Ler canções

Já tivemos um Nobel da Literatura que era, acima de tudo, um escritor de canções (e Leonard Cohen também já tinha sido indicado, segundo se sabe, ao mesmo prémio). Muitos revoltaram-se porque disseram que não se tratava de literatura, mas, por exemplo, o nosso Sérgio Godinho, além de contos e romances, tem realmente canções que são dignas de todos os elogios e prémios (uma das minhas favoritas é «Com um Brilhozinho nos Olhos»). Saíram já para o mercado vários calhamaços com as letras de Chico Buarque e Vinicius de Moraes (li-os todos!) e tenho guardado um volume menos ambicioso com as letras de Caetano Veloso, já antigo, salvo erro publicado ainda pelas Quasi. Em Portugal, saiu há pouco um livro de João Monge chamado Razão de Ser e Outras Letras, e o único senão é não ter todas as letras que ele escreveu, mas ser apenas uma selecção, embora abarcando um longo período, desde os Trovante até Kátia Guerreiro, António Zambujo, Helder Moutinho, Aldina Duarte e muitos outros. Leia estas canções do autor dos famosos «Lambreta» ou «Zorro», duas das minhas letras preferidas do volume, e vai ver que afinal até gosta de poesia. 

Comentários

  1. António Luiz Pacheco21 de março de 2024 às 01:54

    Vejamos, correndo embora o risco de asnear - para o que conto com a vossa Extraordinária complacência - vou pronunciar-me sobre o tema de escrever canções!

    Quem escreve canções, já ouvi chamar "cantautor", escreve! Primeiro ponto.
    Segundo ponto, as letras de canções são quase sempre poemas, puros poemas. Logo o seu escritor será por definição um poeta! Certo? Poeta é escritor...
    Tertio, e não menos importante: o escritor de uma canção, tanto escreve um poema como escreve uma história! Ou não é verdade? Quantas canções não são histórias cantadas?
    Nem é preciso procurar muito e já que se fala em Bob Dylan, "The Hurricane" é o quê? Ou no Extraordinário Sérgio Godinho de quem sou grande fão - é o masculino de fã, há que respeitar o género - cujas canções são quase todas histórias cantadas.

    Portanto, como não entender que se enquadre algum genial escritor de poemas-canções-histórias, na literatura? E premiá-lo nesse sentido?
    E se procurarem bem, há tantos exemplos, mas tantos, que me parece que o justificam.

    Saudações literárias, poéticas ou proso-coisas, cá da Cidade Morena.

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  2. Bom dia!
    Confesso que por muito que goste de um cantor ou cantora incomoda-me que durante um espectáculo o artista se "esqueça" de referir quem, de facto contribuiu para o seu êxito escrevendo as letras que canta.
    Tal como a MRP referiu as letras das canções são autênticos poemas.
    Atevidamente quero referir que foi na noite de 3 de Fevereiro, no Coliseu, que tive o prazer de a conhecer e de a cumprimentar, depois de termos ouvido o António Zambujo cantar as letras do Miguel Araújo e também as suas MRP.
    Relativamente ao Miguel Araújo refiro a letra da canção "Leva-me de mim". Outra história de vida.
    Para terminar e lembrando Nuno Júdice, ouçam as letras dos poemas deste poeta cantadas por Carlos do Carmo no disco "À noite".
    Neste disco cabem muitos outros poetas.
    Com bons poemas e poetas com um abraço.
    Daqui da margem esquerda do estuário do Tejo.
    A. Delfim

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  3. "Muitos revoltaram-se porque disseram que não se tratava de literatura".
    Se bem me lembro, a Maria do Rosário foi um desses "muitos".

    ChA

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  4. E o Leonard Cohen, esse sim, merecia-o...

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