Os dias que correm
Dois anos depois de ter matado um terrorista islâmico evitando um atentado num café de Paris, Laura viaja pelo mundo contando a sua história e promovendo o livro em que relata o acontecimento. A fama em torno do seu nome espalha-se por toda a parte mas, nas redes sociais, o debate acerca do que fez levanta questões sobre racismo, xenofobia e todo o tipo de extremismos. Laura é glorificada por muitos, mas também alvo de ameaças de morte que, se a princípio prefere desvalorizar, acabam por obrigá-la a fugir e procurar refúgio no único lugar onde, contrariamente a tudo aquilo em que acreditava, se sente segura. É então nas pausas desse ruído virtual que enche o mundo, e de que ela também depende inexoravelmente, que Laura, nas suas múltiplas reflexões acerca do passado, da sua relação com os pais e com o ex-marido e da sua experiência como repórter de guerra, compreenderá as implicações do seu acto. Numa narrativa muito pessoal e emotiva, Os Dias do Ruído – o muito ansiado novo romance de David Machado, vencedor do Prémio da União Europeia para a Literatura – explora as complexas dimensões do mundo contemporâneo, profundamente dominado pelas redes sociais, em que as vozes se sobrepõem quase sempre numa estridência incompreensível.

As redes sociais são cada vez mais o domínio dos indigentes (morais e intelectuais)
ResponderEliminarInteressante!
ResponderEliminarAs redes sociais são o que são... tal como os noticiários, os jornais e jornalistas, comentadores e os políticos.
Temos de nos habituar, é tudo. O bom senso que cada um deve ter é que importa, e, não as redes sociais... quererem silenciálas com o pretexto aqui referido é ainda uma forma de censura, de quem tem medo de que as pessoas comuns tenham voz e a manifeste. De quem se acredite ser único e parte de uma elite que o pode fazer, apenas e só. Os outros que leiam, oiçam e os sigam... sem pensar sequer.
Vamos ter de viver com isso. É a modernidade e o preço a pagar pela nossa liberdade, afinal sempre vivemos em sociedade e sujeitos a ela, limitados e condicionados por ela, ou não é assim?
Vamos ver o que nos diz David Machado, mas desde já me parece um tema oportuno e que me desperta a curiosidade. Sobretudo por o protagonista ser uma mulher, que matou um muçulmano - vamos saber porquê - mas se calhar porque entendeu que ele a oprimia e ofendia na sua postura e prática de desprezar, rebaixar, humilhar e desconsiderar as mulheres. Muitas vezes me pergunto como é possível mulheres que defendem o feminismo e a liberdade, apoiem movimentos aos quais se elas se submetessem, seriam tratadas da forma que se sabe, até proibidas de falar só que seja... quiçá até atiradas de um quinto andar ou lapidadas, queimadas vivas...
Enfim, saudações sensatas, sociais e amigáveis cá do Bairro Ribatejano!
Caro António Pacheco
ResponderEliminarConcordo que a liberdade de expressão deve prevalecer. No entanto, convém, talvez, esclarecer o que se quer dizer com liberdade de expressão.
Três exemplos já antigos: 2 relativamente pacíficos e outro que seria de investigar a autoria e penalizar exemplarmente o/a autor/a
O primeiro um poema que aparece como sendo da autoria de Mia Couto, que várias vezes desmentiu, publicando inclusive o link da verdadeira autora.
O segundo é semelhante e é um poema atribuído a Pablo Neruda quando era de uma jovem autora bem recente.
O terceiro e bem mais grave. É recorrente aparecer um texto onde a Clara Ferreira Alves diz o pior possível de Mário Soares em artigo publicado no expresso. Ora o expresso não publicou artigo nenhum nem a jornalista o escreveu. Tanto ela como o expresso publicaram um sem número de desmentidos. No entanto, apesar dos anos já passados, de vez em quando lá aparece o mesmo texto.
Para mim, nenhum destes casos é liberdade de expressão uma vez que mentem e acabam por insultar as pessoas visadas sem qualquer fundamentação.
Chamar a isto liberdade de expressão é objectivamente matar a liberdade e a verdade.
É normalizar a mentira que agora se chama inverdade (e esta não foram os do cancelamento que inventaram)
Claro... é assim mesmo.
ResponderEliminarCompreendo muito bem o que diz e o seu ponto de vista que não é nem despiciendo nem falho de sensatez, muito pelo contrário.
Porém, no meu entender é o preço a pagar... para que isso não aconteça, vamos silenciar as redes sociais? Seria o mais simples e até o que fazem as ditaduras, silenciam quem incomoda e acusam-nas de promover o terrorismo, por exemplo.
A Clara Ferreira Alves e o Mia Couto que me perdoem, mas no fundo só pagam também pela sua exposição e porque são conhecidos, a mim p.e. ninguém se dá ao trabalho de se fazer passar para divulgar falsidades. Quem o pratica, e imaginam-se as motivações, fá-lo-ia de qualquer modo, com ou sem internet.
Não tenho a solução, nem é sequer a minha área de trabalho, apenas constato e por isso escrevi o que escrevi. Mas uma coisa eu sei: entre dois males, escolho o menor. Ora para mim o menor mal é correr o risco de ser enganado com um texto falso atribuído a quem não o escreveu, nunca será perder a possibilidade de deixar de me manifestar aqui neste blog, onde fazemos o que fazemos, em liberdade e responsabilidade.
Grande abraço para si!