Filho e pai

A relação das mães com os filhos ou as filhas enche milhares de páginas de todos os tipos de ficção (e muitos artigos de revistas – pois parece que agora a maternidade está de novo na moda). Mais rara é, porém, a relação pai-filho como assunto de livro – quiçá porque durante décadas eram as mães que ficavam em casa com as crianças, enquanto os pais trabalhavam fora e quase não as viam. Sublime entre tudo o que li sobre esse binómio mais invulgar é o romance A Estrada, de Cormac McCarthy (dizem que vem aí o filme, mas é muito difícil pensar num filme baseado nesse livro sem ficar de pé atrás). Seco e despojado como muita da literatura americana, um pontapé no estômago permanente, este texto belíssimo vira-nos as vísceras do avesso e nunca mais somos os mesmos depois dele. Num mundo que não queremos que nos aconteça (mas não será o livro também um aviso?), os sacrifícios do pai pelo filho comovem-nos e sacodem-nos em igual medida. Genial também como só duas personagens e os seus parcos diálogos chegam e sobram para nos encher a alma de espanto.

Comentários

  1. Peço desculpa em discordar, mas há imensos romances que retratam as relações entre pais e filhos.

    A começar pelo que estou a ler agora "Pais e Filhos" do Ivan Turgniev.

    E ainda hoje vi um filme do John Ford com mais uma história sobre pais e filhos: How Green Was My Valley


    Os meus cumprimentos.

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  2. O filme já veio e já foi. Mas pode ser encontrado em alguns videoclubes.

    http://identidades2.blogs.sapo.pt/199270.html

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  3. Já li o livro que adorei, e posteriormente vi o filme. Definitivamente o livro é bem melhor que o filme apesar de também ter gostado do filme. Mas como em todos os filmes tudo tem de ser condensado o que acaba sempre por suprimir pormenores da historia original.

    Por alguma razão o filmes não fazem livros :)

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  4. "A Estrada"-filme já se estreou cá e já existe em DVD mas deve ter tido uma passagem pelos cinemas quase clandestina. O filme é interessante e, segundo o que se sabe, dificuldades na rodagem e as condições impostas pelos produtores para o tornar menos "difícil" na representação de algumas cenas prejudicaram a versão final. A propósito do autor e das adaptações dos seus livros: "No Country for Old Men" é muito melhor em cinema do que no original... que é um pouco - com licença... - desértico...

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    Respostas
    1. Após ler o livro "a estrada", o cenário que inevitavelmente criamos na mente á medida de se lê o livro é algo entre o macabro e o mórbido, ideal para filmes de terror.. not mi kind of film )..



      No filme achei que escolha do actor principal foi feliz, e as imagens cénicas encaixavam perfeitamente no filme.


      No caso do "No Country for Old Men " comprei o livro, tendo as expectativas de ler algo parecido com o The road ". Azar o meu, não li mais de 50 paginas, fartei-me do insultos e tiros iniciais, ou seja, não me prende! Talvez por essa razão ainda não tenha visto o filme, apesar de estar na lista.



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  5. Li A Estrada logo a seguir ao No Country for Old Men e contrariamente fiquei logo convencido do poderoso guião que ali estava.
    O filme aí está a confirmá-lo.
    Cormac McCarthy é um muito grande escritor.
    Aguarda-se Meridiano de Sangue. Lamentavelmente John Ford já não está cá para lhe pegar...

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