Uma história bonita

Juan Cruz, que foi o grande editor da Alfaguara e que vi moderar um debate maravilhoso há anos com Herta Müller e Vargas Llosa, escreve uma bela crónica no jornal El País. No último sábado falava de um encontro em torno da edição em que a leitura tinha sido apontada pelo filósofo Gregorio Luri como a experiência deleitosa que salvaria a Espanha (e o mundo) da mediocridade e contou uma história bonita. O actual director do Departamento de Neurocirurgia Pediátrica no Centro Johns Hopkins, um posto muito importante, era filho de uma empregada doméstica analfabeta. Mas a sua mãe, que trabalhava em várias casas, percebeu que os patrões que liam e tinham bibliotecas em casa eram os que mais sucesso tinham; assim, racionou a televisão na sua própria casa, obrigou os filhos a ir à biblioteca todas as semanas, a ler livros e a resumir as suas histórias, e até fingia corrigir esses resumos (os filhos só muito mais tarde compreenderam que ele não sabia ler). A descendência foi toda mais longe do que ela e hoje reconhece que, se não fosse a mãe e os livros, o mais certo era isso não ter acontecido. Gregorio Luri diz que a semente tem de ser plantada muito cedo para haver uma boa colheita mais tarde. E eu concordo.

Comentários

  1. E eu também.
    E é bom começar o dia assim.
    E agradeço à Rosário todo o trabalho que tem em trazer para aqui temas sempre tão interessantes.
    E não, não lhe vou enviar nenhum livro para publicar, pois apenas escrevo comentários (poucos) em blogs

    Maria

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  2. E que bem que isso nos faz sentir, justifica o dinheiro investido e a decoração da casa (livros). O resto já sinto há muito tempo, a aprendizagem.

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  3. António Luiz Pacheco16 de julho de 2019 às 03:04

    Uma história interessante, até lapidar, pois que os livros e a leitura - nossa paixão e o que aqui nos trás diáriamente em busca de um pouco de luz - bem o sentimos e sabemos, que são uma parte importante de ser humano em toda a sua largura e profundidade.

    A literatura espelha, amplia e comprova a nossa humanidade, ajuda-nos a ganhar e a mantê-la. Portanto a leitura faz as pessoas crescer seja no plano humano, seja profissional, seja ele qual for. Quem leia terá sempre alguma vantagem.

    Não se confunda analfabetismo com bruteza ou ignorância, pois o analfabeto pode cultivar-se também, ouvindo e vendo, aprendendo ao longo da sua vida pelo que observa e guarda. É um saber não despiciendo, que não está ao alcance de todos conviver com ele e observá-lo, mas que existe, sim.

    Li há dias uma interessantíssima entrevista a Álvaro Sobrinho Simões, que a quem tenha vagar e interesse aconselho a procurar ler!

    ttps://ionline.sapo.pt/artigo/664914/sobrinho-simoes-ha-um-esgotamento-da-atencao-e-da-empatia-?seccao=importado&fbclid=IwAR1wLqsKS7EzG7FrCIthtHr9mDRX7VNX9Snfh-yqugPKR6nJTckRwAk3ZW4


    Saudações cá da Cidade Morena e votos de um bom dia para todos os Extraordinários.

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  4. Alô cp aka Freud,

    Meio dia!
    3 comentários!

    Tem razão!


    Maria

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  5. Uma história que faz lembrar a "tirania disciplinadora" do pai Lobo Antunes que obrigava todos os seus filhos a escrever "redações" dos livros por ele indicados como de leitura obrigatória durante as férias escolares, tarefa raramente apreciada por quem é jovem. O resultado está à vista: para além de um ficcionista notável e de um grande ensaísta, todos os seus filhos têm praticado a escrita de modo criativo.

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  6. Faz parte a vida o ser desumano em orientar ingenuidade e se lhe precoce. Por exemplo se o vasilhame fica no relento, a natureza o insere água e micro organismos o transformam em apropriado posto. A dinâmica cruel do vasilhame será adequar-se-lhe a finalidade.

    Cláudia da Silva Tomazi

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  7. Ontem não colaborei na f., fiquei a perder na virgindade. Mas esta história da importância de ler pôs-me logo a escrevinhar. Bem sei que a maior parte é ficção. E daí? Ainda gostei mais.

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  8. O que nos contou hoje, fez-me lembrar a história da Carolina de Jesus, escritora brasileira publicada em 14 idiomas. Aquela a quem a própria Clarice Lispector disse ( segundo a lenda)-"...você é a própria história."

    Axé Rosário

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  9. É uma história emocionante e linda, comovente e deslumbrante. Revela uma mãe fantástica que soube trascender as suas limitações e elevar o seu filho mais alto do que parecia possivel; e, por ser uma história verdadeira, acaba por valer ainda mais.

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