Estranhas associações

Não contarei porque associo um grande nome da literatura nacional (quiçá o maior) ao papel higiénico (ou sim, contarei, mas noutro dia; em todo o caso, não é nada do que estão a pensar). De qualquer modo, de cada vez que vou à depilação, não consigo deixar de pensar em Juan José Millás. A associação é estranha para quem não sabe, claro; mas este autor, de quem publiquei tudo o que pude publicar na Temas e Debates, tem um livro no qual a protagonista está a depilar as pernas quando lhe telefonam a dizer que a mãe morreu – e atravessa todo o romance com cera numa perna. O livro chama-se Assim Era a Solidão e ganhou o Prémio Nadal no país vizinho. Vale a pena como todos os livros do autor, embora eu prefira A Ordem Alfabética (delirante para quem gosta de letras e palavras) ou O Mundo (uma obra-prima que já não fui eu a publicar). Neste último, há uma personagem chamada Vitaminas – mas, curiosamente, não me lembro de Millás quando tomo vitaminas…

Comentários

  1. É de facto um belo livro. Curiosamente a casa-de-banho aparece como um lugar de reflexões e revelações diversas que não são só do espelho.

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  2. Não é pelo episódeo relatado (e também é), mas «Assim era a solidão» está-se a tornar num desejo de leitura... Fico com uma curiosidade mórbida sobre o papel higiénico e um grande nome da literatura - para quando a revelação?
    Aguardo, sou um sereno leitor.

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  3. estou precisamente a ler "os objectos chamam-nos", uma construção/descontrução de situações quotidianas em que millás é fértil, onde a sua imaginação delirante e o seu estilo são imbatíveis.

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  4. Juan José Millás conheço-o "pessoalmente" das correntes d'escrita da Póvoa de Varzim e não sabia que nos fez conhecer. Li a concorrencia (Mundo). Foi um livro que fará com que eu tenha uma visão quase plástica e agora difícil de modificar do pós-guerra espanhol na infancia carente.
    O Miguel e Carla, grandes amigos meus, escolheram-me este livro. Só quem gosta mesmo de mim e me conhece é que sabe a prenda que eu mais gosto.
    É, como é que eu ainda não percebi. Teste fácil:
    quem nunca me deu um livro não pode gostar de mim.

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  5. Preparo-me para lê-lo pela primeira vez: «Os objectos chamam-nos».

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  6. Ex-tra-or-di-ná-ri-o!

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  7. Diariamente cá estou. Já não consigo passar sem os artigos destas Hoas Extraordinárias. Faziam tanta falta! Dou-lhes os parabéns e desejo que continue.

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