A família indo-portuguesa

A escritora Raquel Ochoa, de quem já publiquei livros de ficção e não-ficção, estreou-se com um romance que lhe valeu o Prémio Literário Agustina Bessa-Luís e já vai em dez edições... Chama-se A Casa-Comboio e conta a história de quatro gerações de uma família indo-portuguesa, cristãos que residem em Damão e acabam em Lisboa. Honorato, Rudolfo, Baltazar e Clara são os fios que ligam a saga fascinante dos Carcomo ao longo de mais de um século. Habitando uma espécie de «casa-comboio», a sua história é baseada na de uma família verdadeira e a autora visitou a maioria dos locais onde tudo aconteceu. Com uma notável capacidade de efabulação, elogiada na atribuição do prémio por Vasco Graça Moura, que então pertencia ao júri, a autora abre-nos a janela sobre o modus vivendi de tantos indo-portugueses – quer a experiência feliz, quer a traumática, em territórios como Goa, Damão e Diu, outrora sob o domínio da Coroa e do Estado portugueses e hoje bastante esquecidos. Se gosta de romance histórico e tem, como tantos, fascínio por esse país tão especial, não perca.


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Comentários

  1. Li há uns anos este romance e adorei ! A Raquel Ochoa tem outros romances e livros de viagens que este post me fez pensar: porque não os procurei, se gostei tanto da "A Casa-Comboio"? A corrigir.

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  2. De Raquel Ochoa já li "A casa-comboio","A infanta rebelde" e "O vento dos outros".Gostei de todos e já tive ocasião de comentar neste blog o quanto me admirou ver uma jovem aparentemente tao frágil ser tao destemida e correr mundo sozinha,para alem de nos levar com ela para esses lugares distantes atraves da sua escrita.Continue!

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  3. Arte literária é isso! Retratar a vida sob diferentes matizes. Sim, o livro que expõe outras realidades da cultura portuguesa tem seu primor inclusive, para ser estudado.

    Cláudia da Silva Tomazi

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  4. Não conheço esse livro de Raquel Ochoa, autora que só conheço das viagens, esta será uma outra viagem a fazer com ela, certamente.

    A cultura indo-portuguesa é-me particularmente cara pois meu avô esteve em Goa, onde foi encarregado geral do governo, ficando sempre muito ligado à cultura goesa que muito apreciava e respeitava, sua filha e minha tia casou com um distinto oficial goês.

    Uma história curiosa desta ligação:
    - Ali por 1998, muitos anos depois do meu avô ter estado em Goa, sendo eu responsável num hipermercado em Lisboa, vizinho ao templo hindú cuja inauguração se deu por essa altura, fui consultado por essa comunidade para o fornecimento de alguns géneros alimentares. Dei o meu contacto ao interlocutor, um cartão de visita. Pouco depois ele regressou e pediu para me falar particularmente. O tio dele, líder da comunidade, desejava saber o que era eu ao Brigadeiro António Cyrne Rodrigues Pacheco? Neto, lhe respondi. Ele agradeceu e regressou pouco depois, pedindo novamente para me falar. Vinha acompanhado de um venerando ancião, vestido tradicionalmente, que explicou fazer questão em me vir cumprimentar e manifestar que, em Goa, trabalhara com o meu avô de quem ficara muito amigo, tecendo-lhe os maiores elogios enquanto homem e governador daquele então estado português.
    Confesso que me emocionou e sobretudo orgulhou.

    São estas as nossas ligações humanas, entre povos, que permanecem nas memórias e nos devem orgulhar. Haverá outras que nos envergonhem? Há certamente, mas não é motivo para apagarmos toda a história, e sim, para mantermos ou renovarmos esse relacionamento com outros povos e culturas, como seres humanos.

    Saudações cá da Cidade Morena.

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    1. Bela história ! Estamos todos muito mais próximos uns dos outros do que julgamos.

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  5. A "Casa-Comboio", da Raquel Ochoa, reflecte o sentido de alguma direcção editorial, ancorada na necessidade de criação da visibilidade mercantil. Um livro de uma jornalista, porventura decente, mas apenas decente. Um livro demonstrativo da cada vez maior irrelevância de uma literatura nacional, levado a crédito do “figurino público”, fruto do “entrelaçar” entre jornalismo e ficção, da necessidade das editoras “visibilizarem” a mensagem, usando — e abusando — de todos os mensageiros situados no espaço público e de todas as formas possíveis de promoção mercantil – sejam esses “veículos” mediáticos, socialmente conhecidos pelo lugar que ocupam nesta sociedade de tiques claramente monárquicos.
    Afinal o jornalismo é fundamental nessa relação das palavras com os leitores. E, no espaço público, apercebemo-nos dessa relação quase simbiótica, totalmente fechada, muitas vezes promíscua. E não porque o veja com um mau livro, que me desculpe a autora pela sinceridade — há bem piores — mas como um livro comum, eivado de fragilidades e muito alicerçado numa base de investigação jornalística sobre fontes secundárias, não dominando nem a metodologia história (sobre a “temática da Índia Portuguesa” há excelentes teses de mestrado e doutoramento com componentes narrativas bem mais escorreitas), nem a própria expressão ficcional.
    Infelizmente o que detectei foram aqui e ali algumas misturas de estilos — num emaranhado do literário com o jornalístico com zonas de expressão impregnadas de um estilo quase adolescente — entrecruzando-se com frases sem sentido, pontuação errada, faltas de concordância.
    Lendo com olho de lince, de autor cada vez mais crítico, foi o que em consciência encontrei nesse livro. Mas reconheço poder estar totalmente equivocado. De 0 a 10 dava-lhe um 6, mas nunca um prémio literário. Raquel Ochoa de certeza que pode fazer bem melhor. A escrita continuada vai ganhando “patine”.

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    1. Pedro, acho de um tremendo mau gosto o que acabou de fazer. Nem eu escrevo aqui sobre livros de que não gosto, porque entendo que já há tão pouco espaço para falar de livros que devemos usá-lo para elogiar, e não para maldizer. Peço que, doravante, neste espaço, que é de todos, não esteja sempre a implicar com o que eu escrevo e a criticar aquilo de que eu falo. Já todos percebemos que acha que os seus livros só não são publicados por directivas do mercado, mas pode não ser bem assim.

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    2. Caríssima Maria do Rosário. Esteja descansada. Se o que se pretende é unanimidade na opinião ou apenas espaço de publicitação de autores por si publicados, sem qualquer tipo de beliscadura de opinião, despeço-me de vez do seu blogue, por prezar a liberdade de opinião e o exercício de capacidade crítica; e, por ter sido educado no respeito, mas não no reverencial. Livra-se de mim de vez e da imensa incapacidade de perante o que vejo não ser hipócrita ou falso na apreciação. Aliás, quantas vezes já a ouvi mencionar a falta de qualidade no aparecimento de novos autores. Sabendo a Rosário, tão bem como os mais atentos de nós, que o problema de muitos autores não aparecerem ao leitor não reporta à qualidade mas à falta de capacidade do mercado livreiro para os absorver (e das quase aleatórias escolhas que tem de fazer perante o inundar de originais).
      E, isso, como calcula, é percepcionado como um bem pior "tremendo mau gosto” do que o dar notícia das múltiplas falhas no livro de um autor. Mais a mais quando há muitos “trabalhando” horas infindas na escrita, sabendo que só a escrita continuada dá "patine" e que nem todos os livros são conseguidos — como acontecerá com este livro da Raquel Ochoa. A dispersão do mercado livreiro, bem como as novas plataformas, são, como bem sabemos, uma pedrada dura para o negócio dos grandes grupos Editoriais.
      Quanto à liberdade a que me propus, de auto-editar os meus livros, nem percebo porque são chamados à colação. Mas folgo que tenha essa percepção, pois será motivado por ter lido algum dos mais de dez já lançados, e que me propiciaram este ano uma bolsa literária da DGLAB — reconhecendo com humildade que o júri se possa ter equivocado.
      Mas, pronto, se a este espaço está vedada a livre discussão e confronto sobre livros e tudo aquilo que lhes diz respeito, não me resta mais do que ir ali à esquina abrir um espaço para se falar livremente sobre os mesmos, para os autores divulgarem os seus livros, comunicando directamente com os bons e grandes leitores, sem preconceitos ou outro tipo de agendas. Aliás, em boa verdade também lhe digo que não perde nada (tive muito gosto, aliás, em incorporar um texto seu na colectânea Portugal Profundo), já que como bom leitor tento comprar cada vez mais livros fora do catálogo dos grandes grupos editoriais.
      Se algum conselho, respeitosamente, posso dar — afinal somos da mesma geração — é que reflicta sobre o motivo de alguns dos extraordinários comentadores originais do seu blogue serem já tão poucos, felizmente bons e grandes leitores, a todos deixando um cordial abraço de amizade e despedida.
      As melhores felicidades pessoais para si, para o seu blogue e para a tão necessária renovação e libertação da literatura nacional.

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    3. Meu caro, toda a gente pode expressar a sua opinião, mas a forma como o fez não foi feliz. E na verdade o estar sempre a bater na mesma tecla não muda nada; se não se importar, poupe-nos, já percebemos, não somos burros. Também agradeço que não confunda este blog com um veículo da LeYa, porque não é, e que deixe de mencionar tantas vezes aqui os grandes grupos editoriais, já cansa. Tenho dito.

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    4. Caro Pedro, por favor não deixe de participar neste blog. Os seus textos são sempre uma lição de boa prosa e a discórdia é sempre uma iluminação. Estou certo que irá publicar os seus livros.

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    5. Reforço o pedido e a opinião!
      Nota: os livros estão publicados...
      Abraço.

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    6. Eu encomendei e li há uns anos um dos livros do Pedro Sande e deu-me prazer ler pela qualidade estilística da sua escrita. Compreendo que as editoras comerciais tenham dificuldade na publicação do livro porque não segue um fio narrativo clássico e a maioria dos leitores quer ler uma história com princípio meio e fim.

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  6. Extraordinário Pacheco: um ancião goês vestido tradicionalmente é apresentado a um português muito mais novo que... e começa um romance a ligar e a distender duas culturas e dois tempos.

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    1. Tunga! Em cheio!
      Na verdade isso aconteceu mesmo, pois dado o respeito em que fui educado no que tange à cultura e aos goeses, tive de "meter" no meu "Largueza", um episódio em Goa, e, introduzir na aventura um personagem importantíssimo, de seu nome Quessuró, o nome de um célebre caçador profissional goês que existiu mesmo, que recriei num homem gigantesco "capaz de matar um homem com um soco", todavia um filósofo que muito apoiaria ao personagem principal na sua formação, todavia quem para participar plenamente em toda a acção, fiz seguir o culto sikh, enfim uma liberdade de pseudo-romancista. Porém fui mais longe, dado que eu mesmo tive em dada altura uma namorada indiana a quem conheci numas férias na ilha do Farol, e, introduzi-a também no ambiente da aldeia goesa atribuindo-lhe uma paixoneta tão platónica quanto aquela que aconteceu mesmo - Ana era simplesmente linda! Já o pai de Quessuró, recriou o venerável ancião que me foi apresentar-se e com depois estive mais um par de vezes, ouvindo-o falar dos seus tempos em Goa.
      Enfim, vamos ao longo das nossas vidas recolhendo as páginas do livro que um dia escreveremos ou não.
      Sei que a nossa Extraordinária Anfitriã não gosta que falemos dos nossos escritos pessoais, mas permito-me fazê-lo para lhe responder, e, quiçá desanuviar um pouco o ambiente.

      Abraço africano cá da Cidade Morena!

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