Ler é perigoso
Deram-me há uns anos um livro de arte belíssimo chamado As Mulheres Que Lêem São Perigosas, que reproduz uma imensidão de obras de pintura e escultura de todos os tempos em que mulheres estão a ler, actividade que as torna, pelos vistos, perigosas. Também existe um livro que foi um best-seller na altura em que foi lançado e esteve quarenta e cinco semanas nos top dos EUA – e traduzido em todo o mundo, incluindo Portugal – intitulado Ler Lolita em Teerão, de Azar Nafisi, que fala de um clube do livro clandestino organizado por uma ex-professora universitária, no qual ela e outras seis mulheres, suas ex-alunas, pressionadas a não meter o nariz nos livros ocidentais, passavam a obra de Nabokov e outras a pente fino para, afinal, descobrirem e combaterem a pouca liberdade que tinham no Irão. É assim com as mulheres, mas não são só elas quem sofre de falta de liberdade no que toca a leituras. Basta ver o que aconteceu recentemente em Angola, onde uma série de jovens foram presos apenas porque estavam a ler um livro e a debater o seu conteúdo, que era considerado perigoso pelo regime… Esse livro – Da Ditadura à Democracia, de Gene Sharp – acaba de sair em Portugal com a chancela da Tinta-da-China, e o autor, sabendo da história, abdicou dos direitos em favor dos detidos. Leia-o, mesmo que se torne perigoso…
Até parece que a Liberdade é inimiga dos livros...
ResponderEliminarParece apenas. Os livros têm é muito jeito para estabelecer pontes para a liberdade...
No tempo daquele senhor das botas, em que era moda haver livros proibidos, estes também desapareciam em menos de nada.
As mulheres que lêem são de certeza mais perigosas do que quem o não faz, seja homem , mulher ou as duas coisas. Sabem outras coisas e pensam mais e melhor:); além do acréscimo de prazer que lhes chega pela mesma via.
ResponderEliminarExactamente, seja homem ou mulher quem lê será mais perigoso (a ignorância é o alimento dos prepotentes).
EliminarSobre esta perigosidade possuo (da mesma autora) um livro igualmente muito interessante (e muito bonito)"MULHERES QUE ESCREVEM VIVEM PERIGOSAMENTE". A história das mulheres que se dedicaram à escrita: George Sand adoptou um pseudónimo masculino para escrever sem ser importunada;
-Doris Lessing nasceu na Pérsia (actual Irão);
Anaïs Nin foi amante de Henry Miller e da sua mulher June;
Marguerite Yourcenar foi a primeira mulher a ser eleita (1980) para a Academia Francesa;
-Karen Blixen ia para todo o lado com a sua coruja amestrada ao ombro;
-Selma Lagerlöf foi a primeira mulher a receber o Prémio Nobel da Literatura, em 1909...
Essas são as que escreveram e sabe-se-lhes a vida. A maioria das mulheres sempre viveu perigosamente: ao longo da história foram segregadas, injustiçadas, subjugadas, açoitadas pelos queridos pais e maridos. Aturaram a prepotência dos homens e a sua prosápia sábia a que não podiam aceder. E do meio do seu trabalho de vida inteira, sem domingos nem feriados, deram flor, e filhos, e amor, e carinho aos que as rodearam, tornando o mundo mais ameno e vivível.
EliminarSe isto não é viver no fio da navalha vou ali e já venho. Qualquer George Sand, ou quem seja só lhes vai na frente em livre arbítrio. Decerto menos perigoso.
Li em algum lugar que o objectivo de Sand era mais ser publicada, parece que a literatura feminina tinha dificuldades acrescidas nesse âmbito. Não a li (ainda).
Perigoso, mesmo, é quem não lê nada, se é, a ignorância é atrevida e chata...
EliminarEsqueci-me de acrescentar que a leitura foi uma das primeiras grandes liberdades da mulher.
ResponderEliminarAcho que as mulheres sempre leram mais que os homens, até por passarem mais tempo em casa (e ler era mais interessante que fazer renda).
Na minha infância e adolescência, quando ainda se jogava à bola nos baldios, menina não entrava. :)
As mulheres são perigosas. (ponto)
ResponderEliminarLeiam ou não leiam... mas uma mulher que leia e portanto seja ainda mais interessante é um perigo supremo! Claro que numa sociedade que tende para o andrógino ou bissexual deixarão de o ser, mas até lá, considerá-las-ei perigosas!!!
Sempre ouvi dizer que as três coisas que mais enganam um homem são:
A chuva miudinha, os copos pequenos, as mulheres com olhos bonitos!
Ahahah!
E fora de brincadeiras, o livro é uma arma poderosa porque um veículo de ideias, o que não espanta portanto ser perseguido, interditado e combatido desde sempre pelos regimes políticos mais ou menos totalitários, pelas religiões e pelas filosofias que pretendem conduzir os outros.
Saudações livres cá da Cidade Morena - terra de mulheres muitíssimo perigosas e nem por isso por lerem!
Esse Lolita em Teerão anda na calha há um tempo. Ainda por cima pertenço a um bookclub, só de mulheres. Deve ser um livro poderoso.
ResponderEliminarSó de mulheres? MACHISTA...
Eliminar:) Por mero acaso, quando começou tinhamos um elemento masculino, mas desistiu ...
EliminarÈ algo que me chateia - querer separar homens das mulheres e vice versa.
EliminarTodos fazemos o caminho juntos, caríssima! Só assim a vida tem sentido!
não podia concordar mais, volto a dizer, o rapaz desistiu e foi uma pena porque era um leitor inteligente e as suas contribuições eram argutas e dissonantes. Faz falta.
EliminarToda a cultura - a arte, a literatura, a música, o cinema, etc - tem o potencial de desenvolver o sentido crítico e de questionar dogmas, quer de homens quer de mulheres. Toda a cultura pode considerada perigosa. Uma pessoa iletrada, sem cultura, é mais manejável que uma pessoa culta e letrada. Porque acham que a Malala luta para que todos tenham acesso à educação?
ResponderEliminarVou talvez surpreender alguns dos Extraordinários - só alguns, notem...
EliminarMas, que as pessoas pouco cultas sejam mais manejáveis é uma falácia e um erro comum e tremendo... não são!
São até as mais difíceis de convencer, do que quer que seja, diferente daquilo que estão habituadas ou conhecem!
Os mais manejáveis são exactamente os que possuam uma cultura média, e que por via disso se acham instruídos e esclarecidos, mas são definitivamente os mais permeáveis a aceitar ideias e a serem manipulados, até porque adoram e fazem gala nisso para mostrar que são modernos e abertos, evoluídos no seu pensar.
O manual de qualquer vendedor de seguros ou de automóveis e o manual do aprendiz de pregador religioso vo-lo diria... e eu bem o sei, da minha experiência pessoal. Os camponeses quanto mais simples e iletrados mais difíceis são de convencer e angariar, ao contrário dos "empresários" ... acreditem em mim.
Claro que há limites, mas quem cai nas esparrelas dos gestores bancários raramente são os avós e sim os netos universitários, cheios de saber teórico e a quem o dinheirinho não custou a ganhar...
Eheheh!
Concordo, extraordinário Pacheco.
EliminarA teimosia e a chamada "burrice" são ossos duros de roer. :)
mas num é que estou de acordo...
Eliminarpeço desculpa, mas a primeira coisa eu me veio à cabeça foi que perigoso é viver na siria
ResponderEliminare quem diz a verdade não merece castigo