Os guardiães dos livros

Hoje os mais velhos, como eu, queixam-se muito do desaparecimento da figura do livreiro, aquele que sabia claramente o que tinha na loja, a prateleira onde estava qualquer livro, conhecia os clientes e aconselhava-lhes novidades que chegavam de fora, dava sugestões quando uma pessoa perguntava o que haveria de dar a um menino de doze anos pelo aniversário... Hoje há cada vez menos livreiros assim, que lêem muito, que andam a par do que se vai publicando no mundo, que têm esse bichinho de não conseguir deixar de falar do livro que os entretém com os leitores que entram na sua livraria. Não sei se deram por que, na última sexta-feira, publiquei um excerto de um livro que constitui, grosso modo, um diário e as recordações de uma conhecida livreira do Porto, Dina Ferreira, fundadora da mítica Poetria. Ela é «uma das 60 pessoas que fazem do Porto uma cidade melhor», «uma das 400 escolhidas para terem um busto na Livraria Lello» e também uma promotora de eventos poéticos, mãe, avó, tradutora, enfim... muita coisa. O seu livro A Mais Bela Profissão do Mundo merece a leitura de todos os que adoram ler e sobretudo dos que esbarram nas livrarias com algumas criaturas que se vê logo que nunca leram um livro. Um excelente presente de Natal, atrevo-me mesmo a dizer, para dar a um bom leitor. A edição é da Poetria.

Comentários

  1. Extraordinário presente de Natal me dá, minha cara!
    Não conheço a senhora de quem fala, o que não admira, mas fico já a gostar dela.
    Vou lá acima à cidade, aproveito para procurar o livro. É por estas e por outras que vale a pena vir aqui a este espaço de leitores.

    Obrigado pelo seu esforço diário em nos dar sempre qualquer coisa.
    Saudações cá do Bairro Ribatejano, está fresco, bastante mais do que na minha outra terra, a Cidade Morena, porém na próxima madrugada parto por dois dias em jornada de trabalho na Finlândia, suponho que lá estará bastante mais frio e nem sequer vou ver o Pai Natal, bom, renas é possível que sim.
    Até Sexta!

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  2. O regime que vigora: contrata-se quem aparece a aceitar remuneração baixa.

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  3. Cláudia da Silva Tomazi19 de dezembro de 2023 às 09:12

    Ah, nem tanto de “nunca terem lido um livro” … Diria que Dona Arminda se lhe tornou inesquecível, guardiã. Assustada e confusa com uma dedicatória de “José Saramago” mas, foi mesmo ele?!

    Em outro episódio um “guardião de carteirinha” ofereceu-me um livro de Rosane Malta a ex-primeira dama (se isso é possível) do ex-presidente Fernando Color de Melo. Aquela sugestão me impactou. Eu, quê no meio de tanta bagunça do Sebo, horas escarafunchando havia encontrado lindas gravuras seculares. E, até hoje devem estarem por lá, extraviadas sem juízo. Não, não mereciam serem reveladas.

    Até um querido amigo dessa não me escapa… Euzinha, naquela imensa biblioteca lhe disse:
    - Sim, vou querer… tal título.
    Sentado em seu belo gabinete, adiantou a dizer que escolhesse outro. E que o livro em questão não seria possível por ser seu livro de cabeceira naqueles dias.
    It’s ok.
    Me vou a percorrer, tateando onde a leveza dos dedos no ensaio atômico do pensamento e de repente puxo, sem sobressaltos.
    Meu querido amigo: “game over”.
    - É este seu mimo de cabeceira?!
    Como guardião és uma bela “adaga”.

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  4. Recomendo duas livrarias onde se vive o espirito das antigas livrarias, uma exclusivamente dedicada à poesia "POESIA INCOMPLETA", e outra, genérica (com novos e usados), mas com muita poesia, a "SNOB". Encontra-se quase tudo, e até o 'quase', por vezes, aparece, procurando no mercado ou sob forma de sugestões alternativas. Gente simpática, competente, disponível. Visitem.
    Boas festas, feliz natal!

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  5. É um dos livros que escolhi, também, para oferecer este Natal. Gostei tantíssimo de o ler.

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  6. Já fui uma livreira assim :) e sim, fazem mesmo muita falta; até estranho as editoras não perceberem as perdas disso e não postarem numa formação para os livreiros, com gente a quem os livros fazem brilhar os olhos. Fica a ideia.
    Obrigada pela sugestão e por esses trabalhos tão nobres.

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