Novos romances
Amanhã sairá para os escaparates o novo romance de Isabel Rio Novo, Madalena, que é o primeiro livro que lanço este ano. O romance recebeu o Prémio Literário João Gaspar Simões, concedido pela Câmara Municipal da Figueira da Foz, e é um texto notável sobre a doença e os seus efeitos no indivíduo, bem como sobre a família e o que, em cada um de nós, é construído pelos que vieram antes. Enquanto se submete a tratamentos para um tumor, uma jovem professora ocupa os longos dias a examinar papéis, retratos e cartas dos bisavós, encontrados num velho armário de livros que outrora lhes pertenceu. É assim que vai desvelando a história dos dois, envolta em mistério, na qual a traição, o ciúme e a tragédia são os ingredientes principais. Álvaro Amândio, o bisavô culto e ensimesmado, mas sobretudo Madalena Brízida, a bisavó sedutora, enigmática e talvez cruel, vão ganhando contornos diante da jovem mulher, à medida que ela própria se vai descobrindo, nos seus amores do passado, nos seus sofrimentos recalcados, talvez até nas razões para ser como é. Assinado por uma das grandes vozes da ficção portuguesa contemporânea, aqui está então Madalena, para quem o queira descobrir.

Li em seu tempo, O rio do esquecimento.
ResponderEliminarLembor-me mais das razões porque o li do que do livro em si, a saber, os encómios de Mário Cláudio (cuja opinião muito prezo, excepto o seu desprezo pela cinegética) e a curiosidade pela atribuição do Prémio Leya, além e principalmente por gostar de ler, é claro!
Gostei, porém não "treslouquei", um dia explicarei melhor porque nem tenho o livro à mão para reforçar ou justificar a minha opinião, e reavivar a memória. Porém achei uma escrita pouco convincente, menos madura talvez. Isto é a autora pareceu demasiado jovem e pouco vivida para pretender escrever sobre, ou descrever, a vida do século XIX ou XVIII (já não me recordo), fazendo-o com "tiques" de uma actualidade moderna que se sentia - eu pelo menos senti. O que descredibiliza a narrativa, sem lhe retirar as muitas outras e boas qualidades que lá estavam.
Isto é uma opinião de traça dos livros, evidentemente. Arrisco a levar uma "dundunzada", o que será até bem feito pois quem me manda esvoaçar por aqui, atraído pelo brilho?
Mas na verdade não me ficou vontade de voltar a ler a autora, tinha e tenho muitas outras prioridades e senti que cumprira, lera-a!
Entretanto pelo que tenho seguido - as traças andam sempre atrás da luz, com bem se sabe! - a Escritora tem brilhado e alcandorou-se a altos níveis, aqui sendo aliás muito celebrada pelos Extraordinários.
Achei interessante o tema proposto, no seu novo romance. É algo à minha medida.
Lá terei de a ler, helás. Eheheheh!
Congratulo-a pelo novo lançamento e pelo prémio, embora estes para mim estes se tenham vulgarizado de tal forma, que me parece que já nem se edita nada que não tenha sido premiado nem que seja pela Associação dos Regantes do Sorraia ou o Ateneu Comercial de Alguidares de Cima. Parece que aquele conselho que por aí se falou, tem sido seguido à letra, pelos autores e pelos premiadores que também proliferam.
Não me levem a mal!
Votos de sucesso à Isabel Rio Novo, é o que lhe mando desde a Cidade Morena.
Paxeco a TUA opinião é (para mim) sempre brilhante; obviamente que nem sempre comungo das mesmas mas leio-as sempre com muito interesse, como, aliás, a de todos os extraordinários -é gente que gosta de livros e por isso é meio caminho andado-
EliminarJoão Gaspar Simões
ResponderEliminarNasceu em Figueira da Foz, Portugal, em 25/02/1903. Advogado, bibliotecário, editor, escritor, dramaturgo e crítico literário dos mais destacados na língua portuguesa. Em 1927, juntamente com Branquinho da Fonseca e José Régio, fundou a revista “Presença”. Foi bibliotecário da Imprensa Nacional e diretor da Portugália Editora, tendo editado os primeiros quatro volumes das Obras Completas de Fernando Pessoa. Seu primeiro livro publicado foi uma coletânea de ensaios – Temas -, que saiu em 1929. O primeiro romance – Elói ou o romance numa cabeça – saiu em 1932 e ganhou o Prêmio da Imprensa. Igualmente premiada foi a sua biografia Eça de Queirós, o homem e o artista (1945).Outras obras: Romance - Uma História de Providência, Pântano, Amigos Sinceros, O Marido Fiel, Internato. Teatro - O Vestido de Noiva, Marcha Nupcial. Ensaio - Novos Temas, Velhos Temas, O Mistério da Poesia, A Arte de escrever romances. Biografia - António Nobre, precursor da Poesia Moderna, Vida e Obra de Fernando Pessoa, Garret, vida e obra, Antero de Quental, vida e obra, Júlio Dinis, a Obra e o Homem, Camilo Pessanha, a Obra e o Homem. Crítica - Crítica (4 vols.), História da literatura: História da poesia portuguesa (3 vols.), História do movimento da presença, 50 anos de poesia portuguesa, História do romance português (3 vols.). Faleceu em 1987.
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