Os filhos (maus) dos escritores
Quando se fala da família dos escritores, quem normalmente vem à baila são as viúvas... Nem sempre, ainda por cima, pelas melhores razões, já que algumas delas dependem dos direitos de autor dos falecidos para viver e gerem-nos ao tostão como quem conta os trocos na mercearia, para garantir que não são enganadas. Quanto mais sucesso têm os autores (como Jorge Luis Borges, só para dar um exemplo), piores costumam ser as viúvas (a dele parece que não é uma pessoa fácil). Mas hoje falo dos filhos dos escritores, que são raramente mencionados, a menos, evidentemente, que se tornem também eles próprios membros do ofício (há vários). E falo disto porque, há muitos anos, conheci uma filha de Paul Auster que era cantora, Sophie, embora nessa altura ainda estivesse a dar os seus primeiros passos na carreira. Não sabia que o escritor tinha mais filhos, mas a imprensa revelou recentemente que tinha um filho mais velho. Este filho foi, imaginem, acusado de matar a filha de dez meses com uma overdose de heroína, antes de ter sido ele próprio encontrado morto com uma overdose no meio da rua. Caramba! Conheço alguns escritores que tiveram filhos difíceis e problemáticos, mas nunca pensei que a um autor como Auster acontecesse uma tragédia destas. A realidade, pelos vistos, superou a sua ficção...
É muito provável que as pessoas com notoriedade e carreiras artísticas (que precisam de solidão...), tenham mais dificuldade em dar a atenção devida aos filhos e que estes se sintam colocados em segundo plano, e por isso escolham a pior maneira para chamar a atenção....
ResponderEliminarTodos nós que somos pais, sentimos que erramos praticamente todos os dias, por isso...
Direi mesmo mais: sendo os autores muitas vezes eles mesmos pessoas com problemas, porquê admirarmo-nos que os eventuais filhos o sejam também?
ResponderEliminarNão é ficção, é a realidade penso eu.
Confesso que salvo raras excepções nem por isso me interesso pelo drama familiar dos autores, mas sim pelo seu percurso, a sua vida, cuja familiar deixo para as revistas da especialidade.
Claro que existem autores que são pessoas equilibradas, nem por isso perturbadas, cujos filhos o são igualmente, também conheço alguns casos destes!
Uma Extraordinária semana para todos, são os meus votos cá da Cidade Morena.
Concordo absolutamente com o seu comentário, António Luiz Pacheco, desejando-lhe uma semana extraordinária. Saudações da leitora de Düsseldorf para a Cidade Morena.
EliminarEu não diria que o filho do primeiro casamento de Paul Auster era „mau“.
ResponderEliminarNão sabemos as circunstâncias porque se drogava. Talvez falta do apoio do pai.
Bom dia. Excelente tema. O digo esclarecedor, realialista post; além de corajoso. A sensibilidade é algo nem sempre estimado enquanto o desejo se lhe exige de um lado a perfeição de outro o cobra preço altíssimo. Simplificar característica(s) de tutano às de um lar ocasionalmente o drama familiar. As mulheres de escritores são "foda" minhas congratulações a elas.
ResponderEliminarÉ uma cena lamentável o retiro ou isolar-se e aos filhinhos àquela liturgia diária em provação. Natural desencadear ondas de cobrança do cônjuge, macerando talvez, necessidade por ligarem-se com mundo de acontecimentos dissonantes.
As reais circunstâncias sob quais nasce um bom livro só Deus as sabem-na. Há páginas de sangue em (ditas) sólidas biografias.
Abraço cá deste lado do Atlântico
Não há filhos maus de bons pais.
ResponderEliminar(No Estado Novo, por acaso, "havia", mas a expressão servia para caracterizar filhos de pais do regime que lutavam contra o dito)
Acho apenas hediondo um pai que mata a filha bebé com uma dose de heroína. Seja filho de quem seja, é um criminoso e nem me interessa se foi a droga a causa da monstruosidade. Tenho pena de Paul Auster, ter um filho destes é superior desgosto. O que está em causa são as pessoas e o respeito que se lhes deve só por esse facto. Pergunto-me até onde vai o poder do mal em cada homem. Ou a perturbação mental.
ResponderEliminar«O respeito que se lhes deve» deve ser recíproco. Exige-se sempre que os filhos respeitem os pais. Mas muito menos que os pais respeitem os filhos. Isto é essencial e deve vir primeiro!
EliminarNão sei se foi este o problema de Paul Auster em relação ao filho. E é claro que o crime do filho é hediondo. Mas nada do que se faz é por acaso. Não há nada que venha do nada.
Pois é será verdade, mas a maioria metia cunhas para não bater com os costados na Guerra Colonial e conseguiam, não precisavam de fugir para o estrangeiro, nem serem refractários á tropa! Graças aos paizinhos !
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