Querida loja de conveniência

Keiko foi sempre estranha – e os pais perguntam-se onde encaixará ela no mundo real. Por isso, quando a rapariga vai trabalhar para uma loja de conveniência, a notícia é recebida com entusiasmo, até porque na loja ela encontra um mundo bastante previsível, que domina com a ajuda de um manual e copiando os colegas até na forma de falar. Mas aos 36 anos é ainda na mesma loja de conveniência que trabalha, e além disso nunca teve um namorado, frustrando as expectativas da sociedade… Embora Keiko não se importe com isso, sabe que a família e os amigos estão mais ou menos desesperados. Um dia, porém, é contratado para a loja um rapaz com o qual Keiko tem algumas afinidades. Não será então aconselhável para ambos um relacionamento? Este é o ponto de partida de Uma Questão de Conveniência, de Sayaka Murata, uma das vozes mais originais e talentosas da ficção contemporânea japonesa. O romance, que foi traduzido em mais de vinte países e vendeu 650 000 exemplares no Japão, é o retrato de uma heroína deliciosa que promete ser tão memorável como Amélie Poulain. Espero que gostem.


Loja de Conveniência K 3D (2).jpg


 

Comentários

  1. Bom, se é como a Amélie Poulain, já estou na fila para ler! :)

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  2. Tornei-me viciado neste blog. Já não passo sem a minha droga diária.
    Acontece que hoje devo ter abusado na dose, porque vou criticar uma capa; melhor ainda, as capas da obra da Saraka Murata (diria Mourata, se a visse com ascendência lusa).
    À primeira vista, a capa do livro remete para receitas de doçaria, pastéis de belém, folhados, pudim e demais guloseimas. E a Murata, que até é apreciadora de Manga e de desenhos, nem se rala com isso. Tanto assim, que a capa da versão inglesa, "Convenience Store Woman", tem um prato com a cabeça doce de uma boneca por cima, enquanto a versão original (suponho) da Bungeishunju Ltd., ainda é mais horrorosa: tem uma torre com parafusos, linhas e uma espécie de não sei quê incrustado nela.
    Sinceramente, acho que a vencedora do prémio Akutagawa, com a cara de menininha japonesa, companheira do Naruto, que se costuma ver nas manifestações de banda desenhada, manga e cosplay, merecia melhor apresentação na capa do seu livro.
    No entanto, pelo conteúdo e pela autora, vou comprar o livro.

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    1. A dose foi de tal ordem, que até troquei o nome da Sayaka por Saraka, que é afinal o apelido de uma família da antiga aristocracia austro-húngara e ainda a designação de um grupo musical.

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  3. Confesso o meu desinteresse pelo Japão, extensivo à literatura, que não aprecio!
    Dos poucos contactos que tive com japoneses, também não me impressionaram positivamente.
    Os extremo-orientais não fazem o meu género. É livro que não conto ler e menos comprar.

    Claro que poderão perguntar-se: então e o que vens fazer aqui, hoje? Porque não te calas?
    Bom, tal como o nosso amigo Fernando também me habituei a vir diariamente a este espaço… eheheh! Já nem sei há quantos anos começou, pelo que pode ser mesmo considerado um vício.

    Por outro lado, este post também me leva a um tema em que penso muito: os títulos das obras - filmes e livros!
    Quais critérios serão usados para se traduzir ou em vez disso renomear uma obra?
    O autor sabe disso? Sempre? E autoriza? É que "Uma questão de conveniência" é bem diferente do inglês (que será o original ou qual o título japonês?) "Convenience store woman" .
    O título "Uma questão de conveniência" revela afinal o quê? Diz muito pouco do tema que o romance abrange, ao contrário de "Convenience store woman" que diz quase tudo, ou seja, quem o leia fica a saber que será uma história que tem a ver com uma mulher numa loja de conveniência.
    O pragmatismo anglo-saxónico versus a indefinição lusa, como é habitual e em toda a linha, não apenas nesta área.

    Pode até ser um bom tema de discussão, porque leio tantas vezes traduções de títulos (de livros e filmes) que são tão diferentes do original quanto falhos de esclarecimento, que me pergunto realmente, quem, como, porquê o fazem assim.

    Saudações cá da Cidade Morena e votos muito pragmáticos de uma boa semana!

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    1. O título foi discutido com a agente, não o poríamos sem autorização. E a «questão de conveniência» tem que ver com um relacionamento que acaba por ser conveniente para as duas pessoas que são pressionadas para o terem, está explicado.

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  4. E a capa, já agora, tem que ver com o sushi, que é vendido em lojas de conveniência no Japão.

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  5. Agradeço a explicação… mas continuo a pensar da mesma maneira, isto é, que o título em português não diz quase nada sobre o assunto, ao contrário do título em inglês.
    Vocês é que parece que sabem, mas não esqueçam que quem compra livros sou eu e outros como eu.

    Saudações identificadas cá da Cidade Morena.

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    1. E que me dizes aos títulos dos livros do António Lobo Antunes? ao fim e ao cabo, os títulos, estão de acordo com os livros em si (praticamente indecifráveis; exceptuam-se os três primeiros e os livros de crónicas).

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    2. O título original é コンビニ人間, algo como «pessoa de conveniência», o título em basileiro ficou «Querida konbini» (acho que também não funcionaria em Portugal, porque usamos o termo «loja de conveniência» e não «konbini»). «Uma questão de conveniência» parece-me uma boa solução porque mantém a ambiguidade da situação e não se torna tão redutor como «Convenience store woman», afinal a situação é conveniente para as duas personagens e não só para a mulher.

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    3. 人間 significa uma pessoa ou um humano; ニ人間 diz respeito a duas (à empregada e ao novo empregado); コンビ diz o meu tio Google que é uma combinação; se juntar tudo, o mesmo tio traduz para "pessoa de conveniência" como assegura o Anónimo da Editora.
      Pois bem, ó amigo Pacheco, com isto tudo até fiquei com os olhos em bico. mais uma razão para comprar o livro.

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    4. AHAHAHAH! Boa conclusão essa… mas não para mim que sou imune!

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    5. Sim e não, perdoe se estou a ser maçador, mas entenda que não é "porque sim" mas porque gosto do tema da conversa. Aliás não costumo trocar impressões com anónimos, mas neste caso parece-me que se justifica pela possibilidade de obter de si uma informação que me interessa, o que desde já agradeço.

      Vejamos: Convenience store woman , não me parece nada redutor! Pelo contrário, pois ao ver o título percebo logo que tem a ver com uma mulher que pertence à loja. Sem sequer o folhear. Uma questão de conveniência é que é completamente ambíguo ao não me situar, porque só surte efeito depois de o ler, ou ler a sinopse…
      Eu leio muito, compro muitos livros, se calhar estou bem acima da média - sou a tal excepção! Sabe quantos livros comprei entre 17 de Dezembro e 24 de Janeiro último? Pois nada mais nada menos que 32 ! Não me entenda mal, não me estou a vangloriar, apenas a explicar que devido a ser um comprador de livros (que os lê!) arrisco sempre muito pouco, só compro o que sei que estou a comprar e o que me interessa, raramente me engano (mas as dúvidas persistem, eheheheh!).
      Destes 32 até ao momento só me saiu menos bem um… estou a acabar de o ler e no início do mês falarei aqui sobre ele, "enganou-me" o tema e o apelido do autor, afinal é supinamente chato!

      É por isso que não vou comprar nem ler este livro aqui em discussão… não por causa do título obviamente mas pelo que já disse.
      A questão do título é que me intrigava e uma parte da pergunta já me esclareceu cabalmente! À outra parte, vai ser difícil pois me parece que é algo assim para o subjectivo, a parte da tradução/"retitulação" (existe esta palavra?)…

      Mas obrigado por me aturar!
      Saudações cá da Cidade Morena.

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    6. Ó Seve… isto dos títulos dá pano para mangas e até me apaixona!!!!
      Tenho a impressão que os autores contemporâneos até trabalham mais o título que o enredo e a escrita do romance. Os títulos são sempre coisas muitíssimo elaboradas e depois o romance às vezes sai um quase fiasco. Falo dos portugueses, porque os anglo-saxónicos continuam a ser pragmáticos e objectivos.

      Repara , ainda há tempos aqui falámos numa obra icónica de J.D. Salinger - The catcher in the rye, cuja tradução à letra é o apanhador no centeio, mas que olhando ao tema do romance, não me parece nada bom o título: "À espera no centeio". Porém, acho que quem fez a escolha do título "A agulha no palheiro" compreendeu perfeitamente o romance e escolheu um título à altura!

      É que há traduções/retitulações (?) que na minha óptica desvirtuam e até agridem o original!

      Saudações pachecais!!!

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    7. António, que adulteração do título!
      Mas em Portugal já estamos habituados a isto, a esta falta de respeito pelo público, seja no cinema - um autêntico crime de lesa cinéfilo - seja, pelo que se lê, na escrita.
      Entre um título e outro obviamente optava por uma tradução do título que não adulterasse uma tradução fiel.
      Tendo, entretanto, assistido pela primeira vez a todos os grandes painéis das Correntes d'Escritas vim triste da Póvoa.
      Não pela expressão qualitativa da grande maioria dos autores, mas pelo sentimento de tristeza e sentido de falta de liberdade que muitos respiram, como se a literatura servisse apenas como cesto de vime para encher frigoríficos, não se eximindo de expressar este tipo de incomodidades nas entrelinhas.
      A literatura é liberdade, diversidade; não sacralidade, muito menos escrita a pedido.
      Mal vai uma literatura que parece amordaçada, com sentido utilitarista ou guiada por mãos pretensamente invisíveis.
      Como o José Milhazes disse - e embora não concordando com o seu medo das utopias -, as utopias alimentam o nosso presente e futuro.
      Os "amanhãs que cantam", substituídos os actores, rapidamente se transformam em madrugadas de desencanto.
      Que vivam os autores e a liberdade dos mesmos neste tempo de enorme falta de valores, aparente opróbrio e adulteração da criação.
      Neste caso a alguns bons leitores foi sentido ter-se dado um "tiro nos pés".

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    8. Uma rectificação: "Como o José Milhazes não disse, pois sustentou o seu contrário."

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    9. Um acrescento, agora. E uma sugestão para as Correntes D'Escritas. Mesas redondas com discussões, temas livres e discussões dos escritores sobre o estado da edição e publicação. E, para não variar, a necessidade de alteração de uma das grandes pechas actuais: o pouco tempo dado à intervenção e discussão pública.
      Na tríade Autor/Editor/ Leitor envolver os últimos é preciso... e precioso!

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    10. E uma última coisinha: grande Rui Zink, um irreverente lúcido e livre!

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    11. Gostei de ler a sua descrição do Correntes de Escrita… pergunto-me se serão então não corredoras mas antes grilhetas? Porque parece que não são os editores quem corre atrás dos escritores, mas sim quem lhes determina como e o que escrever, é isso? Citando o outro: é a economia, estúpido!
      Hoje lê-se aquilo que é determinado pela corrente que não jorra livre e impetuosa como um rio, mas de uma torneira que se abre e fecha, não num leito selvagem mas conduzida por canais?

      Já tinha lido o seu comentário e o da CC, também a respeito de Rui Zink (conheci um polaco que pronunciava I zink em vez de I think) que também não conheço pessoalmente.

      Um abraço cá do paralelo quase-13 ! Sul, claro!

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  6. Eu vinha comentar a elogiar a capa que acho um encanto. Confesso que os comentários anteriores me deixaram um pouco relutante, mas julgo que, quando sincera e genuína, não devemos recear exprimir a nossa opinião contracorrente.
    Em minha defesa posso dizer que os desenhos animados do Studio Ghibli e, necessariamente, a sua inerente estética, marcaram de forma indelével a minha infância.

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  7. "A conveniência faz o ladrão" - Ditado popular

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    1. Conheço " a ocasião faz o ladrão", não essa.
      Geralmente, os rifões ou ditos populares procuram a rima, não só para se tornarem vulgarizados e de fácil memória, como por se tornar mais forte a mensagem. Decerto que, a existir algo semelhante ao seu, seria "a conveniência faz a delinquência" , embora eu não descortine o que tem a ver com o livro.

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  8. Exma. Sra.
    Tive a oportunidade de ler o livro acerca do qual escreveu... Apesar de conhecer muito pouco a literatura japonesa gostei bastante... e achei-o algo inquietante!
    Permita-me só uma questão que saltou-me à vista: durante a leitura deparei-me com uma quantidade de gralhas no texto superior às que normalmente encontro nas nossas edições...
    Cumprimentos,
    Patricia

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