Livro-escaldão
Começo pela história de um escaldão por causa de um livro lido há muitos anos e que, se não está disponível no mercado, devia estar, pois não se devem privar os leitores de uma obra que, sendo autobiográfica, é da mais delirante ficção. Talvez não seja, convém dizer, o melhor livro do autor, mas nenhuma outra obra sua me deixou a esturricar ao sol do Verão durante 173 páginas ininterruptas, com as sequelas daí decorrentes. Trata-se de A Tia Júlia e o Escrevedor, de Mario Vargas Llosa, e alterna a história do seu casamento com uma ex-tia por afinidade com as rádio-novelas de Pedro Camacho, seu colega e confidente nas coisas do amor e personagem inesquecível que, se não existiu, só podia mesmo ter sido inventado pelo escritor peruano. A ler, portanto, faça o tempo que fizer. (Na praia, recomenda-se o uso de protector solar de ecrã total.)
é certo que eles por estes dias tratam a literatura um pouco com os pés mas a estampa ainda tem essa pérola disponível
ResponderEliminarvim aqui encaminhado pelo Tomás Vasques. Li, há muitos anos, a "tia Júlia ..." e adorei. agradeço o blog e vou manter-me atento às suas indicações. bem haja.
ResponderEliminarNão me provocou escaldões, mas olheiras um bocadinho maiores na manhã seguinte. Gostei imenso deste livro!
ResponderEliminarAinda não li, mas recomendado por si vou ler de certeza. Parabéns pela iniciativa, eu ainda não consegui ultrapassar o receio de ter um blog.
ResponderEliminarCristina Norton
Gostei de a encontar aqui, através do Bibliotecário de Babel.
ResponderEliminarTambém gostei muito do livro "A Tia Júlia e o Escrevedor"
Passarei de vez em quando a ver as suas sugestões.
P.s. Gosto muito da poesia que escreve.
Beijos
Uma autobiografia da mais delirante ficção. Passei todo o ano de 2009 a conversar com as minhas vísceras tendo precisamente esse conceito em fundo. Hum...que raio, porque é que há sempre um naco de identidade nas palavras da Rosário?:))) Diz-se que toda a escrita é autobiográfica, e isto é um disparate. Já dizer que toda a criação é ficcionada, mesmo a do próprio Deus, está certo:). Bom dia.
ResponderEliminarVargas Llosa é o meu escritor sul-americano preferido, e as escassas páginas de A Tia Julia... e as aventuras do seu Marito são, de facto, inesquecíveis, com ou sem efeitos da radiação solar.
ResponderEliminarQuanto à sua disponibilidade, o Pedro falou numa edição da Estampa, e recordo que em Junho de 2008 saiu uma versão, traduzida por Cristina Rodríguez, da Biblioteca Sábado (distribuída com a revista semanal do grupo Cofina), que, a fazer fé na ficha técnica, pertencia à Dom Quixote (1988).
Seja bem-vinda a este mundo susceptível e hiperbólico da blogosfera.
André
Vamos a ver se um nada fã de blogs se deixa ficar por este. Penso haver razões para isso, a recomendação do uso de protector solar é da maior importância, e significativo do interesse que este blog pode despertar em mim, a praia vem aí e eu costumo levar para lá livros meus, que também gostam de praia, não são menos que nós, os livros.
ResponderEliminar(Se bem que o 2666 com o qual ando às voltas, não deva sair daqui de casa...)
É um prazer, Maria do Rosário Pedreira e dos Llosa que conheço, esse que refere não faz parte, pelo que vou ver se o descubro por aí...
é um bom livro sim, mas não me fez ganhar um escaldão. isso ficou reservado ao "candido" de Voltaire e ao "estrangeiro" de Camus... e "o retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde fez-me chegar tarde ao trabalho...
ResponderEliminarhasta luego!
apareçam em
http://forcanamaionese.blogspot.com/
Vi este blog pelos destaques do sapo e quando vi o comentário sobre o Tia Júlia e o Escrevedor não consegui deixar de dizer que gostei muito deste livro, as histórias em paralelo à sua biografia a miscelânea que se dá no final são hilariantes.
ResponderEliminarTive acesso a este livro graças à revista Sábado
O Mário Vargas Llosa tem o poder de nos pôr a vida e o mundo em suspenso.
ResponderEliminarParabéns pelo blog. Gostei do conceito do "livro escaldão". Irei continuar a seguir as suas sugestões.
ResponderEliminarNem de propósito: a editora boliviana La Hoguera vai reeditar a autobiografia da primeira mulher de Llosa, Julia Urquidi, que morreu em Março deste ano, aos 84.
ResponderEliminarPublicado pela primeira vez em 1983, "Lo que Varguitas No Dijo" é uma resposta a "La Tía Julia y el Escribidor", no qual, como sabemos, Llosa conta sua história de amor com Urquidi, que também era sua tia.
Eu não apanhei um escaldão, simplesmente porque passei a noite em claro. Para mim é um dos melhores do autor, que é um dos melhores do mundo.