ENervados
Já sei que hoje terei menos leitores interessados aqui no blogue, porque vou falar de uma revista de poesia, a Nervo, e a maioria dos Extraordinários (termo que um dos comentadores inventou e foi pegando) já tornou muito claro que não lê poesia regularmente. Mas, como há outros que a apreciam (e eu aprecio-a muito!), venho então avisar esses que desde dia 2 já está disponível mais um número (o 21!) dessa revista que está aí para ficar e é dirigida por Maria de Fátima Roldão, ela própria poetisa. Desta feita, participam os espanhóis Antom Laia e Gabriel Insauti (este traduzido por Luís Filipe Parrado), os brasileiros Claudio Daniel e Lana Ruff, os portugueses Helder Macedo, João Paulo Esteves da Silva, Jorge Roque, Carlos Poças Falcão, Miguel Filipe Mochila e Rui Pires Cabral e ainda o angolano Zetho Cunha Gonçalves. Publica um texto sobre o poeta Ramos Rosa o ensaísta António Vieira e ainda teremos direito a poemas de e. e. cummings na tradução de Luís Pignatelli. Francisca Carvalho assina desta feita as imagens da capa e do interior. Leia-se poesia.

Ora, sou um dos tais que pouco lê de poesia!
ResponderEliminarMas não julguem que lhe sou insensível, ou a desprezo. Longe disso. Apenas não consumo ou leio regularmente, no entanto sigo o que se vai passando nessa área da literatura pois sou no geral interessado nela, como um todo.
A poesia faz parte desse todo, e é como um corpo: todas as partes têm de funcionar e estar de boa saúde, senão teremos um corpo deficiente, marreco, maneta, cego... careca - podem usar-se os termos que usei ou estão proibidos pela censura wook's de serviço?
Assim sendo, manifesto a minha satisfação pela saída da revista e desejo que continue, sinal de que esta parte do corpo está a funcionar bem.
Aqui fica o meu contributo:
A minha companheira
nunca se molha,
nunca se queixa
do calor ou do frio.
Ambos comemos juntos
em todas as refeições.
Se lhe ofereço comida
ou se lhe ofereço de beber,
ela recusa
– porque não é capaz
de o fazer sozinha.
A minha companheira
segue-me sempre
e faz exatamente o que eu faço:
– se ando,
ela anda;
se paro,
ela para;
se me sento,
ela senta-se;
se me levanto,
ela levanta-se;
se me deito,
ela deita-se;
se falo,
ela fala
– mas ninguém ouve
o que ela diz
– a minha sombra.
Zetho Cunha Gonçalves - Rio sem margem
Saudações poéticas cá desde a Cidade Morena.
Se calhar o título está mal aplicado... será?
ResponderEliminar"Enervar significa tirar a força física ou moral a; irritar; diminuir o vigor, a energia a; abater, deprimir, prostrar, debilitar, enfraquecer."
"Inervar significa fornecer nervos a; prover com fibras nervosas a certas partes do organismo; fazer nervuras em; comunicar actividade ou faculdade motriz."
Fica a reflexão!
Ler Poesia é deixar-se entranhar pelo fenómeno da multiplicação das palavras através dos sentidos, é permitir que os regos da vida se transformem em rios de pensamento, é ...
ResponderEliminarObrigada pela sugestão. Passei por aqui e ganhei Nervo.
ResponderEliminarDesconhecia a revista Nervo e sou leitora de poesia. Mas neste número da revista só escrevem homens?
ResponderEliminarTeresa B.
Que surpresa, logo pela manhã encontrar um poeta angolano que desconhecia: Zetho Cunha Gonçalves, com vasta obra publicada! E do Huambo, terra já de si tão inspiradora. Descobrir nova poesia é uma grande alegria que lhe agradeço.
ResponderEliminarE quem vale a pena ler em prosa e poesia de Benguela e Angola para além dos já conhecidos e publicitados? Pouco aparece por cá sobre novos talentos dos países africanos de idioma português.
Recebo cada novo número de uma publicação de poesia a DiVersos. Vou ver a NERVO de que a MRP nos fala.
Dos novos autores angolanos, só posso falar do Ondjaki, cujo romance "os transparentes" posso dizer que acho muitíssimo bom!
ResponderEliminarCreio que consegue encontrar nas livrarias este romance, que aconselho mesmo a quem se interesse pela actual Luanda!
Abraço benguelense!
Adoro poesia, muito obrigada pela sugestão, desconhecia a Nervo, vou tentar adquirir.
ResponderEliminarGabriel Garcia Marquez, no seu livro "A Aventura de Miguel Littín", refere que Pablo Neruda dizia aos seus amigos que a poesia é o antídoto para qualquer malefício. Estou convicto que ele tinha razão. A poesia obriga a uma profunda reflexão, cria hábitos de paragem, de interiorização, algo que a civilização actual abomina.
ResponderEliminarDavid Le Breton, na introdução ao seu livro "Du Silence", diz que "o único silêncio que a utopia da comunicação conhece é o silêncio da avaria, da falha da máquina, da paragem da transmissão...O pensamento exige paciência, deliberação; a comunicação é sempre feita com urgência...Na comunicação, no sentido moderno do termo, já não há lugar para o silêncio, há uma coacção da palavra, de ser obrigado a falar, de dar testemunho, porque a "comunicação" é tida como a resolução de todas as dificuldades pessoais e sociais".
No binómio poesia/silêncio encontramo-nos e aos amigos, aprendemos a compreendê-los e a compreendermo-nos e ganhamos o salutar hábito da tolerância, da temperança das palavras e desta espantosa coisa que é comunicar, ouvindo e calando.
Viva mais uma revista de poesia, a NERVO.
Manuel Dias da Silva
Ondjaki um jovem já conhecido. Os Transparentes já está na lista.
ResponderEliminarUm abraço !