Judaica

Existe um festival anual chamado Judaica – que, como o nome indica, serve para divulgar e debater as questões do judaísmo. Distribui-se por vários locais – Lisboa, Cascais e ainda Belmonte e Castelo de Vide, terras que tiveram (ou têm) comunidades de judeus – e inclui, entre outras coisas, uma interessante mostra de cinema. No âmbito deste festival cultural, acontecerá amanhã uma conversa moderada pela jornalista Filipa Melo com três escritores cujos livros mais recentes tocam o judaísmo: Cristina Norton, com O Rapaz e o Pombo (finalista do Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores); João Pinto Coelho com Perguntem a Sarah Gross, um romance que fala, entre outras coisas, do Holocausto e dos seus efeitos, e Tiago Salazar com A Escada de Istambul, uma narrativa sobre os Camondo, família de judeus que se instalou no século XVIII em Istambul e foi das mais prósperas do império otomano. O debate terá lugar em Cascais, no Cinema da Villa, às 18h00, e os autores vão, no fundo, explicar por que razão escolheram judeus reais e imaginários como personagens. Um bom programa para o fim da tarde, junto ao mar. Bom fim-de-semana.

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda7 de abril de 2017 às 02:53

    Obrigado. Bom fim-de-semana.

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  2. Uma proposta aliciante para quem mora perto, mas, não sei porquê, estou a imaginar o pessoal todo na praia a tabalhar para o bronze...
    Três bons livros que gostei muito de ler.
    Bom fim-de-semana!
    :-) Antonieta

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  3. António Luiz Pacheco7 de abril de 2017 às 03:24

    Porque se inspiram os autores em personagens, ou temas judeus?
    Ora... porque nos corre nas veias, por muito que o queiramos ignorar ou mesmo renegar. O sangue judeu corre nas veias diria que de todos os portugueses! É genético... há estudos que o indicam.
    Portanto será sempre um tema presente na nossa literatura!

    Bom fim de semana, são os votos cá da Cidade Morena!

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  4. Extraordinário António Luís Pacheco
    Não conheço nenhum estudo a suportar a minha hipótese mas muito gostaria de a ver submetida à prova. É a seguinte:
    A presença muçulmana foi muito duradoura (quase seis séculos, quase oito na península) e trouxe muita gente. Os árabes - grupo dominante mas minoritário - por serem poucos e terem acompanhado o poder político na retirada não terão deixado muitos descendentes; os berberes - compunham a maioria dos combatentes - reuniam menos condições de fixação e se tivessem deixado muitos descendentes haveria mais sinais de negritude na população portuguesa; os sírios - asseguravam os serviços, a máquina administrativa e talvez os trabalhos agrícolas - constituíam a maioria da massa invasora, pelo que é plausível que sejamos em grande número descendentes de sírios.

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    Respostas
    1. Pesquisei, em tempos, sobre a presença muçulmana na Península Ibérica e, já agora, dou a minha achega.

      Sim, é plausível que sejamos em grande número descendentes de sírios, sempre foram uma presença muito forte nesses séculos. Já quanto aos árabes, foram realmente um grupo dominante, mas minoritário, e isto só até ao início do século XI, quando o califado de Córdova soçobrou devido a lutas internas. Estas foram provocadas precisamente pelas sucessivas vagas de migrações berberes para a Península. As castas berberes, como os almóadas e, depois, os almorávidas, acabaram por dominar o território muçulmano, dividindo-o em reinos taifas, por isso, penso que também haverá muitos genes no nosso país vindos desses lados.

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    2. Sem dúvida... e atrevo-me a dizer que há estudos que compravam isso como bem diz a CT, caro Amalivros.
      Os judeus, vieram certamente com os invasores muçulmanos, creio que se pode dizer que uns arrastavam os outros... mas a presença "moira" é sobretudo do Tejo para baixo... já os judeus, como foram invasores pacíficos, se espalharam por toda a parte, do continente europeu! Portugal incluso, e há deveras muitos indícios, estudos, obras, etc. dedicadas a isso.
      Eu mesmo tenho apelido (de parte da mãe) de Abreu, que ao que parece é corruptela de "hebreu" ... por isso corre-me nas veias sangue judeu, e repito, como a quase todos os portugueses se forem verificar... há sempre um cruzamento algures com eles, inevitavelmente. No caso dos Abreu, família muito antiga na zona de Santarém, remontando no mínimo ao tempo da Leonor Teles, terão sido judeus do tempo da mouraria que houve em Santarém, que por ali ficaram...

      Abraço cá da Cidade Morena

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    3. «Os judeus, vieram certamente com os invasores muçulmanos» -quanto a isso, nada sei dizer, mas é um aspeto interessante a pesquisar. Penso que os judeus vieram em várias épocas (em várias levadas, por assim dizer). Sei, por exemplo, que muitos chegaram na alta Idade Média (séculos XII e XIII), por causa das perseguições de que eram alvo na Europa Central. Em Portugal, o clima foi-lhes favorável até mais tarde, penso que até ao reinado de D. Manuel, que até nem tinha nada contra eles, mas se deixou influenciar pela corte castelhana (acho que li algo sobre isso).
      Mas, sem dúvida, já havia judeus na Península ao tempo do califado de Córdova. Agora, quando vieram...

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    4. Peço imensa desculpa pelo meu erro, provocado por viver há 25 anos na Alemanha e ler muito sobre a Idade Média em fontes alemãs. Na verdade, a Alta Idade Média, em português, corresponde ao período imediatamente a seguir à Antiguidade, quando se deu a queda do Império Romano, ou seja, grosso-modo, desde o século V ao X. Na Alemanha, porém, "Hochmittelalter" (traduzido à letra: "Alta Idade Média"), corresponde ao apogeu medieval, ou seja, entre os séculos XI e XIII. Era a essa época que eu me referia no comentário anterior e que, em português, se designa por Baixa Idade Média.

      Na Alemanha, distinguem-se três períodos medievais: "Frühmittelalter" ("Idade Média Antiga"), correspondente ao período da nossa Alta Idade Média; "Hochmittelalter", já referida; "Spätmittelalter" ("Idade Média Tardia"), correspondente aos séculos XIV e XV.

      Queria deixar aqui esta correção, pois, sem ela, o erro cometido seria imperdoável em alguém que se considera uma conhecedora do período medieval.

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