Memória e especulação

Em plena Baixa do Porto há uma rua icónica com uma fiada de prédios, onde os modos tripeiros convivem com a música dos artistas, a sinfonia das obras, a vozearia dos bares e os bandos de turistas curiosos. É numa dessas casas que vive a octogenária Piedade desde que se lembra e onde tem amigas de longa data. Mas o terror instala-se quando – ofuscados pelo potencial deste Porto Antigo – os proprietários e investidores não olham a meios para se livrarem dos velhos inquilinos. Neste cenário tenso e desumano desenrola-se a história de Três Mulheres no Beiral, que é também a de uma família reunida por força das circunstâncias, mas dividida por sentimentos e interesses: Piedade, que trata a casa como gente; o filho incapaz de se impor e tomar decisões; a neta que regressa ao lugar onde foi criada para reviver episódios marcantes do seu passado; e o neto egocêntrico e conflituoso que sonha ser rico desde criança e a quem a venda da casa só pode agradar. Com personagens extremamente bem desenhadas num confronto familiar que trará ao de cima segredos que se pensavam esquecidos e enterrados, a autora, Susana Piedade, mantém tudo em aberto até ao final neste texto notável e de rara humanidade que foi finalista do Prémio LeYa em 2021. Sai hoje.


capa_tres_mulheres_no_beiral.jpg

Comentários

  1. Cláudia da Silva Tomazi10 de maio de 2022 às 04:17

    Bom dia. De modo a parafrasear o tema nem poderia deixar de comentar, pois se de uma lado me é tão presente o nome de Susana Piedade por outro creio também, o "spoiler" deste livro ter em comum a realidade de (muitos) brasileiros. Eu, desde muito à percorrer as mais diversas nuances em perfis ou de variados assuntos em Portugal entre outros países, digo entre Facebook e Blogs; há muito percebi Susana Piedade ser uma querida escritora em participar nestas plataformas com grande estima e relação de afinidade na atenção com leitores. Meu perceber esta dinâmica a longa data inclusive favorece apetecer a obra e gostaria muito de a ler e posto a soma, dois títulos com "As histórias que não se contam".

    Parabéns Susana Piedade e beijo, vos espero com gosto deste lado do Atlântico, Brasil.

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  2. António Luiz Pacheco10 de maio de 2022 às 05:00

    Confesso que desconheço a autora.
    No entanto acho interessante o tema e o que nos é proposto no post de hoje, creio até que espelha uma realidade factual hodierna.
    Tendo sido finalista de um prémio a que se diz terem concorrido 700 obras... é caso para dizer que é obra!
    Seja como for, envio daqui da Cidade Morena os meu votos de sucesso e desejo as maiores felicidades á autora.

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