Em forma de assim
Apesar de muitos dos nossos cineastas adaptarem obras literárias (Luís Filipe Rocha está neste momento a rodar O Teu Rosto Será o Último, de João Ricardo Pedro, por exemplo), João Botelho é talvez o realizador português mais obviamente ligado à nossa literatura. Não podemos esquecer que o seu percurso, desde os anos 1970, com Conversa Acabada (sobre a amizade que ligava Pessoa e Mário de Sá-Carneiro), incluiu numerosos filmes rodados a partir de grandes livros da literatura portuguesa, como o Filme do Desassossego, Os Maias ou Peregrinação. Agora, Botelho foi, porém, ainda mais longe e partiu da biografia de Alexandre O'Neill escrita por Maria Antónia Oliveira para rodar um filme sobre esse poeta maior da literatura portuguesa que foi também um grande publicitário. Ainda não fui ver o recém-estreado trabalho, mas os pequenos excertos que a TSF tem transmitido antes dos noticiários a anunciar este Um Filme em Forma de Assim indiciam algo muito interessante e remetem imediatamente para o nosso O'Neill no seu melhor. Vamos ver?
Não sou por norma espectador de cinema português... porque pura e simplesmente não gosto! Enfim, estou no meu direito.
ResponderEliminarSão raras as excepções, mesmo muito raras. Normalmente também não gosto de cinema espanhol nem francês, devo dizer e para que não pensem que é só o português.
"O teu rosto será o último", não gostei do livro, portanto não gostarei do filme que não vou ver. No entanto desejo sucesso ao empreendimento.
Não gosto de dizer mal por dizer, mas, está dito! Pronto, às vezes sabe bem.
Em compensação li que um brasileiro vai usar "Pão de Açúcar" do nosso Afonso Reis Cabral para um filme, li e gostei bastante da entrevista ao autor.
Saudações cinéfilas cá da Cidade Morena!
Bom dia António Luiz.
EliminarEu gosto de uma boa parte do cinema português (nos anos oitenta e noventa via quase tudo o que se fazia, por isso sei que muitas críticas que se fazem, são de quem apenas deve ter visto um filme ou dois portugueses).
Embora já tenha lido o livro há uns bons anos, penso que aborda o acidente de comboio de Alcafache (não vou consultar nada, mas é a ideia que tenho), pelo que tem matéria de sobra para se fazer um bom filme. Até porque os filmes não são como os livros (vou falar disso no meu "Largo"...). Pode-se acrescentar algum mistério e suspense, que resultam sempre no cinema.
E gostei do livro, muito mais que da obra premiada do Afonso. É assim. E ainda bem. Era uma chatice sairmos à rua todos de amarelo. :)
Completamente de acordo, no que toca ao amarelo, eheheh!
EliminarNo resto... tentei ver cinema português muitas vezes, insisti, mas não faz mesmo nada o meu género - nem o francês e nem o espanhol, já agora. Não confunda "O teu rosto será o único" com "Um postal de Detroit", o outro, que fala do desastre de Alcafache!
Do Afonso R.C. de quem sou fã assumido, gostei muitíssmo de Pão de Açúcar, que tanto quanto sei não foi premiado... é desse que vai ser feito um filme, mas no Brazil.
Grande abraço e viva o amarelo!!!!
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Grato pela correcção, António Luíz.
EliminarMas lemos tantos livros que é impossível guardar todas as histórias que têm dentro de si...
Sim eu sei. Não li o "Pão de Açucar" mas penso que é o livro que aborda o drama da Gisberta, também pode dar um bom filme...
Também estou muito curioso, pelo que tenho lido, pelo realizador, mas sobretudo pelo poeta. O' Neill é um caso especial da nossa poesia, pois também aqui foi um "desalinhado" (e ainda bem).
ResponderEliminarSinto-me feliz de ver Lisboa "engalanada" com outdoors dedicados ao cinema português! É sintomático de que a Cultura já não aguenta o espartilho da pequena audiência. Assim se mantenham e incrementem os apoios ao cinema independente!
ResponderEliminarIrei, pois! Já contava ir ver este filme, e agora, com esta nota de enquadramento, fiquei ainda mais em pulgas! :)
Gostei de "Um Adeus Português". Também rodou a partir de Agustina "A Corte do Norte" e a partir de Saramago "O Ano da Morte de Ricardo Reis". Com base em obras estrangeiras fez "Tempos Difíceis" (Dickens) e "O Fatalista" (Diderot).
ResponderEliminarBom dia. Não sei se há distância e alguns dizem a ter do estúdio cinematográfico ou do cinema; talvez algo surreal ou da mistificação. Despede-se a torrente se lha haver a Palma de Cannes, o Quiquito de Gramado ou até, indicação do Oscar... Assim tudo deslancha (meu amigo Ethan que o diga). Eu, digo mais: as pessoas reconhecem o filme e o diretor, a arte e os atores, seja o roteiro em quaisquer indicação fixa o gracioso e irretocável. A magia do cinema está na grande tela a “sétima arte”.
ResponderEliminarCá euzinha, há tempos rondaram-me proposta(s) de fazerem filme com meu meu livro, outra de escrever o roteiro de um famoso padre holandês, coisa que se lhe exige preparo e eu, obviamente discordei desses dois projetos e outros tantos. Arte há que se decantar pá; com excelentes profissionais escritores e diretores a capacidade de transformarem a cidade, a paisagem, sorriso ou lágrima, em algo inesquecível.
Parabéns João Botelho e tudo de ótimo a si!
Que me lembre só gostei mais de um filme do que do livro (12 ANOS ESCRAVO).
ResponderEliminarAté poderá ser presunção minha mas penso que "PÃO DE AÇÚCAR" tem tudo para ser outras das excepções -filme ser melhor do que o (este) livro-.
Não desgostei do livro, contudo, ficou um pouco aquém das minhas expectativas e creio que este jovem escritor (foi o seu 2°.livro) poderia ir muito mas muito mais além, pois praticamente não "explorou" nenhuma daquelas ricas personagens (cheias de história) que mesmo tão meninos conseguiram ser de uma crueldade absoluta, diria mesmo animalesca (e isso sente-se pouco no livro). O Afonso Reis Cabral (parece-me que tem tudo para ser um grande escritor) não nos deu a conhecer (a sua história, onde e como viviam, quem eram) praticamente nenhuma das personagens, nem tão pouco fiquei a conhecer aquela grande e extraordinária personagem (Gisberta), todos são dados a conhecer pela "rama" ou seja delas (personagens) é feito apenas um retrato "à lá minute".
Um livro de 258 páginas que, muito apertadinho, caberia num de 600. É uma história que tem todos os ingredientes para isso e poderá dar mesmo um bom filme e, quiçá, poderá dar ainda um outro bom livro.