Na Indochina

Antes de férias, comuniquei que estava de regresso a alguns autores clássicos – e cheguei a escrever sobre livros de Steinbeck e Camus. Mas na verdade não me fiquei por aí e deliciei-me com outros, entre os quais Graham Greene e o seu O Americano Tranquilo que, de resto, partilhei com o Manel (já se sabe, isto das leituras atrai sempre quem está perto). A história passa-se na Indochina durante a guerra com os Franceses e envolve na mesma trama o narrador – um jornalista inglês que se adaptou ao Vietname e não tem qualquer desejo de regressar à pátria –, o jovem americano Pyle – tranquilo, ingénuo e um pouco tonto, mas a trabalhar para os Serviços Secretos dos EUA – e a bela Phuong – uma rapariga local que vive com o primeiro há dois anos mas é desejada pelo segundo, união que agrada à irmã mais velha, que vê nela uma hipótese de um bom casamento (o jornalista é casado, mais velho e sem bens). Mas o triângulo amoroso e o que se passa com cada um dos seus vértices ultrapassam grandemente a questão romântica, e o brilhante Greene dá-nos uma visão sublime das forças em jogo numa guerra sangrenta que causou muitas mortes a civis, ao mesmo tempo que vai desvendando a vida do protagonista e as acções inesperadas do americano tranquilo entre emboscadas, viagens perigosas e bombardeamentos em praças e cafés de Saigão e Hanói. Deixando-nos a nós, leitores, numa guerra de nervos até à última página, este romance é realmente uma delícia de construção.

Comentários

  1. Olá, sou a Isabel e acompanho o seu blog há bastante tempo, sou aliás leitora assídua de muitos outros blogs diáriamente, e, como tal decidi criar um blog onde divulgo os blogs que acompanho, (mas apenas escritos em português) sejam de receitas, artesanato, fotografias, moda, decoração, etc.

    Faço um pequeno tópico onde convido á visita dos blogs com hiperlink bem visível, de alguns posts do dia.
    Não faço reprodução de fotos nem textos dos autores, leio e divulgo.
    (Todas as fotos publicadas no meu blog são minhas.)

    Estou em "Conchas e Búzios" (http://conchasebuzios.blogspot.pt/).

    Resta-me apenas parabenizar o seu trabalho e agradecer uma visita ao meu cantinho quando for oportuno.


    Isabel Guerreiro
    iguerreiro2002@gmail.com

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  2. Bom , na verdade os clássicos são clássicos entre outras razões por serem Grandes romances de Grandes autores... verdade?
    Logo, o Am. Tranq. tem de estar bem construído, é a tónica ...

    Gr. Gr. foi sem dúvida um Grande escritor e alguns dos seus livros marcaram, seja este agora citado ou O nosso homem em Havana, Expresso do Oriente... O factor Humano...

    Para mim, a maior inspiração foi a sua faceta de viajar a lugares remotos e retive uma frase sua que sempre cito e confesso que tenho por lema:
    "Eu viajo pelo ir e não para chegar a um lugar!".

    Saudações remotas, cá da Cidade Morena

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    1. Bonito, "Eu viajo pelo ir". O brigada pela frase. Não tenho o talento de Greene, mas, vá lá, ao menos tb viajo nesse comboio. Se calhar, todos que gostam de viagens o fazem em tal disposição.

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  3. Eu por acaso gosto de chegar a um lugar. E o encanto está em que, mesmo que o lugar me tenha desiludido, fico desejoso de chegar a outro lugar. E assim sucessivamente.

    Não li esse livro (passa a ser o senhor que se segue) mas encontro no resumo pontos comuns com um que li - O Nosso Agente em Havana - que achei magnífico.

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    1. Também gosto de chegar a um lugar. Viajar por ir é aliciante durante um certo tempo, mas a vida, para mim, ganha mais sentido se tivermos objetivos.

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  4. Dele, sei que li O Fim da Aventura (e depois vi o filme, tendo gostado muito de ambos) e um outro de que agora não me recordo. Esta descrição que faz no seu texto trouxe-me à memória o filme Indochina, passado numa altura também conturbada da história da Indochina (anos 30). Paisagens magníficas e um Vincent Perez jovem e muito bonito!

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