Primeira mulher, primeira estrangeira

Logo mais volta a série Herdeiros de Saramago, estreada na semana passada com os episódios sobre Paulo José Miranda e José Luís Peixoto, os primeiros vencedores do prémio literário que leva o nome do nosso único Nobel da Literatura. E hoje os contemplados serão Gonçalo M. Tavares (que venceu com Jerusalém) e Adriana Lisboa, a primeira estrangeira a receber o galardão com o romance Sinfonia em Branco, que publiquei na Temas e Debates pouco depois de o novo século começar. Falo deste livro porque, embora a obra desta autora esteja a ser regularmente publicada pela Quetzal, este romance não está disponível. E é pena, porque fala de um tema extremamente actual, o abuso sexual dentro da família, mas é um livro literário, e não comercial ou oportunista. Até porque Adriana Lisboa é uma escritora muito elegante (e o seu tom é europeu, pouco tem que ver com a maior parte da literatura brasileira contemporânea, mais urbana e directa ao assunto) e delicada (bastará ver a série e perceberão o que quero dizer). Conheçam-na melhor mais logo e conheçam os seus livros, que valem muito a pena.

Comentários

  1. O apelido da Adriana já faz dela uma elegância. :)

    Curiosamente, é a primeira mulher (e penso que única), primeira estrangeira (o), e mesmo assim, talvez seja a mais desconhecida, pelo menos no nosso país dos "filhos de Saramago" (gosto mais de que herdeiros).

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    1. É verdade, a primeira e única mulher do grupo. Não que eu pense que se deve dar um prémio a alguém só porque é mulher... mas pergunto-me: como é que a Dulce Maria Cardoso nunca ganhou?

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    2. Não foi a única mulher, lembro-me de Andrea del Fuego, igualmente vencedora e igualmente brasileira.

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    3. Quanto a Dulce Maria Cardoso, desconfio de que talvez não pudesse ganhar por ter mais de 35 anos, e o prémio ter esta baliza etária.

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    4. Talvez fosse por isso... o que não deixa de ser ridículo se considerarmos a idade do Saramago quando publicou o primeiro livro
      Mas critérios são critérios.

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    5. Tem razão, mas era um prémio para estimular os mais jovens. Hoje a baliza já é até aos 40 anos.

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  2. Não vou perder, pois gostei de ver os 2 primeiros episódios.
    Li Jerusalém do GMT e gostei bastante.
    Da Adriana Lisboa não li nada e espero ficar a conhecê-la melhor; lamentável o livro premiado não estar à venda: Alô, Alô, Francisco José Viegas!

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    1. "JERUSALEM" do GMT é realmente um excelente livro; também gostei muito do "MATTEO PERDEU O EMPREGO".
      Realmente o Luís Eme observou muito bem: os filhos de Saramago soa melhor e "sabe" melhor.

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  3. Bom dia com alegria, apesar da pandemia

    Guloso, aproveitei as restrições do fds para ver a série completa.

    Paulo José Miranda não conhecia de todo, mas já fui ás compras.

    JL Peixoto corre! Empatizei com ele. Até porque é alentejano, coisa que não sabia. (Tenho um fetiche de um dia ir morar para o Alentejo)

    Gonçalo M. Tavares é dos meus predilectos. Um escritor fora da caixa. E a entrevista tem um extra: Alberto Manguel.

    Adorei a entrevista do Ondjaki, que não conhecia. Muito boa onda! Idem o Bruno Vieira Amaral, que só conheço do Expresso.

    Mas fiquei agradavelmente surpreendido com Afonso Reis Cabral (cuja entrevista tenciono mostrar aos meus filhos) e o Fuks.


    Evidentemente que uma coisa é o escritor, outra os seus livros.

    Mas estas entrevistas, as imagens que deles - autores - transparecem não são completamente dissociáveis das escritas

    Embora concorde com Margaret Atwood, "S'intéresser à la vie de l'écrivain parce qu'on aime son livre, c'est comme s'intéresser à la vie du canard parce qu'on aime le foie gras", não deixa de ser interessante vislumbrar a pessoa por trás da obra.

    Fossem a generalidade dos programas de TV com esta qualidade e o Zé Povinho estaria muito mais culto e aprumado.

    Tenho dito

    Boas leituras
    cp

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    1. Totalmente de acordo com o último parágrafo do extraordinário cp, o problema é que o Zé Povinho foi maioritariamente "educado" para fugir a sete pés destes programas, para cair nos braços das Cristinas, das Teresas, dos Baiões e demais Cláudios...

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  4. Quem é o cp?So por curiosidade

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    1. Qual queres, anónimo curioso?

      Carlos Paredes? Carlos Pereira? César Peixoto? Carlos Pinto? Cláudio Pintarolas? Cipriano Paixão? Costa Pereira?

      Escolhe.

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    2. Também pode ser comboios de portugal.

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