Há bens que vêm por mal

Neste Natal, como de costume, passei várias horas com adolescentes e gente nova e reparei que são mesmo meninos-excepções os que não vivem a olhar para o ecrã do telemóvel e a digitar mensagens a toda a hora, quando não a ver vídeos que mostram uns aos outros constantemente. O digital tomou conta do tempo das crianças e jovens que, por vezes, estando ao lado uns dos outros, comunicam através do telemóvel. Mas esta coisa que nos trouxe tantas vantagens (no meu ramo de actividade foi incrível poder apagar e reescrever um texto sem mudar de folha e, se necessário, recuperar até versões anteriores de um texto gravadas num ficheiro antigo) tem afinal estado a deixar muita gente para trás. Isso mesmo dizia o jornal Público num artigo recente, baseado no boletim estatístico da Comissão para a Igualdade de Género, no qual se explicava que, apesar de alguns desenvolvimentos, o digital está a deixar as mulheres cada vez mais para trás (deixo o link abaixo); e, do mesmo modo, os mais velhos que não conseguiram «informatizar-se» (sobretudo fora dos grandes centros) e que estão a ser claramente prejudicados pela transição digital na área da saúde (ponho também o link deste alerta para quem queira ler). Além de tudo quanto tenho andado a pregar sobre o facto de a digitalização ser responsável por um decréscimo da leitura e da linguagem, agora mais estas. Mas como é que uma coisa que nos facilita tanto a vida pode complicá-la tanto ao mesmo tempo?


https://www.publico.pt/2024/12/27/sociedade/noticia/digitalizacao-sociedade-deixar-mulheres-tras-2116911


https://cnnportugal.iol.pt/idosos/transicao-digital/estudo-alerta-que-transicao-digital-na-saude-esta-a-deixar-idosos-para-tras/20240228/65dee0cad34e8d13c9b83b54


 

Comentários

  1. Um texto muito útil que pessoalmente agradeço. Já sabíamos que os nosso jovens usam demasiado o telemóvel e quais as consequências daí resultantes. Mas que o digital está a deixar as mulheres mais para trás, é um novo problema, apresentado no primeiro link. Mais um desafio a encarar, bem como as novas tecnologias, a saúde e os idosos, a ler no segundo link.

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  2. Transformámo-nos em seres dependentes da chegada constante de novas imagens, sobretudo se forem em movimento; damos-lhes alguns segundos de atenção e isso basta-nos para assegurar a felicidade do dia a dia. Afinal somos animais simples e banais !

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  3. Alguém leu o livro de contos “Visitar Amigos” de Luisa Costa Gomes considerado por alguns críticos como o melhor livro de 2024 entre os escritos em português?

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  4. O click, a necessidade de estar num mundo qualquer que não o da nossa sala ou da nossa praia... o facilitismo de ser uma espécie de voyeur dos outros, e pessoa "presente" em qualquer lugar do planeta, não passará por, cá e lá (além fronteira), cada viciado no online habitar um mundo pequeno, um habitat sem metas, sem meios (onde brincam agora as crianças?), sem força anímica para a conquista, para a luta, para a esperança!? Não se viverá através dos outros e de outros espaços, uma realidade mais rosada, menos dorida? Não se estará a substituir livro, o filme, até a novela, por uma fantasia mais imediata, mais acessível e mais preguiçosa? Neste momento, até a rota mundo se tornou mais "vulgar" e as viagens menos ansiosas e menos aventurosas... está tudo à mão de uma ligação wifi. Dou por mim recentemente, a não me fazer acompanhar pela fiel amiga máquina fotográfica – qualquer imagem que se capte, é sempre muito aquém das milhares e milhares que em barda facilmente nos entram por écran e olho adentro...

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  5. António Luiz Pacheco7 de janeiro de 2025 às 09:16

    Não li... nem me recordo de ter ouvido falar.
    De que trata, tem a ver com este assunto pelo que deduzo, mas pode dizer algo?
    Grato, votos de bom ano!

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  6. António Luiz Pacheco7 de janeiro de 2025 às 09:27

    Bom, eu continuo a usar a máquina em detrimento do telefone-esperto! Uso a máquina por gozo próprio de recolher ou fixar as imagens e depois armazená-las nos meus arquivos, ordenadas, localizadas, datadas e até por temas. Nenhum outro artefacto me dá o mesmo prazer e realização.
    Vai para uns meses, estava precisamente a fazer umas fotos de um esplendoroso dealbar, entre brumas e jogos de cores pelo meio do arvoredo e dos montes, espraiados na largueza da paisagem na fazenda de um amigo. O conjunto era realmente feérico com a magia que sempre tem o nascer do dia com todas as promessas que contém: o que iremos ver, que sensações... como vai ser? Chegou-se a mim um jovem de 15 anos, filho de uns amigos, gente de cultura, ele estudante e educado, que me comentou a propósito daquilo que estava a ver: - parece uma imagem de fundo de computador!
    Gelou-me, mas entendi onde queria chegar. Disse-lhe que aproveitasse pois aquilo que gozávamos não era digital e nem recriado era aquilo mesmo, autêntico, real, estava ali.

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  7. António Luiz Pacheco7 de janeiro de 2025 às 09:42

    Com efeito, suponho que muitos de nós, que nos presumimos conscientes e esclarecidos, a tal elite que lê, segundo comentava há dias, e bem, um Extraordinário Anónimo, nos interrogaremos sobre essa dualidade do digital e da informática.
    Por um lado, tanto nos ajuda e é útil. Por outro, também nos exclui ou causa transtornos.
    Enfim, como diz o adágio: não há bela sem senão.
    Creio que terá de haver bon senso e compreensão e uma grande capacidade de entendimento das vantagens e desvantagens, como da forma como devem ser aplicados e usados.
    Há muita gente, muitíssima, que não domina, não acede e nem tem como, à noveis tecnologias e esperar que todos vão ser capazes de preencher e entregar on-line a declaração do IRS, é apenas prova de que somos governados por estúpidos que se acham muito inteligentes, insensíveis ao que lhes saia do estreito círculo onde estão e se movem, incapazes e sobretudo gente pouco esclarecida a despeito dos muitos títulos e especializações. Basta ouvir as verdadeiras imbecilidades e asneiradas que são expressas pela onda de comentadores nas TV, incluindo antigos governantes e detentores de cargos, alegados professores universitários, intitulados peritos, por vezes gente de vulto na política nacional, ou meros comentaristas que não se sabe bem porque o são, que peroram sobre tudo sem saber de coisa nenhuma. Cegos quase sempre, a quem falta a realidade das vidas comuns e do dia-a-dia, e, muitíssimo senso.

    A leitura perde com isso? Muito, muitíssimo, é mais fácil ouvir um desses comentaristas farsante e convencido do que ir ler, procurar informação fidedigna sobre o assunto.
    Ler para quê? É só googlar e está ali o conhecimento enlatado e na hora, prontinho a usar e nem é preciso juntar água!

    Enfim, continuemos elitísticamente a ler, são os meus votos cá do Bairro Ribatejano.

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  8. Belo texto ! Grandes interrogações !

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  9. Ouvi entrevista a Luísa Costa Gomes num podcast do “Expresso” e, como trata algumas temáticas com afinidade à do post, lembrei-me que o seu mais recente livro de contos foi considerado o livro do ano pelo mesmo “Expresso” e, como não o li, tenho curiosidade em ouvir opiniões de eventuais leitores.

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  10. Hoje, para a juventude, só é qualificado como interessante o que é “filtrado” por um computador. Nem as belíssimas alvoradas africanas escapam !

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  11. Realmente a tecnologia tem pontos positivos como negativos.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

    Jovem Jornalista (http://jj-jovemjornalista.blogspot.com.br/)
    Instagram (https://www.instagram.com/jovem_jornalista/)

    Até mais, Emerson Garcia

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