "Alice in Wonderland", o algo circunspecto e misterioso Charles Lutwidge Dodgson.
"The mistery of Lewis Carroll", de Jenny Woolf, Ed. Haus Books, que comprei há dias e ando a ler interessadíssimo é uma dessas biografias...
Há um romance admirável, que nada vendeu em Portugal (infelizmente), mas que eu, na minha humilde opinião, acho maravilhoso, que tem duas personagens centrais (uma é Oscar Wilde), mas inclui entre as secundárias o autor de «Alice» e R. Kipling. Chama-se «Clube de Cavalheiros» e é de uma sul-africana, Ann Harries. Se o encontrar, não perca, por favor.
Eliminarmuito obrigado pela sugestão! desconhecia o livro, mas agora tornou-se decerto imperdível, sobretudo se para além de dodgson e kipling ainda tem o "bónus" de wilde (um dos meus 5 convidados para o jantar ideal)... :)
Eliminar(peço desculpa pelo uso de minúsculas, mas habitualmente escrevo assim)
José Luís, encontrei-o também algures nessa obra muito prima da Hélia Correia, "Adoecer", a páginas tantas. Obra cuja leitura estou a retardar, tal é o prazer que me tem dado:). Se, depois de ler a biografia, quiser mergulhar no tempo e no espaço do Dodgson, de uma forma tão visceral que transcende a biografia, a própria ficção, para se situar num lugar assustadoramente parecido com a verdade, não perca este livro (se me permite o atrevimento da sugestão).
ResponderEliminarjá me tinham falado do livro, mas não nesses termos... obrigado pela sugestão... e pronto, lá terei de "adoecer"...
EliminarAs biografias, tudo o que é travel writing, reportagem...
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