O que ando a ler

Por razões que não importa aqui particularizar, estou a reler os Contos de Eça de Queirós. Passaram muitos anos desde que os li na adolescência (desses tempos, lembrava-me sobretudo de «O suave milagre» e «Civilização», um conto que constituiu o esboço do romance A Cidade e as Serras e tem Jacinto como protagonista) e quase quarenta anos desde que estudei com maior detalhe o conto «José Matias» na Faculdade de Letras de Lisboa, na cadeira de Introdução aos Estudos Literários, ministrada por uma professora que faltava imenso e que depois nos obrigava a ter aulas ao sábado (estávamos em 1978, ainda em jeito de revolução). Já não tinha, porém, ideia de que os Contos fossem realmente tão diferentes dos romances em termos estilísticos: mais lineares no enredo, com menos pormenores, muito directos ao assunto e, sobretudo, sem a evidência daquelas características que nos habituámos a apreciar na obra romanesca queirosiana: o humor cáustico, o sentido de observação implacável e a crítica à sociedade portuguesa. Contudo, é o próprio Eça, num prefácio, que explica o que para ele é o conto: «No conto tudo precisa de ser apontado num risco leve e sóbrio: das figuras deve-se ver apenas a linha flagrante e definidora que revela e fixa uma personalidade; dos sentimentos, apenas o que caiba num olhar, ou numa dessas palavras que escapa dos lábios e traz todo o ser; da paisagem somente os longes, numa cor unida.» Fantásticas imagens. Eça agora e sempre.

Comentários

  1. Bom dia,

    Ando a ler "Os loucos da rua Mazur" de João Pinto Coelho. Estou um pouco a mais de meio e, aproveitando para enfiar aqui um inglesismo: so far, so good! A gostar imenso.

    Boa semana a todos,

    Rui Miguel Almeida

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    1. Comprei-o hoje e espero começar a lê-lo asap - mais um ;-)
      Estou com muita curiosidade...
      ap

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  2. Também era muito jovem quando li "O Suave Milagre" e ao longo de todos estes anos várias das suas imagens teem acudido à minha memória.
    Preciosos os "resumos" de Eça para os elementos do conto.

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  3. Estou a acabar a biografia Raymond Chandler Le gentleman de Californie e a começar um ensaio sobre os argumentistas em Hollywood, um livro puxou o outro. Chandler nasceu em Chicago mas frequentou o Dulwich College em Londres, uma public school rigorosa que lhe deu uma formação clássica do melhor nível. Era um snob de formação e feitio e deu-se muito mal em Hollywood, como aliás aconteceu com outros grandes escritores.

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  4. Ando a ler _ 60

    De Mário de Carvalho li – e reli alguns d’ – os “Contos Vagabundos”, que andavam por aí dispersos a vagabundear por diversas publicações, e que a editora Caminho acolheu e abrigou neste livro publicado no ano 2000.
    Lidos assim, uns a seguir aos outros, é outra coisa.
    Magnífico.

    Magnífico também é ”Timbuktu”, de Paul Auster (ed. ASA).
    Timbuktu é, segundo a lenda, uma cidade no deserto do Saara, onde, depois da morte, se reúnem todos os seres, homens e animais, e onde todos convivem falando a mesma língua.
    O essencial do livro é o diálogo, mantido em vida, de um cão – Mr Bones - com o(s) dono(s).
    Na verdade, se virmos bem, grande parte da narrativa, da sua vida, é-nos contada pelo próprio Mr Bones.
    Comovente.

    Por feliz e emocionante coincidência, logo na manhã seguinte a ter terminado o livro, eis que, no carro, ligo o rádio na Antena 2 e ouço o músico César Viana tocando uma flauta (shakuhachi, flauta japonesa) com a qual dialoga com um cão.
    Pois bem: - sem desprimor para a outra, esta é uma verdadeira flauta mágica.
    Vale bem a pena ler o livro e depois consolidar a emoção com esta peça.
    (procurar na net “César Viana / Shakuas the Dog”).

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  5. Como já disse anteriormente Eça, Camilo e Aquilino são a santíssima trindade para mim.Ando a ler "O Pequeno Caminho das Grandes Perguntas" de Tolentino Mendonça; "A Paisagem de As Terras do Demo" de Ana Isabel Queiroz e as obras completas de CARAVAGGIO da Taschen. Não cheguei ao fim do "Gigante Enterrado" do Ishiguro. Insuportável! Fiquei enjoado com tanta "princesa" para aqui e para ali...

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    1. Também ando a ler esse do José Tolentino Mendonça, que vou intercalando com o Octaedro (contos) do Julio Cortázar.
      ap

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  6. "Singularidades de uma rapariga loira", li-o por causa da "singularidade" do título e depois gostei da história por não gostar da história.

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  7. "O SONHO DO CELTA" - Mário Vargas Llosa. Sem ser entusiasmante, gostei q.b., pelo menos ficaremos a ter um maior conhecimento do que foi a vergonhosa colonização dos belgas no Congo e o que foi, igualmente bárbara, a exploração da borracha na Amazónia, nos princípios do séc. XX; uma catástrofe para as populações nativas já que se abateu sobre eles uma violência e exploração tais que quase levou ao dizimar da sua população -o ser humano quando tem oportunidade pode ser um autêntico animal irracional no extravasar do se ódio e maldade-.
    Deste recente Nobel da Literatura (2010), apenas tinha lido o excelente (ensaio) "A CIVILIZAÇÃO DO ESPECTÁCULO", que recomendo, e o romance "A Guerra do fim do mundo", de que também gostei mas sem ser igualmente entusiasmante".

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    1. Leia " O papagaio " do Llosa, eu saltei a parte da cosmogonia.
      Mas até hoje fiquei na dúvida, se de facto tinha existido tão interessante criatura.

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  8. Já referi "O sonho do Celta", que continuo a ler, mas não posso deixar de recomendar o grande livro que li anteriormente, o magnífico, mas triste, "STONER" de John Williams-talvez o melhor livro que li em 2017, até agora.

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  9. Se calhar estou a ser ignorante e talvez injusto mas o Mário Vargas Llosa faz-me lembrar o nosso José Rodrigues dos Santos (o tal que escreve de 6 em 6 meses 575 páginas, em vez de um livro de 6 em 6 meses)...

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    1. Não esquecer que o Llosa tem cerca de 90 anos e já escreve há muito. As editoras portuguesas é que resolvem publicar tud ao monte por serem atrasadas.

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    2. Ana, olhe que ele ainda só tem 81 anos ;-).
      É verdade que escreve muito - e não só ficção - e há muito tempo.
      O Severino anda é atrasado com as leituras.
      ap

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  10. "No moinho" é o meu conto preferido do Eça.

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  11. Acabei de ler "Nelson Rodrigues, o Anjo Pornográfico" (é um bom livro, mas demorei demasiado tempo a lê-lo... pelo meio li dois ou três livros, o que gostei mais foi "Bom Dia, Tristeza", de Françoise Sagan. E claro, a antologia poética de Rui Costa, "MIke Tyson para Principiantes".

    Estou a começar "Cuidado com os Rapazes" do Alface.

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  12. Estou a ler "A elegância do ouriço ", cortesia do blog, quer dizer foram os extraordinários que ao falarem nele me despertaram o interesse.
    E estou a gostar muito, tanto que até estou a poupá-lo para ver se não tenho de abrir alguma prenda de Natal antes do tempo:)
    Hoje também terminei o " Bolo-Rei ", 99,9% realidade, 0,1 ficção:))


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    1. Também há o filme "Le Herisson" (francês) baseado no livro e que pode sacar da net como eu fiz graças à ajuda do meu filho. Vê-se bem, é uma adaptação quase fiel do livro.

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