Outro episódio

Quando aqui falei há uns dias dos livreiros informados que praticamente desapareceram, recebi muitos comentários. Quero então contar-vos uma história engraçada de um livreiro pouco informado do tempo em que eu era adolescente (só para não culpar o presente da falta de informação, porque as coisas não necessariamente boas são, afinal, de todos os tempos). No meu 7.º ano (hoje 11.º, julgo eu), a minha professora de Filosofia mandou-nos ler As Mãos Sujas, de Sartre. E, quando entrei na livraria e perguntei ao senhor que me atendeu se tinha As Mãos Sujas, a sua reacção foi simplesmente olhar, horrorizado, para as próprias mãos…

Comentários

  1. Uma história deliciosa para começar o dia.

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  2. É realmente extraordinário ter livros para ler e termos quem nos oriente nas leituras.
    Também tenho um episódio com um «livreiro», da biblioteca itinerante da Calouste Gulbenkian que de tempos a tempos visitava a nossa aldeia. Para quem não tinha livros em casa era uma visita muito esperada, como podem imaginar. Penso que foi lá que descobri o primeiro livro que me lembro de ler: «As minas do Rei Salomão». Uma vez a minha escolha foi bloqueada pelo tal «livreiro», um rapaz jovem, que não me deixou ler Júlio Verne nessas férias grandes. Já tenho grande parte da obra de Júlio Verne mas, não sei bem porquê, nunca li nada dele. Ou talvez saiba: sinto que estão fora de tempo… ou eu estou fora do tempo de os ler.
    Tenho tido várias orientações de leitura, sendo talvez a que mais sigo a do meu marido, que é mais velho do que eu e me trouxe livros e autores que desconhecia. As nossas estantes estão misturadas e precisam de arrumação (e de espaço), já que misturam livros de prazer com livros de trabalho (somos ambos biólogos). Foi com ele que descobri o «Narciso e Goldmundo» e também o «Não matem a cotovia», de Harper Lee, por exemplo. E foi também ele que me deu a ler os seus livros de poesia, Maria do Rosário, que um dia ainda ganho coragem e lhe peço que autografe. É engraçado fazer uma certa ideia de um poeta quando se lê e depois cruzarmo-nos com ele todos os dias no restaurante da empresa…
    É extraordinário ler, continuar a comprar livros, ver que se publica tanto todos os dias. A minha angústia maior não é não ter tempo para ler mais (tenho duas crianças pequenas), mas sim saber que continua a haver quem não tenha livros ou qualquer orientação nas suas leituras. Parabéns e obrigada por esta partilha.

    Anabela F.

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    Respostas
    1. Eu é que lhe agradeço, Anabela, e quando me vir na cantina da Leya apresente-se! Um abraço.

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