Um pintor e uma Autora
Um dos livros que ficou impedido de ver a luz em Março por causa da pandemia foi o novo título de Isabel Rio Novo, Rua de Paris em Dia de Chuva, «cruzado» de ficção e biografia de uma forma magistral. Na capital francesa, vivem-se tempos de profundas transformações, com a abertura das grandes avenidas e o despertar de uma nova corrente artística, o Impressionismo, que irá alterar o olhar dos indivíduos sobre a arte e o mundo. Mas que história de amor à distância poderão experimentar o protagonista deste romance – um diletante chamado Gustave Caillebotte, amigo e mecenas de pintores como Monet e Renoir e, afinal, ele próprio um artista de primeira linha – e a sua Autora, que há anos persegue a história deste milionário triste e decide agora escrever sobre ela? Combinando o impulso histórico com a tentação do fantástico, Isabel Rio Novo – duas vezes finalista do Prémio LeYa – oferece-nos uma peça literária fascinante acerca do poder da arte, que a confirma como uma das vozes mais relevantes da ficção portuguesa contemporânea. Esta é, obviamente, a minha recomendação para hoje.

Em abril deste ano morreu Luís Noronha da Costa, excelente pintor português cuja última exposição teve curadoria de Bernardo Pinto de Almeida, pessoa a que não posso ficar indiferente por variadíssimas razões. Disse-se sempre uma pessoa do azar, marginalizado pela sociedade. Caso frequente, entre artistas. Parabéns à Isabel. Eu apenas publicarei em inglês nos próximos dez anos. Se publicar em português será fora de Portugal. Em devido tempo exporei publicamente as razões desta minha decisão. No outono, se tudo correr bem, tenho autorização para fazer um extermínio histórico de aranhas e outros vermes e insectos em minha cada. Habitualmente habitam livros apodrecidos, aqueles que colocamos no no lixo para assegurar espaço para os novos, como este da Isabel.
ResponderEliminarResto de boa semana
Sandra Neves
Fernando Pessa não diria melhor: e esta heinn...
EliminarO Fernando Pessa também já lá está, coitadinho. Era tão engraçado! Quanto ao resto, não me afirmo a melhor do mundo, ao contrário do que afirmou hoje a Catarina. Se alguns o entendem, ainda bem. No outono quem ganhar rir-se-à. E quem perder terá pela frente um inverno bastante dramático. Eu arrisco. Beijos da que vive para sempre no Quénia. Sandra Jacinda Neves.
EliminarBom dia Maria do Rosário,
ResponderEliminarexcelente sugestão! Estou precisamente a concluir a leitura da obra da Isabel. Mais um belíssimo romance. Nos três romances que lhe conheço, o talento para criar ambientes históricos, em particular do período oitocentista finissecular, é indiscutível. A originalidade deste romance está no facto criar uma tapeçaria em que a "Autora", a "Narradora" e a "Escritora" deambulam com o leitor pela narrativa, como se o guiasse num museu. Além disso, a arte e a pintura transpiram deste livro por todos os seus poros e há passagens que são verdadeiras telas escritas (pp. 102-103). Estou a gostar muito. Parabéns à autora e à editora!
Vítor Fontes
Estás as boas vindas com mais este. Por certo a carteira de finalista à lista LeYa, terei gosto em vê-lo cá e tanto se faz necessário o Brasil destes dias à leitura fantástica; assim por dizer diferente o tema parisiense.
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
A mim, palpita-me ser uma boa proposta!
ResponderEliminarDe Isabel Rio Novo, ainda não li nada, o que pode parecer estranho, mas não houve tempo e nem oportunidade, apesar de já me ter chamado a atenção.
Parece-me ser, como eu se me permitem o atrevimento, uma nostálgica, segundo aquilo (pouco) que dela conheço. Com saudades de um tempo que não conheceu, mas que talvez tenha conhecido indirectamente por memórias colectivas, familiares e leituras... digo isto pela percepção que tenho de mim mesmo.
Gosto particularmente do século XIX , desde as roupas que se usavam, à arquitectura e ao design em geral, móveis, artefactos, espingardas, dos autores, exploradores, da agricultura... e claro, gosto muitíssimo da pintura, tanto o impressionismo quanto o naturalismo.
Escreveram-se admiráveis romances, produziram-se pensadores notáveis, com todas as coisas novas deste século que no fundo foi a plataforma para uma outra época de grande brilho, pelo menos até sua metade: o século XX, que o foi perdendo até ao virar do milénio, e hoje, coitado, me parece sériamente comprometido pelos novos bárbaros e suas hordas de activistas anárquicos e vociferantes de ignorância, iguais aos bárbaros de todos os tempos mas que hoje parecem ter o peso que tiveram aqueloutros que extinguiram o Império Romano do Ocidente e o do Oriente, uns vindos do N e Centro da Europa, outros da Ásia.
Será o anti-clinal da nossa civilização? Porque não é a tecnologia dos derivados do lítio e do coltan que produz brilhantes artistas ou pensadores, cientistas, sábios... esses ficaram todos pelos meados do século XX.
O próprio ambiente deste século me fascina, pois foi época de grandes descobertas, de explorações, de muita cultura e sofisticação. A sociedade da época atrai-me muito.
Portanto acredito piamente que sou capaz de gostar do romance, a época, o tema e o que se adivinha nos personagens, deverão ser à minha medida!
Saudações saudosistas, cá da Cidade Morena!
Por estes dias, as noticias pouca ou nada animadoras sobre o futuro de: editores, livreiros, livrarias e, comércio do livro em geral, deixam-me bastante apreensivo e triste. Digo isto, porque o comércio do livro tem de ser lucrativo (e porque não, muito lucrativo... ?), para bem: dos hábitos de leitura; do bem estar, da saúde e da educação de todos nós, portugueses. Porém, esta situação de fragilidade, que atinge os agentes promotores e divulgadores do livro, não pode passar adiante sem que lhes apontemos - na qualidade de leitor - aquilo que pensamos ser a sua inexistente estratégia de mercado, a sua total ausência de "discurso", quer comercial quer promocional. Editores, livreiros e livrarias, ainda não perceberam que, vender, promover livros, não é, própriamente, vender "coisas"... Editores, livreiros e livrarias tem de inventar um discurso que seja apelativo para leitores e que convença a grande massa de não leitores, leitores renitentes. Editores, livreiros e livrarias têm de sentar à mesa e terem a grandeza e a coragem de começarem a discutir esta problemática, pelo principio. Leio para ter: bem estar, saúde e educação. A comentar também me educo. fl
ResponderEliminarCumprts de:
ler é o melhor remédio - nos tempos livres
https://lereomelhorremedio.blogs.sapo.pt/
De Isabel Rio Novo li “O rio do esquecimento”e “A febre das almas sensíveis “.Recomendo vivamente.Sao livros que além de bem escritos,entretéem e informam.Ha relativamente pouco tempo li”O poço e a estrada”.Achei-o demasiado extenso e quase um tratado sobre a vida de Agustina.
ResponderEliminarEste seu mais recente já despertou a minha curiosidade e fará parte das minhas próximas compras.
Quanto à política de editores,livreiros,livrarias confesso que não estou dentro do assunto.Apenas sei que sempre gastei dinheiro com livros,sempre adorei ler e que constituem uma ótima companhia.
Havia muito mais a dizer,mas prefiro lembrar o seu papel fundamental.
Bibi
Li-o na semana passada e adorei tudo nele: o "cenário", as personagens, a temática, a escrita sedutora da Isabel Rio Novo. Momentos houve em que me senti numa tela impressionista!
ResponderEliminarUm dos meus livros de 2020.