Sebastião em festa

Já aqui falei aos extraordinários leitores deste blogue do mais recente romance de João Rebocho Pais, que se estreou nas lides da literatura há dois anos com O Intrínseco de Manolo. Mas regresso ao assunto porque hoje temos festa para o livro novo – um lançamento que conta com a apresentação da actriz, e também escritora, Ana Zanatti. Dizem Que Sebastião, seleccionado pelos jornalistas do Expresso como um dos livros a ler este Verão, deixa-nos bem-dispostos e confiantes de que, no futuro, os homens ainda se hão-de dar conta de que não podemos viver apenas dos números (o capitalismo financeiro, como já se viu, deu asneira da grossa) e é urgente que demos de novo às letras a devida importância. É isso, de resto, o que acontece a Sebastião – o protagonista da obra – que andava arredado das leituras havia demasiado tempo, tendo-as trocado pelos ficheiros Excel. Resultado: não tinha nadinha de jeito para dizer fosse sobre o que fosse que não incluísse estratégias de venda, o que lhe custou um enorme arraso de uma rapariga durante um jantar memorável e hilariante. Estamos, porém, sempre a tempo de corrigir os nossos erros – o que Sebastião fará (dizem) com a ajuda de livros e de escritores (nem sempre vivos, mas sempre prontos a partilhar com ele as suas histórias). Uma lufada de ar fresco na literatura portuguesa. Se quiser fazer-nos companhia mais logo, a sessão é na livraria Buchholz, às 18h30.


 


Comentários

  1. Foi a minha leitura do último fim de semana e foi um verdadeiro prazer acompanhar o João Rebocho Pais neste passeio por Lisboa e pela literatura.
    Talvez por ter nascido em Lisboa e conhecer bem todas aquelas estátuas, talvez por ser viciada em leitura, certamente por ele escrever tão bem, saber do que fala (escreve) e ter um sentido de humor incrível, só posso mesmo recomendá-lo a todos: é uma autêntica lufada de ar fresco.
    Agora vivo longe e não posso ir ao Marquês, mas posso comprar o outro livro do João e é isso que vou fazer.
    :-)
    Antonieta

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  2. Um bom estar para logo. Ao autor e acompanhantes. Não o li ainda e pelos vistos, perco. Mas perdemos sempre alguma coisa, o Almada terá sempre razão. Seria boa altura para, talvez, começar. Vou olhar os trocos atentamente.
    Bom Dia

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  3. Dá que pensar quando um jornalista selecciona livros conforme as estações do ano, e não é na "Caras", nem na Lux" nem em nenhuma dessas tretas todas, mas no Expresso ; todavia como ontem ouvi àquele indivíduo (a doutorar-se em Arte) a quem foi pedida ajuda, por um professor do ensino secundário, no "Quem quer ser milionário", sobre onde fica a sede da Unesco e ele respondeu em Nova York, já nada nos poderá surpreender...

    Aparte esta provocação, tenciono ler "dizem que sebastião " pois do João Rebocho Pais, gostei do "Intrínseco de Manolo " embora ficasse com a leve sensação de que o autor conheçará muito pouco do Alentejo e dos Alentejanos, para além do monte (da família ou do amigo) onde estaciona quando lá vai, de vez em quando...

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  4. Cláudia da Silva Tomazi24 de julho de 2014 às 03:44

    Conto nos dedos quanto Sebastião conheço .

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  5. Bom dia,

    Li "O intrinseco de Manolo" e gostei muito (já o referi aqui). Tenho intenções de ler também "Dizem que Sebastião", mas depois da opinião tão favorável da Antonieta, vou passá-lo à frente na fila de espera.

    Que corra bem a apresentação, curiosamente foi na Buchholz que comprei "O intrinseco de Manolo", um dia que estava em Lisboa. Lembro-me da funcionária me dizer, meio em estilo confidência, que o autor era um bom cliente da livraria e, por sinal, muito simpático. Deduzo, pois, que esteja a jogar em casa. Que marque muitos golos!

    Rui Miguel Almeida

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  6. E todos serão bem-vindos, a este Sebastião e suas agruras ou redescobertas, quer possam acompanhar-nos mais logo ou não.
    À Antonieta agradeço as palavras elogiosas, aos outros o incentivo.
    Ao AZeferino revejo com prazer comentar um post que aborda algo que me faz sentir feliz: escrever.
    Dir-lhe-ei, entretanto, que não serei um conhecedor de mão cheia do Alentejo e dos Alentejanos, não serei não. Porque a vida me quis nascido em Lisboa, aqui criando raízes e crescendo, me quis a viajar mundo por questões profissionais. Não desculpa tudo, mas ajuda a compreender. Mas, não poderia deixar de lhe dizer ... é mais, muito mais, que um monte a ligar-me a esta terra tão especial. É um Pai alentejano, moço de Évora. é toda a sua e minha ascendência, que me espalha família pelo Cano, Évora e outras terras, Em boa verdade, confesso-lhe entretanto, que nunca usufruí de um ' monte' naquele sentido que aos lisboetas parece ter ganho charme.
    Acrescento ainda que, por vias e vicissitudes de coisas de casamentos, ganhei família em Mourão e aí passo noites de Natal e tardes de inclemente torreira, com o mesmo prazer com que desfruto Lisboa e arredores.
    Assim, caro Zeferino, não me catalogando por expert na matéria, inclua-me no rol daqueles que têm Alentejo dentro de si. Acredite, peço-lhe isto por ser verdade e por tal me encher de orgulho.
    Forte abraço,
    João

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    1. Caro João Rebocho Pais de qualquer modo obrigado pelas suas palavras (realço a humildade-sinal de grandeza).

      Tal como referi no post anterior tenciono ler este seu novo livro porque gostei, sinceramente, do "Intrínseco de Manolo ", e não me leve a mal a provocação do monte...mas, como na altura realcei, foi apenas uma leve sensação (e sei que não sendo propriamente uma crítica a mesma poderá ajudá-lo ainda mais na beleza das suas histórias-estamos sempre a melhorar, creia)

      Ó João não me chame, por favor, AZeferino , no fim do texto, o meu nome está bem explícito-ASeverino .

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  7. António Luiz Pacheco24 de julho de 2014 às 12:41

    Boa Noite e desculpem-me o atraso, Extraordinário, mas em Sassa-Zau a vida começa cedo…

    Creio que fui o primeiro a comentar neste Extraordinário Blog, sobre “O intrínseco de Manolo”… gostei muito e por isso não vou mais falar dele por agora pois só me repetiria e aos Extraordinários.

    Devo dizer que não sabia qual a ligação do autor ao Alentejo… mas da leitura da referida obra subentendem-se duas coisas:

    1º Que é um notável observador, e consequentemente, descreve bem!
    - Uma qualidade absolutamente alentejana! Explicada pela sua costela… tive um grande amigo no Cano, é curioso… o sr. Mário Bengala Pinto, conhecido nas lides por Mário do Cano!

    2º Aqueles “cromos” que pontuam o romance, não são inventados, são inspirados numa vila alentejana, só podiam… ora o tempo passado em Mourão, e quem sabe quantas sessões na Adega Velha do Engº Joaquim Bação, meu antigo fornecedor de linguiça, não terão ajudado a recriar os personagens, mais umas incursões ali de roda ao Zéi Alicrau, ao Tonico Rações, ao Bela Vista, à Casa Emilio… pois!

    Fica-me a certeza de que vou ler o Sebastião, e olhando ao notável e saudável humor, qualidade na caracterização de situações esdrúxulas, capacidade de descrever personagens raras ou como se diz agora “cromos”, tenho quase a certeza de que também vou gostar, apesar de ser previsivelmente uma obra completamente diferente e até num outro ambiente, mas isso só prova a “elasticidade mental” do nosso estimado autor!!!!

    O meu filho António Pedro, começou em Junho último o que espero seja uma carreira, como comissário de bordo – na TAP. Tem humor e boa capacidade de observação, pena ler pouco… mas gostaria que fosse como o João Rebocho!

    Um abraço literário cá de Cabinda e os mais sinceros votos de sucesso!

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  8. António Luiz Pacheco24 de julho de 2014 às 12:46

    Uma nota: O João conheceu certamente o Carlos Alberto Janes, seu antigo colega de profissão e que acabou casado com a malograda Agostinha, de Amareleja...

    Fomos bastante amigos e frequentámo-nos... eles a mim no Bairro e nós lá nas Choças!

    Um abraço!

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  9. Caríssimo ASeverino:
    Em primeiro lugar, devo confessar que não fiquei sentido, menos ainda me senti injustiçado, quando abordou o meu maior ou menor ' alentejanismo '. Quis apenas, e talvez porque antes não o referira, pô-lo ao corrente do quanto e de bom tenho que me faz sentir essa terra de um modo muito especial.
    Mas, se aqui e ali poderei ter cometido imprecisões nalguma descrição cultural, sei que facilmente mo perdoaria. O mesmo já admito mais difícil, no meu engano ao referir-me a si com letras erradas. Essa merece castigo. Assim proponho, e porque me apraz pensar que o mantenho por perto, que me obrigue a pagar-lhe uma açorda ou um gaspacho que com gosto devoraria em sua companhia. Aceita e assim esquecemos o lapsus teclae ?

    António Luiz Pacheco:
    Quão pequenote é este nosso globo! Pois hoje, na apresntação/lançamento de Sebastião, quem foi que vi e de cuja companhia pude retirar partido? Voilà, na mouche, Janes himself.
    Quanto à carreira de comissário de bordo iniciada pelo seu filho, que lhe parece passar-lhe o meu endereço de email, de modo a que um dia me cruzar com ele?
    redjan@gmail.com

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    1. Caro João Rebocho Pais, mais uma vez obrigado pelas suas palavras e pela consideração e também pelo convite, que registei com natural surpresa e agrado. Para o efeito, tomei nota do seu e'mail, que ousarei utilizar quando a oportunidade surgir. Um abraço. Seve

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  10. Toda a premissa me parece implausível, como se o escritor não fizesse a menor ideia do país em que vive.

    A sério, perder uma gaja porque não tem nada para conversar? Que estranho, no meu call-center ninguém tem conversas de jeito, mas isso também não é um problema porque toda a gente, homens e mulheres, vai para o Bairro Alto embebedar-se (porque a vida é um peso terrível, um tédio, e sabe tão bem viver-se inconsciente, sem sentir nada) e quando chega à hora do sexo já não é preciso palavras: estranhos e estranhas encontram-se e deitam-se casualmente por mero instinto de cumprir um prazer fugaz, entupidos de cerveja e vodka, e é assim que um gajo consegue uma gaja neste país. A ideia de que as mulheres são estas criaturas difíceis, cheias de valores morais, que precisam de ser levadas com falinhas mansas e piropos e sedução, é uma visão antiquada; mais depressa tiram elas as calças ao homem, agressivas e sequiosas, do que o homem lhes tira as calcinhas.

    E quanto ao livro ser usado para valorizar uma pessoa - que piada! Ninguém quer saber do que eu leio no call-center , e eu levo comigo Lobo Antunes, Camões, Nabokov, Yeats e sei lá mais o quê; um miúdo vê-me a ler a lírica de Camões e acha incrível que alguém goste dessas coisas, que não esteja a ler por obrigação, é que é tão chato ler poesia, e nada daquilo faz sentido, mas vá lá ainda gosto de Pessoa e dos heterónimos, o Ricardo Reis e o, o, o, o António Caeiro (Alberto, corrijo), pois, isso, e o outro, o tipo que é engenheiro naval (o Álvaro de Campos, digo), esses ainda vá que não vá, mas se não fosse o professor a explicar tudo nada daquilo fazia sentido, mas eu gosto de ler prosa, mas é difícil concentrar-me e perco interesse depressa, mas gosto de ler também... uma típica conversa com um miúdo de 20 anos acabadinho de sair da escola (se é que não a deixou a meio). E quando me vêem trazer livros todos os dias, alguns exclamam, Mas tu gostas mesmo de ler!, cheios de terror. Por isso, se ler é fundamental para levar gajas para a cama, deve haver muito português sexualmente frustrado por aí, porque a maioria não lê, não gosta de ler e goza com quem lê.

    Se o livro de João Rebocho Pais estiver catalogado como FANTASIA, ainda vá que não vá, mas isso parece-me mais o delírio de um escritor a tentar justificar a sua existência: caros leitores, é possível, através de livros, papar gajos, a literatura serve para alguma coisa afinal de contas, não ando apenas aqui a escrever histórias frívolas. Ai, se isso fosse verdade, andavam à minha volta como enxames...

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