Um livro para um dia

Faz-se de tudo para promover um livro – e a campanha de marketing criada para o mais recente romance do norte-americano James Patterson, Private Vegas (segundo o Diário Digital, será publicado em Portugal pela Top Seller), é mesmo uma loucura. Quem quiser comprar terá de pagar 255 mil euros, é que diz a campanha logo a abrir… Bem, este valor, ao que parece, dará direito a mais coisas, entre elas uma viagem em primeira classe para um destino desconhecido, duas noites num hotel de luxo, um jantar de cinco pratos com o próprio Patterson e uma colecção de livros autografados pelo autor (não estou lá muito interessada nestas benesses). Porém, como a quantia referida não é para qualquer bolso (já estou a ver o escritor sentado à mesa de um restaurante sofisticado completamente sozinho a carpir as mágoas – ou então rodeado dos mafiosos do dinheiro fácil), quem gosta dos livros de Patterson pode lê-los gratuitamente numa aplicação criada para o efeito em mil tablets que vão ser oferecidos aos leitores (comprados com os 255 mil euros que os outros doidos pagarem, presumo), mas só poderá demorar um dia da primeira à última página, porque o texto se apagará ao fim desse tempo (com algum sentido crítico, Patterson admite que os seus livros podem ser lidos em 24 horas ou menos), ou (finalmente!) comprá-los normalmente numa livraria por 24 euros. O romance, presumo, versa o tema do jogo – tem pelo menos uns dados de jogar na capa, a par de uma imagem de Las Vegas à noite –, mas esta campanha promocional parece-me, enfim, uma aposta demasiado ambiciosa.

Comentários

  1. Parece-me deveras exagerado o preço de venda do Sr. James Patterson...

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  2. Como eu detesto Vegas (à excepção dos crepes no Bellagio), desconheço Patterson, não tenho 255 mil euros para dar por um jantar com o senhor e não gosto que me imponham prazos: dispenso.
    E, por tudo isto, até fiquei com menos vontade de conhecer a literatura do dito escritor

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  3. Quanto é que pagam para suportar tanta tolice?

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  4. E só a discussão destes disparates promocionais já chama a atenção para o livro.

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  5. A verdade, é que há muita, mas mesmo muita, gente que faz menos esforço para pagar 255 mil euros, do que qualquer um de nós para pagar 100...

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  6. Americanices... diria eu!

    Bom, mas vamos ao que importa... quem diabo é o James Patterson?
    Confesso que...

    Aguardo que algum Extraordinário me elucide.

    Saudações expectantes e kaluandas...

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    Respostas
    1. O Pacheco disse tudo: AMERICANICES

      Ainda confundi este Patterson com um outro Petterson dos CAVALOS ROUBADOS mas, como desconfiava, não tem nada a ver...este Patterson deverá ser da família dos Dan Brownes , dos Daniéis Silvas dos Nelson Demille e de mais alguns best-sellers...

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  7. Confesso a minha radicalidade: nunca li Patterson e, depois de ler o "post" de hoje, asseguro que nunca lerei.

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  8. Não asseguro que não leio, posso vir a. Mas se a propaganda é muito ostensiva desconfio sempre do produto

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  9. Ontem surripiei um pequeno livro de poemas do Craveirinha, Xibugo, num quiosque de bomba de gasolina, no Portugal profundo. Consultei previamente, brevemente, a minha consciência, mas acontece que o livro trazia impresso "é para ser distribuído gratuitamente com o Sol". Como este brilhava intensamente, aproveitei, e, por uma vez, fui caçador de leopardos, fui batuque, Chulamáti! Chinhambanine!... Craveirinha sorrirá talvez no Céu-África.
    Já ao do Patterson, acho que não me dava a tal pecado.

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