O Brasil em Portugal

Na semana passada foi anunciado mais um vencedor do Prémio LeYa (que é para romances inéditos em língua portuguesa). Nesta edição, concorreram mais de 900 livros vindos de muitos países do mundo, incluindo os Emirados Árabes, denotando que aí vive algum escritor  ou escritora de língua portuguesa; só obras enviadas do Brasil foram mais de 500! E, pela terceira vez em quatro anos (durante o ano da pandemia não se atribuiu o prémio), a obra vencedora foi justamente de um autor brasileiro. Depois de Itamar Vieira Junior (que começou com o Prémio LeYa a sua jornada de sucesso, tendo vendido só no Brasil mais de 700 000 exemplares de Torto Arado, hoje vendido em mais de vinte países), Celso Costa venceu com um romance que evoca a importância da educação intitulado A Arte de Driblar Destinos e, há dias, foi Victor Vidal o autor de Não Há Pássaros Aqui (que terei o prazer de ler pela primeira vez não tarda). Curiosamente, a última edição do Prémio Literário José Saramago contemplou a obra de outro brasileiro, Rafael Gallo, Dor Fantasma; e até o recentíssimo Prémio Armando Baptista-Bastos, instituído pela Junta de Freguesia de Santa Maria Maior em Lisboa e cuja primeira edição aconteceu este ano, foi dado a um jornalista brasileiro residente em Portugal há vários anos, Álvaro Filho, com o livro Disfarça, Que Lá Vem Sartre. É o Brasil a fazer das suas em Portugal!

Comentários

  1. Vou ser MUITO desagradável, pedindo desde já compreensão para o que vou dizer (não peço desculpa, pois não se pede desculpa por ter opinião, mesmo que errada):
    - O Brasil tem colonizado culturalmente Portugal. É um facto indesmentível, e, a responsabilidade é da dita gente da cultura portuguesa que assiste e apoia, embasbacada com tudo que vem dali, desde o negregado acordo ortográfico a tudo o que se possa imaginar - o Carnaval com mulatas semi-núas entendo perfeitamente mesmo que com temperaturas próximas do negativo. Os nosso "cultos" e os artistas portugueses endeusam o Brasil pura e simplesmente.
    - Não me admira! Porque de facto a cultura e a arte brasileiras, têm uma dimensão e força, merecidas, e, vêm-se afirmando. Há apoio, promoção, investimento para ela. Ao contrário de Portugal, onde não se investe nem desenvolve a cultura. Os secretários de estado ou ministros são escolhidos pelas opções sexuais e mais pelo apoio ao movimento homo do que pela sua esclarecida cultura pessoal ou aquilo que por ela façam, salvo raras excepções, mas sendo obliterados pelo orçamento. Políticos e os partidos não ligam meia à cultura, pior são contra ela, são uns broncos incultos e completamente pirosos, na sua quase totalidade e basta ver como se apresentam, os cortes de cabelo, as roupas, as posturas, os físicos...
    São uma cambada de burgessos, de toscos, para quem cultura é quando muito falar bem, sendo este "falar bem" usar um discurso pomposo e emproado, cheio de termos técnicos modernos e incompreensível, como verdadeiros "ambaquistas" (quem tenha curiosidade vá ver o que é, tem a ver com a missão da Ombaka em Angola).
    - Portanto, não me admira mesmo nada que a cultura brasileira supere a nossa, que é pobre, frágil e não é por nós defendida. Honra portanto, ao pessoal da cultura e aos autores brasileiros, pela sua excelência! Vergonha para os defensores do AO e dos que buscam abrasileirar-se em termos culturais - confesso que não como feijão preto
    - Reafirmo que sou apreciador da literatura latino-americana e americana em geral. Portanto dos escritores brasileiros, sem qualquer dúvida, mesmo não gostando de arroz de feijão. Raramente encontro entre os escritores portugueses quem me agrade, sobretudo entre os ditos "consagrados" promovidos pelas editoras e que dominam por completo o panorama nacional, indevidamente quanto a mim, que não gosto do que escrevem. Lá aparece de longe em longe uma lufada de ar fresco que consegue quebrar a barreira e me surpreende. Mas são poucos. Demasiado poucos.
    Em compensação a terra de Vera Cruz vai produzindo autores, como se vê.

    Prontos... já disse o que tinha atravessado, estou pronto para ser lapidado!
    Quero lá saber, na próxima madrugada vou para o Tômbwa, estarei a salvo pela distância e mau caminho.

    Saudações colonizadas cá da Cidade Morena, e, parabéns aos autores brasileiros que muito aprecio ler - não tenho complexos de colonizado, graças à Senhora do Pópulo!

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  2. Excelente, Paxeco!

    O AO é uma vergonha digna daqueles que estão sempre prontos a dobrar a espinha, sempre prontos, por um prato de lentilhas, a fazer negócio.
    É quem nem o Presidente da República MRS (um professor) se dignou dar uma palavra sobre este vergonhoso acordo que sujou, desrespeitou, vilipendiou, vendeu a língua portuguesa, a língua de Camões, a língua de Pessoa; os Miguéis de Vasconcelos estão sempre à espreita da oportunidade de bicar!
    É um fato...

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  3. Dos prémios literários
    As estratégias comerciais e de negócio das empresas privadas, podem ter um escrutínio crítico, mas a legitimidade da gestão, mesmo que estranha e fora do nosso entendimento, é soberana por ser assunto privado.
    A gestão de um negócio, não é boa nem é má, é o que é, e flui no sentido do interesse dos seus investidores e membros do Conselhos de Administração.
    O que está certo para o negócio do abacate, como para o da edição de livros.
    Se uma editora cria um prémio literário, o regulamento desse prémio, delimita as regras desse concurso, e aceita-as quem as quer aceitar, e mesmo que alguns membros do júri sejam jurássicos e já não consigam ler um livro entendendo-o, se se aceita assim, aceita-se assim.
    Quando esse prémio tem por objectivo agraciar uma obra de ficção literária (já de si difícil de clarificação), escrita em língua portuguesa, aberta ao concurso de todos os autores sejam eles oriundos de Vila Nova da Baronia, ou do sítio mais profundo do Pantanal, seja lá o “escrito em português”, o que isso quer dizer e representar, o que parece óbvio é que se pretende, no interesse do negócio, vir a atingir o maior número de leitores consumidores para optimizar o negócio da venda de livros. O mundo está contaminado de maus livros que ganharam prémios e honras.
    Somos um país mínimo, em leitores consumidores frequentes de livros, e na timidez de valorizarmos a nossa criatividade. Por cá o negócio anda tíbio, e segue o fluxo do rasteiro, que eleva ao Olimpo, os cantores pimbas, os comentadores pimbas, os pintores pimbas, os escritores pimbas.
    O verdadeiro negócio está nos milhões de leitores, ainda que muitos sejam pimbas, nos países da lusofonia (cheira-me a falso esta palavra), ainda que leiam e exultem com “remakes literários”, já anteriormente escritos e melhor escritos, por grandes escritores já falecidos.
    Não interessa absolutamente nada a ninguém e muito menos as editoras privadas, se temos uma literatura contemporânea de qualidade, emergente, urgente, o que seja. Alimenta-se a mesma meia-dúzia, num circuito interminável de pescadinha de rabo na boca, sem espaço para outros, fora desse “mainstream” feudal controlado pelos do costume.
    O interesse está no negócio, e se o que vende são novelas bacocas e repetitivas de uma ruralidade brasileira, já tantas vezes contada, faça-se desse produto um bom marketing, e venda-se até à exaustão que é isso que interessa, para o negócio.
    Quando o argumento de que a obra foi traduzida para 30 países e tem vendas que rondam o milhão, por isso e só por isso, é uma obra-prima, é como aquele exemplo que diz tudo, da escritora Valérie Perrin que vendeu os seus livros como batatas quentes, e afinal estão carregados de amido simplista que não é nada saudável para a nossa saúde, porque não alimenta com a centelha criativa que se pede para sonhar literatura e arte.
    Vivemos tempos em que a contaminação do espaço público dificulta o filtro e a clarificação dos juízos e das escolhas. Vivemos tempos em que ninguém virá corajosamente para a praça pública defender (e vender) a boa literatura portuguesa assim como ninguém defende a bela laranja do Algarve, contra a desinteressante híbrida, mas barata, laranja das planícies andaluzes.
    Posto isto, vou ali e já venho, porque a minha opinião vale o zero do meu anonimato. E com muita pena minha não estou nesse grupo esotérico e elitista da pescadinha de rabo na boca.
    Luis Robalo

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  4. Cláudia da Silva Tomazi20 de novembro de 2023 às 08:24

    Resta o reconhecimento comercial aos editores portugueses. É inegável que fazem de Portugal, vetor em afinidades, número e qualidade no cenário europeu. O tal “pimba” só aceita visibilidade enquanto concorre a causa dos acertos. Ora, os números nos trazem a luz, por todos os lados. Parabéns. Bater na porta o prestígio, se lhe exige muito talento. Por outro lado, estica-se a corda de homogeneidade com desafios em agregar valores. Onde inegavelmente os escritores brasileiros acima citados e não é segredo para ninguém, dão um banho de metáforas.

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  5. Cláudia da Silva Tomazi20 de novembro de 2023 às 09:15

    Caro António Luiz, há quinhentos anos aqui vos chegaram e essa gente, andavam todos nus. Emitiam sons: ô, uê. Franzinos e canibais. Eram os nativos, indígenas do Pindorama. As caravelas trouxeram conhecimento e também, o povo de África. A pátria nasceu no meio do mato, no meio dos bichos, em meio à desafios diários, forjado pelo suor do desbravamento. Se hoje há literatura, essa voz que define as garras de um Brasil compacto da cultura e da civilização são ou é somente por convergirem da Língua Portuguesa. Não há como dissociar ou descaracterizar este apadrinhamento. É muito além, de gostos ou desgostos. Em nada deves desculpas por tentar (dia após dia) construir pontes solidárias com vossa opinião. Ofensa seria, talvez a falta de zelo. Ou, do respeito com quem se lança através da escrita, em lhe deixar o bom grado a leitura. O maior exercício humano de civilidade nestes quinhentos anos foi a escrita ter viajado léguas em papéis feito memória de um tempo outro.

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  6. Vou ser extremamente desagradável: Idiota

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  7. Cláudia da Silva Tomazi20 de novembro de 2023 às 11:02

    Anonimato não tem batismo, nem pudor. Não tem naturalidade. Não tem verve.

    Em nada a Gramática é ingênua. Há regras e letras para existência. Somente a identidade tem “o poder de gerar” agrado ou desagrado. Um trocadilho qualquer nem tem função quando fazem da própria “Anarquia” paspalhona.

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  8. É possível... mas epíteto carece de explicação que o demonstre, coisa que não é feita.
    Lançar assim um insulto, anónimo e sem consubstanciação é apenas parvoíce.

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  9. Se mais de 50% das obras enviadas a concurso eram de autores brasileiros, pela teoria das probabilidades tinham mais "chances" de ganhar o prémio. A população brasileira ultrapassa os 200 milhões; sozinhos são mais que toda a restante lusofonia... contas feitas, é natural que fossem a maioria.
    Contas à parte, o investimento de Portugal na Cultura é muito curto. Vivemos (aqui e em todo o mundo ocidental) no primado do utilitarismo, e a "utilidade" da Cultura não é imediatamente perceptível.

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