Os 100+

O jornal britânico The Guardian publicou uma lista dos 100 melhores livros de ficção (romances, sobretudo) publicados desde sempre em língua inglesa, mas por autores de qualquer país (sim, estão lá Pedro Páramo ou Cem Anos de Solidão, mas quase não há livros franceses, por exemplo, e o Memorial do Convento não consta). É uma lista feita por escritores e críticos de todo o mundo. O jornal pediu a 172 autores, críticos e académicos que apontassem os seus 10 romances de eleição e os pusessem por ordem de preferência; depois, atribuiu uma pontuação a cada título, consoante o número de vezes em que tinham sido escolhidos, assim achando os 100 mais votados. Penso que estes votantes devem rondar a minha idade, pois eu, surpreendentemente, quando vi a primeira metade da lista (dos 41 aos 100) percebi que tinha lido muitos dos títulos e fiquei aliviada (quanto mais livros lemos, mais ignorantes nos sentimos). No dia seguinte, saíram os romances mais votados (do 1 ao 40) e também eram, na generalidade, conhecidos (nem todos lidos, lamento), embora aqui já houvesse um ou outro título para mim desconhecido (The Prime of Miss Jean Brody, de Muriel Spark, ou Their Eyes Were Watching God, de Zora Neale Hurston). Claro que a lista é muito discutível, porque cá para mim faltam muitos autores notáveis; mas, como não sei se estão traduzidos em inglês (no Reino Unido só cerca de 3% dos livros publicados são traduções), pode ser essa a razão de tão estranha omissão. Também se vê que os britânicos gostam sobretudo de autores britânicos (a senhora Virginia Woolf nunca falha e tem mais de um título seu no rol), mas vale a pena consultar a lista e cada um fazer a sua própria análise. Deixo-a aqui. Divirtam-se.


 


https://www.theguardian.com/books/ng-interactive/2026/may/12/the-100-best-novels-of-all-time?CMP=fb_gu&utm_medium=Social&utm_source=Facebook&fbclid=IwY2xjawRy0ltleHRuA2FlbQIxMABicmlkETBPWmtCbld5VXlHc2MwTEJKc3J0YwZhcHBfaWQQMjIyMDM5MTc4ODIwMDg5MgABHigZemUjMGaaWJhQYIELEgjtzbbtewOCUVFWbI7l8690UwriFTbPJsUSr8Tc_aem_mNBNXgpmSJxb0MuC538wLg#Echobox=1778652585


 

Comentários

  1. António Luiz Pacheco20 de maio de 2026 às 02:15

    Extraordinário e muito interessante a lista, que é de excelentes livros óbviamente (enfim, entendam que apenas conheço ou identifiquei coisa de metade).
    No entanto, apenas dois ou três estão na minha lista dos 100 mais!
    Claro que nem sou crítico nem nada disso ligado à literatura, sou apenas leitor.
    O "Memorial do convento", não consta como não constam outros grandes e até melhores livros portugueses, porque não são lidos no estrangeiro. Aliás eu prefiro o "Levantado do chão".
    Mas é muito interessante, sim.

    Saudações cá da Cidade Morena.

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  2. Agapito Pescada

    Notei, com bastante pesar, a omissão deste inconspícuo e iconoclasta autor contemporâneo.

    Boas Leituras :-)

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  3. Boa tarde.
    Apesar de não comentar há muitos anos, tenho seguido com interesse este espaço.
    Hoje não resisto, contudo, a afirmar com um toque de humor que qualquer lista de romances que não contenha Júlio Cortázar não é uma lista.
    Cumprimentos a todos.

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  4. António Luiz Pacheco20 de maio de 2026 às 16:44

    Seja então muito "re-bem.vindo".
    Olhe, cá para mim, a lista teria de ser para aí, e sem exageros, dos 500 + , eheheh!
    Viv'ós livros! Abraço cá da Cidade Morena - terra do Pepetela que por mim figuraria na dita.

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  5. O "Middlemarch" em primeiro????? Como diria o Speedy... "ay caramba". Bem mutatis mutandis.

    Fora essa surpresa, tudo o mais é expectável para quem tem visto as listas dos 100 melhores do Guardian nos últimos 30 anos. Aumento ligeiro dos títulos wokistas (felizmente o mundo culto do Reino Unido não está tão tomado pelas quotas de representatividade e ainda consegue discernir alguma qualidade) e a constante queda das leituras "não imediatas" (mais herméticas? mais complexas? menos lineares?), o desaparecimento de obras fundadoras das literaturas modernas (os Quixotes, os Simplicissimus, os Rabelais...); o estranho desaparecimento de Balzac - uma presença quase constante nas listas de melhores livros no Reino Unido, e, por último, a cada vez maior escolha de títulos mais temporalmente próximos (perfeitamente natural - o leitor já não consegue lidar com a riqueza vocabular e a variação sintática das literaturas de um passado mais afastado).

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  6. Só para esclarecer: o Balzac fazia sempre parte das listas de melhores livros no Reino Unido porque dizia muito mal dos franceses, penso eu de que... Antes a população inglesa ainda se preocupava com a velha inimizade... já hoje...

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  7. "Lista discutível", sem dúvida...culturalmente anglo-saxónica, indiscutel!!!

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