Ler com a empresa

Há muitos anos, abri conta num banco por ter visto num jornal um anúncio desse banco para gestores de fundos de investimento, em que se dava preferência, entre outras coisas, a quem gostasse muito de ler. Geralmente, as empresas querem que façamos bem o nosso trabalho, mas não se costumam preocupar com a nossa cultura ou as nossas leituras (excepto se forem editoras, e mesmo assim...). Li por isso com agrado a notícia de que o El Corte Inglés põe os seus funcionários a ler. Com a colaboração do Plano Nacional de Leitura, criou um Clube de Leitura virtual que já vai no terceiro ano. Começou timidamente com pouco mais de 40 participantes e, no ano passado, passou as três centenas de leitores! Segundo um comunicado do ECI, a empresa, através desta iniciativa específica, quer contribuir para «o desenvolvimento intelectual e criativo e promover o sentido crítico dos participantes», porque ler também serve para aumentar o vocabulário e aperfeiçoar a comunicação, coisas importantes no atendimento aos clientes e quando se tem de falar com muita gente ao longo de um dia. Os livros do clube têm visado sobretudo autores portugueses ou estrangeiros que vivem em Portugal. Uma bela ideia que espero continue a dar frutos.

Comentários

  1. Excelente ideia. Espero que continue a frutificar e seja contagiante para outras empresas ou pessoas. Tenho procurado fazer alguma coisa semelhante, na área da poesia, através do e-mail. Este ano tenho enviado, todos os dias, um poema a cerca de 80 pessoas, subordinado a tema: Miguel Torga e o Natal (Janeiro); o Natal de Jorge de Sena e outros poemas deste autor (Fevereiro); Março Mês da Mulher (Março); 25 de Abril: A Cor da Liberdade (Abril); Maio Mês da Mãe (Maio). Espero continuar com Luís de Camões: Obra e Retrato (Junho), depois talvez o Mar, a Ciência, a Água e o que mais adiante se verá
    Em Março lancei um desafio para que fazer uma Antologia Partilhada: cada pessoa enviar-me-ia um poema, à sua escolha, durante três meses, e assim atingiríamos um conjunto de vários milhares de poemas. Infelizmente só quatro pessoas assumiram, na totalidade o repto. Partilharemos uma antologia com 400 a 500 poemas, o que é bom.
    Boas leituras
    Manuel Dias da Silva

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  2. Se outras empresas seguissem o exemplo do El Corte Inglês (não apenas o citado no post, há outras propostas), parece-me que se dava um passo em frente no campo da leitura e da cultura geral dos portugueses. É um bocadinho triste que seja uma empresa estrangeira a fazê-lo e a ser exemplo.

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  3. António Luiz Pacheco8 de maio de 2023 às 03:22

    Bonita iniciativa sim, mas, porém, todavia, contudo, lembro o adágio: De boas intenções está o Inferno cheio!
    Porque digo isto, pois porque para mim é conversa fiada.
    Digo-o como antigo quadro de duas grandes empresas, uma das maiores de Portugal e a outra uma multinacional.
    São operações de charme, fica-lhes bem... lembram-me as modelos que se declaram contra a caça à baleia, mas são patrocinadas por marcas de cosmética que são os principais utilizadores dos produtos derivados da baleia. Não sei se é ignorância ou hipocrisia. Nas empresas há igualmente esta preocupação de parecer bem, são contra a caça (a Renault teve mesmo de se retractar pois a perda de vendas teve um impacto imenso, dado que o génio da imagem olvidou que há milhões de caçadores na Europa), outras são contra isto e a favor daquilo, camuflando as suas práticas depredatórias ...
    Mas, fica bem, é estratégia, apresentar estas intenções para dar a idéia de que se preocupam com o tema. Até preocupam, pois também vendem livros, só que seja feito nas horas livres e nem pensar em reduzir carga de trabalho ou dar aos funcionários as hipóteses de se dedicarem ao que não seja o trabalho, objectiva e exclusivamente.
    Portanto, desculpem-me a expressão: é conversa fiada!

    Mas presunção e água benta cada qual toma a que quer... a mim não me impressionam e não determinam o consumo, conheço os truques que aliás usei e até criei alguns eu mesmo!

    Saudações e votos de uma boa semana, cá desde a Cidade Morena.

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  4. Excelente iniciativa do El Corte Inglês.
    Também a sua, Manuel Dias da Silva é de louvar só que, infelizmente, confirmou a cultura actual: dá trabalho, logo esquece, varre para canto...lema muito utilizado na actualidade!

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  5. Admirável, sem dúvida. Felizmente também já encontramos empresas nacionais com práticas culturais. São poucas, por enquanto, mas dão-me esperança.
    O Grupo DST, de Braga, p.ex.:
    .Principal mecenas da Feira do Livro de Braga.
    .Atribui anualmente o Grande Prémio da Literatura dst.
    . Desenvolve continuadamente a sua política de apoio aos livros e à leitura, através da oferta de livros e da edição da newsletter do grupo. Esta é preparada contando com o contributo ativo dos colaboradores, que participam através do envio de artigos, sem restrição de temas ou géneros literários. Adicionalmente, o grupo promove ainda a leitura através da oferta de livros para bibliotecas escolares, para além de disponibilizar internamente, na sua biblioteca, todo o tipo de obras literárias para usufruto dos colaboradores.
    No dia de aniversário, é também oferecido a cada trabalhador um livro, uma iniciativa que já foi estendida aos alunos de três agrupamentos de escolas do distrito de Braga.

    https://dstsa.pt/sobre-nos-2/responsabilidade-social-e-ambiente-/

    nota: não conheço a empresa nem ninguém que lá trabalhe. Soube da circunstância através de uma notícia da CS.

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  6. vejo-me surpreendido...tinha a ideia que os recursos humanos nas empresas sao intelectualmente superiores ás necessidades das empresas.
    A inicitiva mal nao faz, alias como o post esclarece e é crivel.

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  7. Teresa Palmira Hoffbauer8 de maio de 2023 às 15:03

    Faço minhas as palavras do António Luiz Pacheco.
    É simplesmente para „inglês ver“
    E quem vai nessa conversa fiada, é mesmo o culpado.

    Saudações das margens do rio Reno.

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  8. Rosa Cláudia Gonçalves10 de maio de 2023 às 03:25

    Faço minhas as suas palavras!

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  9. Rosa Cláudia Gonçalves10 de maio de 2023 às 03:31

    Obrigada por divulgar, é bom saber que estas iniciativas existem, que ainda há quem se preocupe em “ensinar a pescar”! 📚

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